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Glenda DiMuro On August - 23 - 2009

Durante os seus 50 anos de história, ETA declarou dezenas de tréguas, dizendo várias vezes que cessaria permanentemente o fogo. As negociações e contatos entre a organização e o governo começaram no final da década de 70 e em 1981 foi conseguida a primeira trégua. A mais longa delas, em 1998, durou 439 dias e acabou quando o governo do Partido Popular se negou a negociar sobre a futura independência do país Vasco. A última, anunciada em março de 2006, durou nove meses. Nessa época os etarras alegavam que o objetivo da trégua era impulsionar o processo democrático em Euskal Herria para conseguir um novo marco onde os direitos do povo vasco possam ser reconhecidos, salientando que os cidadãos deveriam ter a palavra e decisão sobre seu futuro. Também apelaram às autoridades espanholas e francesas para que respondessem de maneira positiva à atitude e deixassem de lado a repressão, expressando o desejo de que o processo aberto chegasse até o seu final sem nenhum tipo de limitação ou obstáculo.

No dia 30 de dezembro de 2006, ETA rompe ao cessar fogo com um brutal atentado no estacionamento do Aeroporto de Barajas em Madrid, matando dois jovens equatorianos e destruindo três andares do edifício. Não houve comunicado prévio de ruptura, simplesmente um aviso telefônico pouco antes da explosão. Nove dias depois do incidente, o bando emitiu um comunicado onde afirmava que a trégua ainda estava “de pé” e que não pretendiam causar vítimas mortais em Barajas…

 Alguns meses depois, a organização terrorista anunciou que a trégua definitivamente havia terminado (para o governo terminou no momento do atentado), argumentando que não existiam condições mínimas para seguir com o processo de negociação e acusando ao governo de dar “pseudo-soluções”. Consideravam que o governo respondeu ao fim da sua guerra armada com detenções, torturas e perseguições, deixando os cidadãos e os partidos sem direitos.

O atentado no aeroporto em 2006 foi, de certa forma, “inesperado”. Um dia antes o governo havia expressado publicamente sua confiança no processo de paz e o presidente Zapatero chegou a afirmar que dentro de um ano se estaria melhor na luta contra o terrorismo… 24 horas depois a explosão matava mais dois inocentes. Desde então, não se iniciou nenhum outro acordo ou processo de trégua com o ETA.

Continua…

Categories: Espanha

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Glenda Dimuro