bookmark bookmark  
Glenda DiMuro On October - 4 - 2008

O abandono escolar, o caminho mais “fácil” para ganhar-se dinheiro na Espanha do turismo e da construção civil, começa a mostrar seu preço. Com a crise econômica que o país enfrenta, estes jovens encontram-se agora sem trabalho, e pior, sem qualificação.

Estatísticas mostram que 31% dos adolescentes na Espanha não aprovam a ESO (Educación Secundaria Obligatoria). Outros 69% seguem os estudos, mas 28% deles não conseguirão o título de Bachillerato ou FP de grau médio (equivalente ao Ensino Médio no Brasil). Segundo a OCDE (Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico). A taxa dos que abandonam a escola nesta etapa é maior entre os homens (35%) que entre as mulheres (23,8%), um total que é duas vezes maior que a media européia. Somente Portugal e Malta possuem números piores.

Percebi este fato logo que cheguei por aqui. No Brasil, uma pessoa sem estudos é um “ninguém” e não consegue “subir na vida”. Foram-se os tempos que alguém sem uma faculdade conseguia um sucesso profissional. Hoje, só o diploma de graduação não vale, MBA, especializações, doutorados, pós-doutorados e algo mais que se invente para qualificar os profissionais.

Na Espanha, o salário de um garçom está relativamente próximo ao de um arquiteto (não dos ganhos do dono do escritório, de um arquiteto contratado) ou de qualquer outro profissional autônomo qualificado. Quero dizer com isso que também não há tantas disparidades sociais, todo mundo ganha mais ou menos a mesma coisa. A tentação é bastante grande. Um arquiteto estuda 5 anos e demora um pouco para situar-se no mercado de trabalho, já para formar-se garçom são apenas alguns dias de prática, dependo da habilidade de cada um.

Por exemplo, o proprietário do antigo apartamento que eu alugava era motorista do caminhão de lixo. O apartamento tinha 4 quartos e seguramente uns 120 m2, piscina, garagem e estava localizado num bairro residencial dentro da cidade. Não precisa estudar faculdade para ser lixeiro… Em boa parte dos casos, o “aborrecente” deixa de estudar não apenas porque precisa ajudar a família, mas sim porque quer ter seu próprio “dinheirinho” mais cedo do que deveria. Cedo ou tarde verá as conseqüências deste ato.

Com a crise que assola o país, já não se constrói nem a metade do que em 2006 e já não se viaja tanto. Voltar aos estudos parece a única solução. Dizem que um país sem educação não “vai pra frente”… Pelo menos a crise mostra um lado bom e coloca a galera para estudar!

 Fonte: El País

Categories: Espanha

4 comentários

  1. elipsz says:

    é bem verdade isso Glenda, lembro do meu assombro quando cheguei ao doutorado, dos 45 escritos, apenas uma menina era espanhola, 99,9% de latinoamericanos…
    mas o desinteresse pela educação não se deve apenas ao atrativo que pode ser ganhar dinheiro sem passar pela faculdade, também tem um problema sério de base. uma geração concentida pela família que passou necessidades de um pós guerra, pais deslumbrados com o apogeu economico do país que criaram filhos sem limites.
    o que mais me choca são os casos de acoso ecolar, a falta de respeito e valores, desses que é na família que se ganha… seguramente essa crise vai trazer à tona tudo o que uma sociedade inteira varreu pra debaixo do tapete, enquanto se deslumbrava com o enriquecimento fácil….
    será que ainda estaremos aqui pra ver isso ou saberemos do caos pelo jornal nacional em algum lugar do Brasil?
    Beijinhos 😉

  2. Glenda Dimuro says:

    Concordo com tudo. Todo mundo do Brasil estranha qdo eu digo que sobram vagas no doutorado, que ninguém quer investigar ou seguir os estudos depois de formado…
    Se vou escutar as notícias pelo JN eu não sei, mas seguramente por alguma página web sim…hehehe… isso espero!

  3. Luisa says:

    Infelizmente esse nao é um “privilégio” espanhol… Na Italia a situaçao nao é muito diferente…

  4. Bianca says:

    Engraçado como na dor o ser humano se parece mais. E na crise, os países se parecem mais. As dificuldades virão, mas já era hora de uma dose de realidade por essas bandas. Tem uma geração de monstrinhos mimados sem noção do que se passa no planeta. Besitos

Deixe o seu comentário

Glenda Dimuro