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Desculpa ae…

Postado por Glenda DiMuro em May - 11 - 2012 4 Comments

Essa semana aconteceu de tudo aqui no blog. Vírus, troca de servidor, esquecimento de pagar servidor «novo»… Enfim, peço desculpas aos leitores e leitoras pela confusão e pelos dias que o blog esteve fora do ar.

Tenho muita coisa legal para compartilhar! Uma viagem que fizemos ao Cabo de Gata, na região da Andalucía Oriental. Um encontro da Rede de Produtor@s y Consumidor@s de produtos locais que estou ajudando a organizar em Sevilla. Umas aulinhas que andei dando na Universidad de Huelva. Muita coisa interessante, que tem ocupado meus dias e me deixando bem feliz e contente com a vidinha que levo.

Quero organizar toda essa informação porque este blog, além de falar besteira e postar fotos de viagem, é um meio de chegar a muitas pessoas e estou numa fase de sensibilização alheia sobre um monte de coisa legal que a gente pode fazer para mudar o mundinho em que vivemos.

Me aguardem… E desculpa ai mais uma vez. Foi falha nossa mesmo.

 

 

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Message in a bottle

Postado por Glenda DiMuro em April - 27 - 2012 15 Comments

Obvio que em 6 anos de blog já tive altos e baixos, mas confesso que nunca estive tão em baixa. Não eu, eu estou ótima, digo em baixa de postagens. Odeio textos daquelas pessoas que ficam se lamentando e pedindo desculpas porque estão escrevendo pouco. Desculpas por desaparecer, por «abandonar» as leitoras.

Eu nem tenho tantas leitoras, já que o Google mandou pro bebeléu minhas seguidoras. Tenho poucas leitoras fiéis, mas a grande maioria chega aqui por acaso quando está buscando informações sobre a Espanha. E no mesmo Google (cretino). Quando a Espanha perde a graça, o blog e eu também acabamos esquecidos.

Claro que tem gente que não me esquece. Já fiz amizades e conheci muita gente legal através da internet. Podem falar mal da internet, mas na mesma medida que ela separa as pessoas, ela aproxima. Me sinto próxima de gente que nem conheço e longe de muitas conhecidas.

As conhecidas daquele tipo que às vezes esquecem que você existe. Esquecer que alguém existe é foda. Não, foda mesmo é sentir-se e/ou sentir a indiferença. Perceber e respeitar as diferenças é importante, mas não tem nada a ver com neutralidade. Ou você é isso ou aquilo, ou é daqui ou dali, ou está cheio ou está vazio.

Ou vai pra lá ou pra cá… E ainda dizem que o caminho do meio é importante. A idade me mostra a cada dia que a felicidade não está nos extremos. Vivendo e aprendendo, sem pausa, mas sem pressa.

A pessoa que acorda todos os dias ao meu lado descobriu que não tenho paciência. Oras, logo eu que sempre me considerei uma pessoa, além de prestativa e organizada, calma. Mas uma coisa é o que você se considera e outra é como consideram você. E pelo visto não sei esperar.

Falando assim parece que quero tudo pra já, pra ontem. Não é verdade, quero alguma coisa para hoje e muitas para amanhã. Minha vida atual se resume a plantar e regar (literalmente). Me divirto enquanto espero a colheita.

E tenho certeza que ela chegará. Porque se tem uma coisa que estou é (quase) sempre certa. E normalmente acerto, mas (quase) ninguém concorda. Dizem que sou péssima conselheira.

Deve ser porque eu digo o que a outra pessoa não quer ouvir. Quem sabe eu não sei falar. Comunicação, pasmem, nunca foi meu forte. Já perdi boas oportunidades por não manter a boca aberta.

E outras tantas por não manter a boca fechada. Sinceridade nem sempre é bem vinda, ainda mais de seres insensíveis. Sensibilidade é uma virtude daquelas que poucas pessoas sabem usar. Uma pessoa tem que ser sensível na medida certa, se não estraga.

Melodrama é um saco. E grosseria também. Maldito caminho do meio. Como dizem que não tenho paciência, me qualificam no ultimo grupo.

A gente (eu estou incluindo você também) gosta de qualificar as pessoas. Qualificamos inclusive sem conhecer. Hoje qualifiquei a namorada de um amigo de chata. Nunca troquei uma palavra pessoalmente com a chata.

É chata só de olhar. Além de chata, é metida. A que, não sei, mas é metida. Deve ser porque não come carne.

Tem muita gente que não come carne que se acha superior. E são mesmo, não comer carne é coisa de sábias. Sábia decisão e sábia força de vontade. Quem dera eu conseguisse não ter vontade de comer um assado de tiras.

É a velha história, o que os olhos não vêm o coração não sente. Típica desculpa de corno. Amo a gata Lola, mas não estou nem ai para o vídeo da fábrica de pintinhos. Embora ovos aqui em casa só entrem se forem ecológicos, de preferência sem nenhum carimbo.

Já estou cansada de tanta etiqueta e qualificação. Tudo está selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado e não nos permite sair da linha. Está difícil mudar o cenário do patético (e irreal) céu azul. Parecer feliz e bem sucedida é mais importante que ser.

Pois eu sou. Sou em pensamento e em ações desde a minha própria perspectiva. Para mim o pensamento é a coisa mais fantástica que já foi inventado. Acho até que ganha das realizações, que sempre vêm acompanhadas de tantas frustações…

Há quem diga que isso é viver. E digam o que disserem, sou apaixonada pela vida, mesmo que às vezes doa (porque doi). Voando vou e voando venho. Pelo caminho eu me divirto.

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A tradicional pergunta sobre o último da fila

Postado por Glenda DiMuro em April - 24 - 2012 11 Comments

Dentre os inúmeros costumes curiosos dos sevilhanos (quem sabe dos espanhóis), tem um que eu me deixa especialmente irritada: perguntar quem é o último da fila para o último da fila.

É batata. No banco, na feira, no cinema, no banheiro… Se tiver uma fila formada, o último que chega sempre pergunta quem é o último. Poxa, quando uma pessoa está atrás da outra não está claro quem é o último?

Mas ai que vem o X da questão. Se eles conseguissem ficar em fila, seria fácil ver quem está atrás de quem. Acontece que muita gente tem o péssimo costume de “guardar lugar”, ou seja, avisa que está detrás de uma pessoa e sai (e repito, avisa que está atrás… normalmente a pessoa da frente está pouco se lixando pra quem está atrás, né?). Se a pessoa está no banco se senta numa cadeira a metros de distância, se está no supermercado vai seguir fazendo as suas comprinhas. Daí fica realmente difícil saber quem é o último.

Não consigo entender porque é tão complicado manter um pouco de ordem. Custa aguentar alguns minutinhos parado? Por aqui parece que sim… E por ai?

 

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No último janeiro passamos uma semana em Paris, em plena onde de frio siberiano. Paris é linda, todo mundo sabe. E que está cheia de coisas legais para fazer, disso ninguém discorda. Mas como já não era a nossa primeira vez na cidade luz, decidimos dar uma pausa nos descobrimentos parisienses e nos aventurar por outras terras.

Eu queria mesmo era ir até a Villa Savoye, que já faz tempo que estou devendo esta visita ao Le Corbusier. Mas o frio desanimou. Depois de muito pesquisar no Sr. Google, decidimos que queríamos conhecer o Monte Saint-Michel, mas o frio outra vez congelou os planos. Estrasburgo, Luxemburgo e até Bruxelas cogitamos. Encontramos passagens de trem relativamente baratas e me deu certa pena de morar numa cidade tão longe e nem tão facilmente comunicada com o resto da Europa.

Como o tempo era curto e nosso passeio deveria ser estilo bate-e-volta, por fim decidimos conhecer a cidade de Rouen (Ruão, em português, mas traduzido fica tão feio!), que está na Normandia.

Um trem saindo da Estação de Saint-Lazare em menos de duas horas nos deixou na cidade onde queimaram viva a Joana d`Arc (Juana de Arco, no bom e velho espanhol).

Apesar o frio (de renguear cusco mesmo), Rouen se mostrou encantadora e com pouquíssimos turistas nesta época do ano. É bem verdade que se «vende» pela Jeanne (tem um museu dentro da torre onde ela foi julgada e há uma cruz em sua homenagem no suposto lugar onde foi morta), mas esta cidade, cortada pelo Rio Sena, também chama atenção pela arquitetura do centro antigo, com casas com estruturas de madeira aparente e pela grandiosidade de algumas de suas igrejas (muitas em reforma). Para os entendidos ou interessados em arte impressionista, uma curiosidade: a Catedral foi fonte de inspiração de Monet, que no final do século XIX pintou mais de 30 versões do edifício.

Um dos edifícios mais emblemáticos de Rouen é o grande relógio (Le Gros Horloge) astronômico. Por astronômico entende-se que, além de marcar as horas, ele mostra o dia da semana e a fase da lua. Foi feito no século XIV, com um campanário gótico e um arco renascentista, e funciona até hoje! Está aberto ao público e vale a pena a visita, pois lá do alto se tem vistas muito bonitas da cidade.


Depois de comer muitos macarons (eu disse muitos), chegamos até a Place du Vieux Marché para ver a tal cruz da Joana (dizem que é o local exato) e nos deparamos com a Igreja construída em sua homenagem. Obra do arquiteto Louis Arretche (1979), a construção tem uma arquitetura com gosto para lá de duvidoso (minha humilde opinião), uma mistura de arquitetura contemporânea (?), com telhado de ardósia em meio aos restos da antiga Igreja de Saint Sauveur. Deu para ver que também é ponto de encontro dos neo-hippies da cidade, com seus cachorros e suas cervejas. Fiquei achando a Juanita merecia um pouco mais.

Dizem que Vitor Hugo apelidou Rouen de «a cidade dos 100 campanários», adjetivo que imagino que tinha sentido até a Segunda Guerra, já que cidade foi bastante afetada pelos bombardeios dos aliados e nem todas as construções foram reerguidas. Rouen ficou sobre domínio nazista por 4 anos e liberada por tropas canadenses em 1944. Os rastros da destruição podem ser observados pelos mais sensíveis (principalmente nas Igrejas) e também no antigo edifício do Parlamento, onde ainda se encontram as marcas de balas na fachada.

Estou certa que Rouen tinha muito mais para nos oferecer, mas o clima gélido não ajudou muito. Fica a dica de um ótimo passeio para quem quer conhecer um pouco mais da França, que definitivamente, não é só Paris.

E para quem não entendeu o título, deixo aqui a recordação dos anos 80 (eu nunca disse que era uma guriazinha): Camisa de Vênus com a música Eu não matei Joana d`Arc. No mais, para não perder o costume, algumas fotinhos do Paulo.

 

Mais fotos aqui.

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Glenda Dimuro