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Glenda DiMuro On August - 17 - 2009

Dizem que é difícil precisar qual foi o primeiro atentado do ETA, já que a autoria do primeiro que lhes atribui nunca foi confirmada pelo grupo. No entanto, existem fontes seguras que a primeira vítima do bando terrorista foi uma criança de apenas 22 meses, no dia 27 de junho de 1960, morta por uma bomba que explodiu na estação de trens de San Sebastián.

Nos primeiros anos de sua existência, a organização se dedicava a explodir pequenos artefatos sem grandes conseqüências, pichar os muros das cidades com a frase “Gora Euskadi” (Viva Euskadi) e “ikurriñas” (bandeira do País Vasco. Em 1961 houve uma tentativa de descarrilar um trem com ex-combatentes da Guerra Civil (franquistas) que fracassou. Em 1968 se produziu o primeiro assassinato reivindicado de um guarda civil. Neste mesmo ano, o ETA cometeu seu primeiro atentado de grande repercussão, o assassinato de um chefe da polícia secreta de San Sebastián e repressor da oposição à ditadura franquista.

Mas o seu golpe de maior efeito foi o assassinato em 1973 do almirante Carrero Blanco, produzido em um atentado em Madrid, que foi aplaudido por muitos exilados políticos. O primeiro atentado massivo foi no ano seguinte, em 1974, quando 12 civis morreram e outros 89 ficaram feridos depois de uma explosão de um artefato na cafeteria Rolando, em Madrid, situada cerca a Dirección General de Seguridad.

O debate interno sobre esse atentado massivo provocou o primeiro rompimento importante dentro da organização: os “milis” (ETA militar) que eram partidários da insurreição popular; e por outro lado os “polimilis” (ETA político militar) que apostavam pela violência seletiva. Não existia um ETA, mas dois.

As atividades terroristas não cessaram com a morte do ditador Franco e o inicio do processo rumo à democracia. Os últimos anos da década de 70 foram especialmente sangrentos, com diversos atentados que mataram centenas de pessoas.

A anistia concedia pelo governo espanhol foi decretada em 1977 e afetou aos presos etarras (ainda que tivessem delitos de morte). Alguns membros do ETAPM (político militar) aceitaram anistia e abandonaram a violência, integram-se ao partido político Euskadiko Ezkerra (de esquerda do País Vasco, que logo se fusionaria com o PSE-PSOE – partido socialista). Este abandono das atitudes violentas foi questionado por muitos dos membros que acabaram juntando-se ao ETAM (militar), que voltou a ser simplesmente ETA.

A organização considerava que com o sistema constitucional sendo posterior a 1978, as coisas não haviam mudado muito, e decidiu continuar suas atividades terroristas, usando os mesmos métodos e tendo como objetivo principal a revolução obreira para criar um estado marxista-leninista em Euskal Herria. Os atentados aumentavam indiscriminadamente em número e intensidade, com a morte de civis, policiais, inclusive uma explosão de uma bomba em um centro comercial de Barcelona em 1987. Um dos episódios mais destacados da década de 80 foi a morte de Dolores González Cataraín, que abandonou a organização em 1980 por discordar com a “linha dura” e foi assassinada em 1986 enquanto passeava com seu filho.

Durante a ditadura franquista e grande parte da democracia, ETA desfrutou da tolerância do governo francês, que permitia que seus integrantes se movessem livremente pelo seu território, imaginando assim que estavam contribuindo com o fim do regime ditatorial espanhol. Chamava-se “o santuário francês”… Em 1984, o país concede, pela primeira vez, a extradição de supostos membros do ETA à Espanha, dando inicio às colaborações com as autoridades espanholas, que hoje em dia são intensas.

Desde o final da década de 80, vários pactos foram assinados e o governo começou a dialogar e aproximar-se do bando. Em 1989, três meses de conversas estiveram acompanhados de uma trégua por parte dos terroristas, que retomou as armas depois de não chegarem a um acordo.

Continua…

Categories: Espanha

2 comentários

  1. Anonymous says:

    Asesinaron al guardia civil gallego Pardines Arcay en 1968

  2. Anonymous says:

    Atentado de 20 de diciembre de 1973, tras la entrevista Carrero/ Kissinger, del día anterior…….

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Glenda Dimuro