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Glenda DiMuro On February - 23 - 2011

Ando sem ideias sobre o que escrever por aqui.

Acompanho vários blogs de expatriadas pelo mundo, muitos de recém-chegadas (leia-se um pouco mais ou um pouco menos de um ano). É divertido como acham tudo novidade, desde o aprendizado da língua, passando pela comida e chegando ao sistema de abastecimento de gasolina.

Mas descobri uma coisa ao ler estes relatos: eles me dão uma saudade de mim. Saudades de quando cheguei à Espanha, do tempo que tudo era um constante descobrimento. Sinto falta da inocência daqueles tempos, nem tão velhos assim.

Hoje já observo as coisas com aquele olhar de quem não deve acreditar em tudo o que vê, pois nem tudo é o que parece. Carrego a carga da tal experiência, do pré-conceito, do eu já sabia. Já não me arrepio como os visitantes.

Sinto falta dos arrepios.

Nada mais começar a escrever este texto – sem nenhuma ideia sobre como iria acabar – me dei conta da culpada disso tudo: a rotina. A rotina pode acabar com relacionamentos humanos e quem foi que disse que também não pode acabar com a relação com as cidades?

Eu adorava passear pelas suas ruas de Sevilha, tomar chimarrão no rio, contemplar seus monumentos… E não lembro o dia nem a hora que tudo passou a ter menos encanto, quando ficou tudo mais do mesmo.

Mas já diz o ditado que para tudo nessa visa há uma solução. Se tem gente que consegue salvar casamentos, com certeza Sevilla será capaz de me resgatar. Obviamente vou ter que dar uma ajuda, pois tenho a impressão de que ela não sabe que a nossa relação anda abalada.

E é isso que vou fazer, vou dar um pouco mais de mim, dedicar mais tempo a nós em nome dos cinco anos que estamos juntas. Sevilha merece e eu também.

Categories: sevilla

22 comentários

  1. Eve says:

    Adorei!
    Espero que depois de 5 anos, tome essa mesma iniciativa. 😉
    Bjs!

  2. Renilse says:

    Imagino que sua visao realmente seja bem diferente da minha que acabei de chegar..fico na torcida para que sua relaçao com Sevilha volte ao velhos tempos pois certamente isso reflete em seus belos textos.
    Um beijo grande!!!

  3. Carla says:

    Ah Glenda, eu me arrepiei com seu texto! A rotina é uma inimiga realmente! Levante-se, sacuda a poeira, e veja Sevilla com outros olhos, aqueles que ainda não viu!! Eu sou uma das que citou, que por enquanto tudo é novidade. Também não quero perder isso…. visite outras cidadezinhas, mesmo que não seja turística, se dedique ao novo, a novos olhares. beijos

  4. Tive uma idéia, espero que possa ajudá-la.
    Por que você não aproveita o calorão vulcânico do verão sevilhano (entre junho e setembro) para viajar pelo Brasil durante um mês? Aí você e o Paulo visitam seus respectivos familiares e aproveitam o restante das férias de meio de ano para visitarem algum destino turístico brasileiro que vocês ainda não conhecem (recomendo o Nordeste, ali é uma delícia no inverno!). Aí você sentirá bastante saudade de Sevilha e, quando você voltar, será como redescobrir a cidade. Certamente a experiência será surpreendente!
    Fiquei apenas cinco dias na Espanha, mas foi o que bastou para ver o Brasil com outros olhos assim que voltei. Aliás, sempre valorizo mais meu aconchego quando fico muitos dias fora de Sorocaba, minha cidade natal, onde sempre morei a vida toda.
    Espero que aceite minha sugestão, pois a saudade talvez seja uma ferramenta para você voltar a sentir pela cidade que você adotou como sua a paixão de outrora.

    • Glenda DiMuro says:

      Oi Paulo! Sim, sempre que vamos ao Brasil voltamos com saudades de Sevilla. Talvez fosse uma mistura de saudades de Sevilla e saudades de “casa”. Enfim, ficar um tempo fora sempre ajuda a dar mais valor ao que se tem. Valeu pela ideia! 🙂

  5. Mônica says:

    Oi Glenda!
    Acompanho teu blog faz pouco tempo, mas já levo quase 4 anos em Barcelona. Assim como você meu encantamento e deslumbre inicial já passaram. Mas faço a seguinte reflexão sobre a minha relação com a minha querida Barcelona.
    Nunca acreditei em amor a primeira vista, até que aconteceu comigo, me apaixonei perdidamente, suspirava pelas suas esquinas, praças e vendo as fachadas dos edifícios, se ficava longe por alguns dias já morria de saudade, sem dúvida era paixão mesmo, dessas que derrubam até o coração mais saudoso de sua terra, como era meu caso e a minha relação com o RS.
    Mas depois de um tempo essa paixão arrebatadora se transformou e hoje já não sou mais a sonhadora e desesperada do início, que via tudo cor-de-rosa, já não suspiro pelos cantos e até penso que se algum dia eu for de Barcelona, no meu coração sempre vai ter um lugarzinho especial para ela. Vejo então que na verdade hoje meus sentimentos amadureceram, porque claro, eu também amadureci, hoje vejo tudo de uma forma mais consciente, vejo sua beleza, mas vejo muito mais, porque aprendi a ver e viver com o que ela tem de melhor e também com o que tem e pior.
    Embora a sensação de estar apaixonada seja imbatível, ter um amor calmo e maduro é muito melhor! É uma relação que pode ter altos e baixos mas que sempre de uma forma ou outra encontra um caminho para se reconstruir e seguir em frente.
    Era isso, desculpe ter escrito tanto (quase um post dentro do teu post, uma descarada!!!)… te juro que se tu me aceitar por aqui me comporto e não escrevo mais um livro tá!
    Beijos

    • Glenda DiMuro says:

      Oi Mônica! Seja sempre bem vinda! É verdade, por isso comparo a relação com à cidade com uma relação sentimental qualquer… o início tudo é fogo e paixão, depois a gente conhece os defeitos… e temos que aprender a lidar com eles. Mas uma relação madura é inevitável se quiser continuar juntos… Dizem os expertos psicólogos que a paixão dura, no máximo, dois anos. Falavam da relação entre humanos, mas é igualzinho com as nossas amadas cidades.

  6. Milena says:

    Entendo o que você quer dizer! Estou sempre lutando com a rotina, e é por isso que sempre invento alguma coisa para fazer, mas em menor ou maior proporção é impossível fugir dela.
    Alguns lugares não suporto mais em Paris (como a Champs Elysées, solto fogo pelas ventas cada vez que alguém me propõe a ir lá, acho extremamente sem graça!!!), mas outros lugares sempre me surpreendem, como um passeio pelo quartier St Michel (durante a semana, no final da tarde) ou Marais no domingo!!!

  7. Ari says:

    Ja passei por isso…ainda vai chegar a 2º fase…A sensação que estão roubando algo que é só seu, com seu país de destino…heheheh

  8. Beth says:

    Glenda, te entendo tão bem…depois de 16 anos morando aqui em Amsterdã meu coração não bate mais forte quando passeio pelos lindos canais da cidade…como quando desembarquei aqui em julho de 1994.

    E de fato, muitas das novidades em outros blogs pra mim já são rotina há muito tempo. E muita coisa simplesmente perdeu a graça. Eu costumo dizer que aqui vivi os melhores e piores momentos da minha vida. E não estou exagerando.

    Quem sabe vou te visitar em Sevilha um dia…ou você vem aqui?

    • Glenda DiMuro says:

      Venha Beth! Eu já conheço Amsterdam… e gostaria muito de voltar! Qdo conseguir, te aviso antes certamente!

  9. Beth says:

    Você descreveu com perfeição: …por isso comparo a relação com à cidade com uma relação sentimental qualquer…o início tudo é fogo e paixão, depois a gente conhece os defeitos…e temos que aprender a lidar com eles. Mas uma relação madura é inevitável se quiser continuar juntos… Dizem os expertos psicólogos que a paixão dura, no máximo, dois anos. Falavam da relação entre humanos, mas é igualzinho com as nossas amadas cidades.

    Eu desconfio que eu e Amsterdã já não podemos viver uma sem a outra!

  10. mirelle says:

    acho que ainda vai demorar um tempo pra eu cair nessa rotina com lyon. lembro que quando eu cheguei eu era essa arrepiada que olhava boquiaberta pra todos os cantos. o leo adorava! dizia que eu fazia ele enxergar coisas que ele nao via a muito tempo, ele sentia o mesmo que vc. ria das novidades que ja eram tao comuns aos olhos dele. quem sabe isso nao te ajuda? caminhar pela cidade ao lado de um par de olhos novos. ou sei la, fazer o trajeto por ruas diferentes, virar pra direita ao inves de pra esquerda…

    hj mesmo eu tava pensando no tempo que falta pro calor voltar, e eu poder andar de bicicleta pela minha linda lyon, curtindo os cantos que eu adoro e os que ainda nao conheço!

    tomara que vc consiga se animar ai!bjo

  11. Miller. says:

    Oi Glenda, eu acompanho seu blog faz 7 meses, eu acho.
    Adoro suas experiências, tudo o que você conta, te sigo no twitter também.
    Morei 2 anos e meio em Bilbao, no norte da Espanha, me mudei devido ao trabalho dos meus pais. No primeiro ano tudo era novidade, aquele fogo de sair logo de casa pra descobrir a novidade ali fora.
    Depois de algum tempo, começamos a ver que aquilo começa a se apagar, e que precisamos de up diferente pra aquela chama se acender, como você disse.
    Hoje estou no Brasil novamente, contrariado. Prefiro a Espanha e ainda tenho planos de voltar a morar por lá.
    Beijos querida, acho teu blog incrível.

  12. Mile says:

    Realmente Sevilha merece ser resgatada, ô cidade linda! Sempre que vou fico encantada com sua beleza, que considero uma das mais bonitas da Espanha. Mas tudo que nao é novidade perde a graça, isso é normal, acontece com vc, comigo e com todos.Bjoks

  13. Rose Araujo says:

    Fico por aqui na torcida.

    bjs
    🙂

  14. Ursula says:

    O importante é que mesmo sem inspiração e sem tesão pela cidade, você consegue escrever um texto cheio de poesia. Pois ela encontra-se nas coisas simples, muitas vezes em um cantinho de nós esquecido. Em Sevilha ainda tem aquele grande parque de diversões? Vá até lá, entre na roda gigante e veja a cidade por alto. Um cruzeiro pelo Guadalquivir em um fim de dia, rola com este frio? Boa sorte querida!

  15. LUIZ PETER says:

    Não sabes como fico contente com isso, embora imaginando tua dor com esse “down” que tá te perseguindo. Agora vocês são dois aí e devem decidir em conjunto. O que pressinto é que tá chegando a hora da volta que com certeza acontecerá. Prá elevares a moral pega a ver a cidade como se estivesses te despedindo dela… hahaha… isso certamente fará com que a vejas com os olhos que ela merece…Todos nós que ficamos aqui aguardamos teu retorno… hahahaha…

    • Glenda DiMuro says:

      Pai, sinto muito, mas acho que isso AINDA não é um adeus. Como eu disse, Sevilla merece uma segunda chance! 🙂

  16. Karol Nascimento says:

    Menina, ando sumida da net. Nunca mais tinha passado por aqui. Hoje, cheguei e li esse texto e pensei: “Ah a rotina que tanto maltrata e que tanto ensina”. Sabe, tenho certeza que o seu olhar vai logo, logo, achar novamente graça nos detalhes que a rotina teima em esconder.
    beijos e ótimo final de semana.

  17. Olá Glenda…
    Há um tempo eu pensei em morar fora. tudo por causa do ststus e em busca de uma vida melhor. Cheguei até a arrumar as malas, mas minhas raízes falaram mais alto. Filhos, pais, amores…Tanta coisa. Até minha box…
    tenho amigas aí fora e sei que não é tão colorido assim como pintam. Na verdade só quem vive por aí sabe como é. Não é fácil.
    E não desisti do meu sonho. na verdade estou me estabilizando por aqui mesmo, e a vida aí fora, só se for por umas belas e merecidas férias, ou então, não tem acordo.
    Obrigada pelo carinho de sempre.
    beijos

  18. Ernani says:

    Sinto exatamente o mesmo em relação à minha ilha querida. Só que no meu caso, depois de três anos de casamento começamos a conversar melhor sobre a real possibilidade de separação. Talvez seja melhor, pra que eu nunca deixe de amá-la como amei um dia….
    Boa sorte procê!

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Glenda Dimuro