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Glenda DiMuro On November - 29 - 2010

Eu nem sabia que alguém estava pensando em fazer um novo acordo ortográfico também para a língua espanhola.

Menos mal que quando soube a decisão já estava tomada. Fui poupada do meu tradicional sofrimento por antecipação. De normas novas basta a da nossa língua portuguesa.

Mas as 22 academias de espanhol, reunidas em Guadalajara/México, entram em acordo e decidiram manter a atual ortografia, com algumas recomendações de uso. Os acadêmicos disseram que não querem impor nada, apenas sugerir algumas mudanças. Ou seja, cada país poderá continuar escrevendo como vem fazendo há alguns anos.

Algumas mudanças são estão nos nomes das letras. Y poderá ser chamado de “y griega” ou de “ye”, como em alguns países americanos. B e V, simplesmente de “be” e “uve”, mas também se aceita “be larga” (B) e “be corta” ou “be baja” (V). CH e LL saem definitivamente do alfabeto, passando a serem apenas dígrafos. Nada muito complicado.

Outras sugestões estão na acentuação de algumas palavras. Por exemplo, o advérbio “sólo” (somente, unicamente) e o adjetivo “solo” (sozinho, único, sem companhia) agora podem ser escritos ambos sem acento. Essa para mim foi a melhor mudança! Juro que me custava muito pensar se deveria escrever com ou sem o “tilde” (como eles chamam qualquer acento aqui, não apenas o “til”, até porque o nosso til aqui não existe – apenas a letra “ñ” (eñe), mas é a letra inteira (enhe) e não um N com um til encima).

Uma mudança está no uso da letra Q. Segundo o coordenador da nova ortografia, a letra K é plenamente espanhola e diz que a letra Q deve ser eliminada quando represente simplesmente um fonema. Exemplo: “Iraq, Qatar, quórum”, passam a ser “Irak, Catar e cuórum”. Se alguém preferir usar a grafia anterior, deve tratar como palavras estrangeiras (entre aspas, em itálico, etc.). Agora “queso” (queijo) segue igual!

Lembrando que todas essas novidades são apenas propostas, não é nenhuma obrigação e as formas “antigas” seguirão sendo aceitas.

A nova ortografia está sendo chamada de “panhispánica”, pois é fruto do trabalho e vontade comum de diversas academias que conseguiram entrar em acordo. Antes do Natal será publicado o documento com as novas regras.

Para mim, é mais uma forma de legalizar o que há muito tempo já acontece na prática, agradando a todo mundo e não impondo nenhuma unificação. Tá bem, assim todo mundo acaba contente, inclusive eu, que já ando penando para me adaptar as novas regras do bom e velho português.

Leia mais:
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Categories: Espanha

5 comentários

  1. Ainda bem que a Reforma Ortográfica Espanhola é facultativa! Não é empurrada goela abaixo igual está ocorrendo com a da língua portuguesa. Amo o trema, amo os acentos nas palavras com “éu”, “éi” e “ói”…
    Quanto ao espanhol, as mudanças ajudam muito quem está estudando o idioma. Por exemplo, não será mais necessário procurar palavras espanholas iniciadas com “ch” e “ll” fora das listas de palavras iniciadas com “c” e “l”. E a diferença entre “sólo” (somente) e “solo” (sozinho) são facilmente identificáveis, bastando ver qual o sentido da palavra portuguesa “só”.
    Pelo jeito, quem escrever “oír” (ouvir) com ou sem acento continuará escrevendo certo…

    • Luso says:

      A nova ortografia da língua espanhola é como a ortografia da língua portuguesa, obedece quem quer! Afinal ninguém será detido/preso por não escrever da forma que ela exige. No entanto, a nova ortografia espanhola ja é usada pela R.A.E e pelo sistema de ensino de Espanha e o mesno já ocorre com a língua portuguea em Portugal e Brasil.

  2. Ernani says:

    A mudança sugerida, e não imposta, já é mais fácil de digerir. Mas concordo contigo que é um porre ter de aprender várias coisas de novo. Meu português ruim ainda é anterior ao acordo ortográfico. Pra ser sincero, nem me esforcei em aprender as alterações… Boa sorte por aí!
    PS: tô olhando o termômetro de sevilha marcando oito graus e morrendo de inveja… aqui fez menos 8… brrrrrr

  3. Cadinho RoCo says:

    Com um pouco de paciência e sem querer forçar muito a velocidade do aprendizado, ou assimilação, conseguimos em tempo hábil nos adaptar às modificações inseridas aos idiomas. No meu caso, tenho singular dificuldade em absorver idiomas estrangeiros.
    Cadinho RoCo

  4. Acho interessante quando falam sobre imposição. O ensino obrigatório da língua espanhola nas escolas brasileiras é mais uma imposição do Governo.

    Quando aos professores de espanhol que conheci, nem viram nem quiseram saber da mudança ortográfica da língua espanhola.

    É realmente interessante!

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Glenda Dimuro