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Glenda DiMuro On November - 24 - 2008

Que a língua oficial da Espanha é o espanhol todo mundo sabe. Também é assim em boa parte da América Latina. Por isso, o idioma espanhol ou castelhano é o segundo mais falado no mundo, depois do chinês (pelo número de habitantes que a possuem como materna). Depois do inglês, dizem que é a língua mais estudada.

O espanhol deriva de um dialeto do latim, falado nas zonas da Cantabria, Burgos, Álava e La Rioja, províncias do norte da Espanha. Converteu-se no principal idioma popular do reina de Castilla quando o idioma oficial era o latim. Por isso ele também pode ser chamado de “castellano”, uma referencia à zona geográfica onde se originou. A denominação “español” procede do latim medieval Hispaniolus, denominação latina da Península Ibérica Hispania.

É a língua oficial em mais de vinte países e é falado nos cinco continentes. A maioria dos “hispanohablantes” se encontra na América: Argentina, Bolívia (co-oficial com outras línguas indígenas), Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, república Dominicana, Equador, EL Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai (co-oficial com o guarani), Peru (co-oficial com outras línguas indígenas), Porto Rico (co-oficial com o inglês), Uruguai e Venezuela. Nos Estados Unidos sabemos também que muita gente fala espanhol. Na Ásia é falado nas Filipinas (antiga colônia espanhola); na África é falado principalmente no Norte do continente e obviamente nas Ilhas Canárias, Ceuta e Melilla. (território espanhol); na Oceania é praticado na Ilha de Páscoa (território chileno), Sydney (devido a grande quantidade de espanhóis que vivem por lá) e na Nova Zelândia.

Assim como nós brasileiros não falamos o português de Portugal, a diferença entre os diversos “espanhóis” é tremenda. O sotaque latino é mais doce e suave. Os argentinos e uruguaios são encantadores com o seu “vos” e seu chiado. Os mexicanos falam as vogais mais abertas e são cheios de gírias. Mas as diferenças não são apenas intercontinentais já que dentro da Espanha existem alguns idiomas co-oficiais (Catalán, Valenciano, Gallego, Euskera, Aranés) e outros que são falados, mas não são reconhecidos como oficiais (Andaluz, Aragonés, Asturleonés, entre outros).

Aqui em Sevilla se fala o Andalú (Andaluz), caracterizado por cortar palavras (principalmente o final delas), por falar muito rápido e “cecear”, ou seja, falar com a língua presa. Exemplo: “Zapato”. Na América e em alguns lugares da Espanha se fala com som de “s”, mas aqui na Andalucía se fala com um som de super “ssssss” (língua presa e meio que se babando). Outra frase que adoro é “No to pá na” (No estoy para nadie). Enfim, quem entende o andaluz está preparado para entender qualquer castelhano falando. O valenciano tem muitas coisas do italiano, o catalão do francês e o euskera, na minha opinião, de russo!!!

Em alguns lugares como na Catalunha ou no País Basco (leia-se terra original do ETA) o idioma co-oficial é falado no dia-a-dia e nem mesmo as crianças no colégio não são educadas em espanhol. Essa é uma “guerra” interna, alguns acham que estão certos, outros dizem que são preconceituosos… tema para outro post.

Ler espanhol é relativamente fácil, compreender quando falam também (dependendo da região). Encontrei mais dificuldades em escrever e principalmente em falar. Antes de vir morar aqui já tinha estudado o idioma por anos, então estava com a gramática na ponta da língua, melhor do lápis. No início o “portunhol” sai sem querer, pois embora muitas palavras se pareçam quando escritas, a pronúncia é completamente diferente. A maneira como as frases são construídas também é distinta, eles usam muitos pronomes que nós cortamos e muitas palavras mudam de gênero (la nariz, el color). Os “falsos amigos” (falso cognato) existem por todos os lados: apellido (sobrenome), lima (limão), limón (lima), zurdo (canhoto), pastel (bolo), presunto (suposto). Já passamos por vários micos, ampliados pela falta de “tato” dos nossos queridos espanhóis. Aqui, se não falas como tem que ser, eles te olham com uma cara de não entendo nada. Exemplo: dizia eu, “10 de junho” e não me entendiam!!! Só porque eu não dizia “juniiio”. Haja paciência… quantos meses tem um ano e quanto deles se parecem com “junho”??? Talvez o mais memorável foi quando meu marido procurava a “Sala Q em la Calle Metalurgia”. Ele dizia: “Salla Q (que) em la Calle Metalurgia (metalurría)”. Só que Q é “cu” e metalugia é metalúrgia (com a silaba forte no “lu”). E assim, pouco a pouco, se vai levando na cabeça e aprendendo!

Conheço muita gente que vem pra cá sem falar nada de espanhol e com o passar dos dias melhora. Existem outros que estão aqui há anos e não falam nem espanhol, nem português, criaram seu próprio dialeto. Acho importante praticar e tentar pronunciar as palavras com menos sotaque possível (embora muitas vezes isso seja impossível). As vogais são sempre abertas (banco é bánco e cama é cáma) e as história da língua presa para o “z” e o “c” é complicadinho, mas a gente tenta.

Para quem vem para ficar, sugiro que faça um cursinho básico de espanhol no Brasil, para não chegar sem nenhuma noção. Em Sevilla existe uma Associação chamada Sevilla Acoge que dá aulas grátis para os imigrantes. Os estudantes que vêm de intercâmbio também têm direito a aulas gratuitas na Universidade. Além do mais, muita gente vem para Sevilla estudar espanhol nas inúmeras escolas que existem por aqui, principalmente durante as férias de agosto. São mais caras, mas muitas vezes vale a pena. Abaixo o site das principais escolas:

ClicGiralda Center Don Quijote IELEEstudio Hispanico

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Categories: Espanha

3 comentários

  1. Ana says:

    Não falo nem portunhol…
    🙁

  2. blogdosirmaos says:

    Tenho diversos contatos em território espanhol, e é muito difícil encontrar bons blogs brasileiros por aí, o seu é um! Parabéns mesmo!!

    Roberto Sena
    http://www.blogdosirmaos.com
    http://www.sampameulugar.wordpress.com

  3. Aprendi espanhol sozinho e gosto mais do castelhano (o dialeto de Castilla-La Mancha/Castilla y León), embora muitos deles falem tão rápido que mal dá para entender. O dialeto argentino/uruguaio até que é bem compreensível, mas na minha opinião o “voseo” (uso de “vos” no lugar de “tu”) e o “ustedeo” (uso de “ustedes” no lugar de “vosotros”) acabam empobrecendo o idioma. O “ustedeo” também é largamente usado em praticamente todos os demais países hispanoamericanos. No México, o “v” não é pronunciado como “b”, como ocorre na Espanha, mas como o “v” do português, talvez por causa da influência cultural dos poderosos vizinhos do norte. Já o andalú, como eu comentei noutro artigo, é falado também nas Ilhas Canárias e na América Central.
    Espero que este comentário tenha colaborado para alguma coisa, huhuauuahuhua…

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Glenda Dimuro