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Glenda DiMuro On August - 21 - 2010

Hoje fiquei sabendo de uma coisa que talvez não seja novidade para muita gente. Mas para mim foi e esclareceu muitas coisas que acontecem comigo sempre que viajo ao Brasil.

Brasil-Lisboa-Sevilha é uma “ruta caliente del narcotráfico”, identificada pela Polícia Federal há alguns anos.

A tal descoberta pessoal veio através da notícia de que uma jovem sevilhana está presa em Recife, depois de ser pega no aeroporto tentando viajar à Lisboa com 6kg de cocaína na mala. A guria, de 19 anos, viajava junto com seu namorado (um homem de 32 anos e com alguns antecedentes penais) que admitiu à polícia brasileira que era o responsável pela droga e assegurou que sua companheira não sabia que havia algo escondido no fundo falso da sua bagagem.

É mais uma das tantas histórias que conhecemos: o namorado experiente faz a proposta indescente de ganhar 15 mil euros fácil e a namorada, “inocente”, acaba aceitando. Os pais da menina estão viajando ao Brasil para contar às autoridades que ela é, na verdade, uma boa moça: não tem antecedente, vive com os pais num condomínio decente, já trabalhou, e tem até um abaixo assinado por seus vizinhos exigindo que ela seja libertada. A culpa é do namorado – como ele mesmo assumiu.

A recepção acolhedora

Rota quente do narcotráfico. Oras, Rio de Janeiro-Lisboa-Sevilha é o trajeto que faço sempre quando vou ao Brasil. Tá explicado porque perco em média 20, 30 minutos na “sala de cristal” do aeroporto em Sevilha. Tenho perfil de traficante!

É batata. O estresse começa ao pisar os pés em Sevilha e vai aumentando a medida que me aproximo da esteira para pegar as malas. Sei que minha bagagem vai vir com uma etiqueta diferente dos meus companheiros de voo europeus, o que significa que vou gastar preciosos minutos aguentando um antipático policial com suas luvas descartáveis mexendo nos meus ricos pertences pessoais.

Sempre achei uma invasão de privacidade tudo isso. Afinal de contas, com tanta tecnologia para tanta coisa, não tem um jeito mais fácil e menos invasivo de saber se estou levando drogas que esmagar meus bombons Sonho de Valsa, abrir meus óleos trifásicos da Natura ou encrencar com meus esmaltes ou minha rapadura?

Eu acabo ficando nervosa, mas é de raiva de ver um qualquer tocando minhas coisas com essas mãos cheias de dedos que não sei por onde andaram. Tudo é motivo de pergunta: Quanto tempo mora em Sevilha? Qual o seu endereço? Em qual bairro fica? E isso aqui (segurando meu creme esfoliante de café) o que é?

Costumo aproveitar espaço na mala colocando coisas dentro dos sapatos. Isso é o pior que uma pessoa pode fazer, pois atrai a atenção do caça drogas e aumenta as possibilidades de que ele desconfie que você, um viageiro traficante em potencial, esteja escondendo substâncias elícitas. Resultado, meias espalhadas por todos os lados e um policial com cara de idiota olhando para o seu tênis como se fosse um alienígena. Só falta querer arrancar a sola. Todo mundo é culpado até que se prove o contrário.

Haja paciência, coisa que nessas horas eu definitivamente não tenho. E o pior, pior mesmo é que depois de tudo isso, quem consegue fechar a maldita mala? Com tanta bagunça essa missão é praticamente impossível.

E isso acontece sempre. É dose, mas é a recepção que nós brasileiros (e latinos americanos em geral) recebemos na maioria das vezes que chegamos de um vôo procedente do Brasil. Então, se você vem para Sevilha, não se apavore com a falta de educação destes profissionais da lei. Não se sinta humilhada nem qualquer coisa parecida. É difícil, mas tem que aguentar firme. Nem sempre a cara de boa moça convence.

Nem tudo são flores, mas cruzando a tal “sala de cristal” tem muita coisa boa pela frente.

Categories: Espanha

8 comentários

  1. Renilse says:

    Nossa Glenda!!! Que chato…eu nunca passei por isso, acredito porque pego voo direto Rio- Madrid. Também acho um absurdo ter sua mala aberta e revirada por policiais. Acho que ficaria muito nervosa!! Obrigada pela informação!! Um abraço!!!

    • glenda.dimuro says:

      Pois é… em Madrid a quantidade de gente que chega é muita, dai eles devem escolher algumas malas para abrir. Eu já entrei por Madrid 2x e nunca fui revistada. AContece que um voo que vem de Lisboa paea Sevilla é pequeno, normalmente vem uns 3 ou 4 americanos. Dai os caras tem que mostrar serviço!

  2. Mirelle says:

    Glenda, passei por isso em Paris tb. Mas agora aprendi, eu so entro na Europa pela Alemanha. Sempre! Os caras de la sao sossegados e nunca implicaram com as 3 malas cheias de comida que eu trago da terrinha. Nao entro por Paris nem a pau! Sem falar que o pvoo no aero de Frankfurt sao sempre risonhos e simpaticos, nunca vi igual!

    Ah! A passagem entrando por la pela Tam geralmente é bem mais em conta que entrando por Paris, o vôo é umas 2h mais longo, mas vale muito a pena. Fica a dica!

    • glenda.dimuro says:

      AI, Mirelle…duas horas mais longo pra mim é uma eternidade! Pense: saio de Sevilla, vou ora outra capital européia e de lá para Rio ou Sampa. Dai tenho que voar para Porto Alegre e depois mais 3hs de carro ou ônibus até chegar em Pelotas!!!! É uma maratona! E para quem vem até Sevilla, a TAP (portuguesa) tem preços ótimos! Mas me diz uma coisa? Vc tira as bagagens na Alemanha e depois volta a fazer o check-in para ir até Paris? Eu entro por Lisboa, faço a imigração mas as malas eu só vejo quando chego em Sevilla!

  3. mirelle says:

    eita, quanto erro de português na minha ultima resposta! isso que da escrever rapido, sorry.

    Entao Glenda, eu nao passo mais por paris, entro em frankfurt e de la venho pra lyon. tb pego as malas so em lyon. mas como eh voo interno europeu, o povo é mais sussa, o problema maior é entrar na europa ne?

    bjo

    • glenda.dimuro says:

      Sim, mas mesmo eu vindo de Lisboa por voo interno, minhas malas recebem uma etiqueta dizendo que, na verdade, eu venho do Brasil! 🙂

  4. Cissa Baini says:

    Glenda querida,
    O blog novo tá lindo!
    Parabéns!!
    Beijão!

  5. Anita says:

    Ih, ja fiz em 1999 um voo Rio-Miami-Amsterdam. Quer mais trajeto da droga que esse ? E ainda tinha um Tuperware beeem grande cheio de talheres da Tramontina. O cara do aeroporto ficou alerta pra tanto metal e facoes de churrasco, veio direto pra cima de mim.

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Glenda Dimuro