Obvio que em 6 anos de blog já tive altos e baixos, mas confesso que nunca estive tão em baixa. Não eu, eu estou ótima, digo em baixa de postagens. Odeio textos daquelas pessoas que ficam se lamentando e pedindo desculpas porque estão escrevendo pouco. Desculpas por desaparecer, por «abandonar» as leitoras.
Eu nem tenho tantas leitoras, já que o Google mandou pro bebeléu minhas seguidoras. Tenho poucas leitoras fiéis, mas a grande maioria chega aqui por acaso quando está buscando informações sobre a Espanha. E no mesmo Google (cretino). Quando a Espanha perde a graça, o blog e eu também acabamos esquecidos.
Claro que tem gente que não me esquece. Já fiz amizades e conheci muita gente legal através da internet. Podem falar mal da internet, mas na mesma medida que ela separa as pessoas, ela aproxima. Me sinto próxima de gente que nem conheço e longe de muitas conhecidas.
As conhecidas daquele tipo que às vezes esquecem que você existe. Esquecer que alguém existe é foda. Não, foda mesmo é sentir-se e/ou sentir a indiferença. Perceber e respeitar as diferenças é importante, mas não tem nada a ver com neutralidade. Ou você é isso ou aquilo, ou é daqui ou dali, ou está cheio ou está vazio.
Ou vai pra lá ou pra cá… E ainda dizem que o caminho do meio é importante. A idade me mostra a cada dia que a felicidade não está nos extremos. Vivendo e aprendendo, sem pausa, mas sem pressa.
A pessoa que acorda todos os dias ao meu lado descobriu que não tenho paciência. Oras, logo eu que sempre me considerei uma pessoa, além de prestativa e organizada, calma. Mas uma coisa é o que você se considera e outra é como consideram você. E pelo visto não sei esperar.
Falando assim parece que quero tudo pra já, pra ontem. Não é verdade, quero alguma coisa para hoje e muitas para amanhã. Minha vida atual se resume a plantar e regar (literalmente). Me divirto enquanto espero a colheita.
E tenho certeza que ela chegará. Porque se tem uma coisa que estou é (quase) sempre certa. E normalmente acerto, mas (quase) ninguém concorda. Dizem que sou péssima conselheira.
Deve ser porque eu digo o que a outra pessoa não quer ouvir. Quem sabe eu não sei falar. Comunicação, pasmem, nunca foi meu forte. Já perdi boas oportunidades por não manter a boca aberta.
E outras tantas por não manter a boca fechada. Sinceridade nem sempre é bem vinda, ainda mais de seres insensíveis. Sensibilidade é uma virtude daquelas que poucas pessoas sabem usar. Uma pessoa tem que ser sensível na medida certa, se não estraga.
Melodrama é um saco. E grosseria também. Maldito caminho do meio. Como dizem que não tenho paciência, me qualificam no ultimo grupo.
A gente (eu estou incluindo você também) gosta de qualificar as pessoas. Qualificamos inclusive sem conhecer. Hoje qualifiquei a namorada de um amigo de chata. Nunca troquei uma palavra pessoalmente com a chata.
É chata só de olhar. Além de chata, é metida. A que, não sei, mas é metida. Deve ser porque não come carne.
Tem muita gente que não come carne que se acha superior. E são mesmo, não comer carne é coisa de sábias. Sábia decisão e sábia força de vontade. Quem dera eu conseguisse não ter vontade de comer um assado de tiras.
É a velha história, o que os olhos não vêm o coração não sente. Típica desculpa de corno. Amo a gata Lola, mas não estou nem ai para o vídeo da fábrica de pintinhos. Embora ovos aqui em casa só entrem se forem ecológicos, de preferência sem nenhum carimbo.
Já estou cansada de tanta etiqueta e qualificação. Tudo está selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado e não nos permite sair da linha. Está difícil mudar o cenário do patético (e irreal) céu azul. Parecer feliz e bem sucedida é mais importante que ser.
Pois eu sou. Sou em pensamento e em ações desde a minha própria perspectiva. Para mim o pensamento é a coisa mais fantástica que já foi inventado. Acho até que ganha das realizações, que sempre vêm acompanhadas de tantas frustações…
Há quem diga que isso é viver. E digam o que disserem, sou apaixonada pela vida, mesmo que às vezes doa (porque doi). Voando vou e voando venho. Pelo caminho eu me divirto.
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