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Glenda DiMuro On August - 20 - 2009

Sempre me chamou a atenção a aparente idade da maioria dos membros do ETA presos ou procurados. Todos jovens, bastante jovens… adultos que seguramente não viveram períodos de ditadura ou muito menos participaram da fundação da organização. Mas qual o “perfil” de um etarra do século XXI?

Segundo Fernando Reinares, falar de etarras é falar de jovens, homens e solteiros. Nove em cada dez militantes apresentam essas características, e ainda possuem valores e condutas marcadamente patriarcais. É habitual que as mulheres se convertam em membros da organização por “pedido” de um namorado, ou até mesmo de familiares. Por outro lado, o estado civil típico dos etarras indica as obvias dificuldades de compatibilizar uma vida de risco e clandestina e os compromissos de caráter familiar.

A imensa maioria dos etarras aceita ingressar na organização depois de alguns anos imersos em entornos imediatos violentos, e principalmente durante sua juventude, quando o tempo disponível é maior e as responsabilidades pessoais menores. Não é novidade que a organização terrorista ETA não está sozinha na sua luta pela independência de Euskal Herria. Diversos coletivos cidadãos, com fins aparentemente legais, contribuem com o grupo e financiam seus atentados. Constituem canais de difusão de suas mensagens e ideologias, servem de apoio aos presos, recrutam e formam novos ativistas e atuam como interlocutores políticos. Organizações como KAS (Koordinadora Abertzale Socialista), Segi ou “Gestoras Pro Amnistía”, associações juvenis como Jarrai e Haika, jornais como Egin e Gara, sindicatos como LAB e diversos partidos políticos com representantes no Parlamento Vasco como Herri Batasuna y Batasuna são considerados pelos tribunais como parte ao denominado “entorno” do ETA. Muitas dessas organizações já são consideradas ilegais e seus membros foram processados ou presos.

Desde muitos anos, cada vez mais o ETA tem menos membros, e membros cada vez mais jovens. Enquanto na primeira metade dos anos 70, no período da ditadura franquista e primeiros anos da transição à democracia, somente 9% dos militantes que ingressaram na organização tinham menos de 20 anos, hoje em dia correspondem a 60% dos recrutados.

Enfim, o perfil sociológico dos atuais etarras é caracterizado pelo radicalismo juvenil urbano. Na Europa esse tipo de comportamento não é exceção, basta lembrar os neonazistas espalhados por muitos países. No País Vasco, toda essa agressividade e rebeldia são articuladas e aproveitadas pelo ETA, que proporciona as ideologias e a estrutura necessária para que estes jovens se manifestem.

Categories: Espanha

Um comentário

  1. Anonymous says:

    no son "militantes", son "terroristas"…….

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Glenda Dimuro