bookmark bookmark  
Glenda DiMuro On July - 17 - 2008

Desde que cheguei por aqui, muita coisa mudou com relação ao sistema viário da cidade. Em 2006 eram obras e mais obras por conta de reformulação das ruas para a implantação do “carril bici”. Hoje, dois anos depois, são quilômetros de pistas exclusivas para ciclistas espalhadas por Sevilla. Devido à topografia praticamente plana, movimentar-se em bicicleta pelos diversos cantos é relativamente fácil e rápido, já que o sistema de transporte público não é dos dez mais (é bom, mas os ônibus atrasam muito e ainda não temos um metrô) e andar de carro é quase impossível por causa dos constantes engarrafamentos e a loucura que dá na hora de encontrar uma vaga para estacionar.

Ainda no primeiro ano em Sevilla comprei uma bici. No inicio, quando os “carriles” ainda não estavam prontos, confesso que me dava medo andar no meio dos carros. Lembrava das aventuras pelas ruas de Pelotas e da guerra constante entre ciclistas e motoristas. Nada disso. Aqui o ciclista é respeitado e acho que em todas as cidades da Europa é assim.

Hoje foi a primeira vez que pedalei este ano. Logo eu, que adoro fazer isso. É que estamos morando em um apartamento pequeno na “tercera planta” (quarto andar no Brasil) e sem elevador. Ótimo para as pernas, mas ainda não tenho motivação para subir e baixar todos os dias uma bike. Assim que deixei a pobre na casa de um amigo e lá está. A bici que pedalei foi o objeto que motivou este post: bicicletas públicas.

Acho que desde o início do ano, Sevilla, a exemplo de outras cidades espanholas como Barcelona, implantou um sistema de bicicletas públicas. Por todos os lados da cidade existem pontos onde podes alugar uma bicicleta por dia, semana ou ano. É muito fácil e só precisas de um cartão de crédito. Podes alugar a qualquer hora do dia e sair pedalando imediatamente.

Demorei para experimentar pois ainda tinha esperanças de pedalar a minha própria bike e tinha medo que as públicas fossem de má qualidade. Que nada! São muito boas! Funciona da seguinte maneira: chegas a uma das muitas estações onde as bicicletas estão estacionadas na calçada e protegidas por um sistema de segurança (que só libera a bike depois de verificado o pagamento), vais até um painel e escolhes por quantos dias queres alugar. É cobrada uma fiança de 150 euros no teu cartão, que é devolvida quando o aluguel acabar, e o valor de 5 euros (aluguel por uma semana) ou 10 (por um ano). Escolhes uma bike e podes pedalar dos 30 minutos sem pagar nada mais por isso. Se ultrapassares estes minutos acho que pagas 0,50 centavos por hora (algo assim). Antes de completar meia hora tens que deixar a bici em outra estação. Quando contratas o aluguel de um ano, deves enviar cópias dos teus documentos pelo correio. Mais informações no site oficial do Sevici.

O serviço foi mais do que aprovado. É ótimo não só para os moradores como para os turistas. O povo aqui já aderiu à nova onda e sempre encontras um pedalando uma bici pública. Será que no Brasil isso ia dar certo em algum lugar? Ou as bicicletas não iriam durar nem uma noite?

Categories: sevilla

9 comentários

  1. As aventuras de uma brasileira no Egito says:

    Oi Linda,

    Ja amei seu blog e esta nos meus favoritos…..

    Muito obrigada pela visita, seja sempre bem-vinda por la…..

    Beijos e fiquem com Deus

  2. mateussz says:

    Glenda.
    ótimo post.
    Sabes que sou um ciclista doente…
    Fiz a Silvia trazer minha bike de onibus! 😛
    Ultimamente não tenho andado muito, por vários motivos, entre eles a preguiça…
    Acredito que não daria certo, pelo menos a curto prazo, aqui no Brasil. As pessoas têm a cultura do carro. E as que não tem, tem a cultura do roubo…
    Joinville é engraçado, pois tem várias ciclo-faixas, mas nenhuma se interliga. Coisas de adm pública que prometeu km de ciclovias e acabaram “polvilhando” onde dava. Vou fazer um post sobre isso no finds e lincar no teu.
    Bjs e saudades…

  3. Glenda Dimuro says:

    Pois é Mats, em Pelotas também fizeram algumas. Qdo eu sai de lá precisamente estavam fazendo uma na Andrade Neves…não sei como ficou. Tem aquela do Laranjal também e a do Fragata. Não lembro de haver conexão entre elas! Lembro é de ficar com o braço doído de tanto tremer pelas ruas esburacadas!!! E de ficar com medo de estacionar a bike em qualquer lugar (nem dentro da garagem ela tá protegida!). Enquanto isso, aproveito os dias que o mundo “desenvolvido” me oferece e ando de bike tranquila!

  4. Glenda Dimuro says:

    Ahhh, ainda em tempo!
    As bicicletas aqui sofrem algum tipo de vandalismo SIM! Poucos, mas sofrem… esses dias acharam uma no lixo e tem gente que fura os pneus. Em todo o mundo tem pessoas com merda na cabeça e aqui não é diferente!

  5. Marcio Nel Cimatti says:

    Continuo esperando que um herói aqui em São Paulo faça ciclovias como em Sevilha, Paris e Amsterdã.

    Bjo!!

  6. Anonymous says:

    Bacana.

    No Rio já está sendo implantado o mesmíssimo sistema – embora mais inspirado no Velib, de Paris. Prometem 50 estações em 15 meses – é ver. O interessante é que, meio atrasados, se deram conta que deveriam proporcionar mais vias cicláveis, não só com cilcovias (exclusivas), mas ciclofaixas com redução da velocidade dos autos (30 km/h).
    Em outras cidades já estão sendo estudados projetos semelhantes.

    Em tempo, no primeiro ano no Velib roubaram/quebraram 3 mil bicis. Tá longe de ser coisa de brasileiro. Mas tá longe também de ser desculpa pra não fazer.

  7. Sorocaba caminha para isso, pois já tem muitas ciclovias, as quais tradicionalmente são pintadas de vermelho (ao contrário de Sevilha, onde elas são verdes). Ainda não é possível vê-las pelo Google Earth, pois as fotos de satélite da cidade ainda estão muito desatualizadas. Porém, o vandalismo no Brasil ainda é muito grande e creio que somente um investimento em educação a longo prazo possibilitaria o serviço de bicicletas públicas e outros mais em nosso país.

  8. Em Blumenau/SC a ideia está dando certo. =)

  1. […] abonos para uma semana ou pedir um cartão anual. Mais informações no site oficial e neste post que […]

Deixe o seu comentário

Glenda Dimuro