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Glenda DiMuro On July - 3 - 2010

Hoje faz cinco anos que o primeiro casal homossexual casou-se legalmente na Espanha.

A lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi publicada oficialmente dia 2 de julho de 2005, e no dia seguinte Carlos e Emilio (foto), depois de estarem vivendo juntos por anos, foram os primeiros a colocar-la em prática.

A Espanha foi o terceiro país em aprovar uma lei desse tipo (que inclui direito a adoção, pensão e herança), depois dos Países Baixos e Bélgica, e seguida de perto pelo Canadá. Já no seu primeiro ano de vigência, casaram mais de 1200 casais homossexuais.

Logo após a aprovação da lei, começaram a surgir muitas dúvidas. A principal era: qual a situação legal de matrimônio homossexual com pessoas procedentes de países que não permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Para resolver o problema, o Ministério da Justiça Espanhol determinou que a lei espanhola permite que um espanhol se case com um estrangeiro – e que dois residentes legais estrangeiros se casem entre si – inclusive quando as leis nacionais de estes estrangeiros não reconheçam este tipo de matrimônio.

Uma das coisas que mais me chamam atenção neste país é o trato cotidiano que recebem os homossexuais. Vejam bem, sou gaúcha, terra cheia de “macho” e minha cidade natal é conhecida por ser a terra dos “veados” – Pelotas. Quem nunca ouviu falar que, junto com Campinas, Pelotas leva a fama de cidade dos “bichonas”?

Pois hoje em dia, termos pejorativos como estes – que tanto escutei por muitos anos de vida e me pareciam tão “normais” – me doem nos ouvidos. Me arrependo quando falo de brincadeira e me irrito quando ouço ou leio. Para alguns, pode parecer exagero, mas depois de morar em um país que respeita as opções sexuais de cada um, passei a achar ridículos esses tipos de “adjetivos”.

Em Sevilla, tão comum como ver um casal hetero de mãos dadas é enxergar dois homens ou duas mulheres abraçados e caminhando tranquilamente. Tenho certeza que a lei, quando estava sendo debatida e até mesmo depois de entrar em vigor, deve ter causado muita confusão e discussão. Normal. Mas com certeza a sua aplicação vem contribuindo para garantir o espaço dos homossexuais dentro da sociedade e permitir o direito à liberdade, sem nenhum preconceito.

Como dizem aqui “a mi me da igual” (para mim, dá no mesmo) as escolhas pessoais e sexuais de cada um, o que importa é mesmo é a felicidade e, principalmente, o caráter da pessoa. Pena quen o Brasil ainda estamos longe desse tipo de civilidade.

Categories: Espanha, Europa

6 comentários

  1. Mile says:

    "No te creas" que aqui nao há discriminaçao, o termo "maricón"(super pejorativo) é usado com muita frequencia. Sabe, esse tipo de discriminaçao é algo que eu acho que sempre existirá.

  2. K∂riиє* Smith. says:

    Eu acho isso uma prova de democracia.
    Pena que alguns paises estejam tão longe de chegar lá…

  3. Glenda Dimuro says:

    Pois é, Mile… também acho que a discriminação ainda está longe de ser 0%, mas convenhamos, os homossexuais daqui estão numa situação muito melhor do que no Brasil e a aceitação por grande parte da população também é outra coisa incomparável. Lá na minha cidade no Brasil, é impossível ver um casal de homens de mãos dadas pelas ruas…seriam linchados.

  4. Lucy says:

    Estou totalmente de acordo, Glenda. Além do mais, acho que a maioria dos brasileiros (inclusive os bem educadinhos e tal) é bem homofóbica. Me dá vergüenza ajena às vezes escutar meus amigos tirarem sarro de veados, mesmo na brincadeira… meu marido, que é espanhol, acha o cúmulo e nem entende direito onde está a graça. Temos muito por evoluir ainda, é lógico, tanto lá quanto cá, e fora do nosso ocidente… vixe, nem se fala!

  5. Blog da Pandinha says:

    Glenda… a questão é delicada, mas sou sempre a favor da democracia, da liberdade de escolhas, e, acima de tudo, do respeito às escolhas feitas! Beijo grande

  6. Oscar says:

    Essa é uma situação BEM complicada!! E que sentimos na pele principalmente quando mudamos de país. Em Cingapura até 1997 era considerado crime. Hj não é mais, mas quando mudamos para lá tive que aplicar para um visto de turista. Aqui nos EUA um país que prega tanto a liberdade, consegui um visto. Mas que não me concede direitos iguais a um casal heterosexual. Nao posso trabalhar aqui!! E pior se um de nós fossemos americano nem este visto seria concedido. Acho que esta mais do que na hora de acabar esse preconceito ridiculo que existe pelo mundo afora.
    Ótimo Post Glenda 😀
    Até que gostaria que depois daqui dos EUA fossemos para a Espanha
    Bjo

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Glenda Dimuro