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Glenda DiMuro On April - 18 - 2011

Doce mais doce? Se você está aqui pelo sul da Espanha eu diria nenhum. Cheguei à conclusão de que o conceito de doce é bastante relativo e o dos espanhóis não se parece em nada com o dos brasileiros. Bem, pelo menos com os “meus” brasileiros, lá de Pelotas, cidade conhecida como a capital nacional do doce.

E digo que é bem difícil conseguir convencer uma pessoa nascida e criada num lugar onde se produzem os melhores doces “doces” do planeta (modéstia a parte) que os doces de outro lugar são bons.

Ainda mais quando de “doce” tem muito pouco.

Pelotas é famosa pelos tradicionais doces portugueses (que hoje já não se chamam mais assim e são os docinhos de Pelotas), pelas compotas, pelas maravilhosas tortas e bolos. Então tudo o que não se parece com isso, infelizmente, não agrada meu paladar.

Juro que já tentei me adaptar à cultura local no quesito “postres” (sobremesa), mas não rola. Muita nata, muita canela, um pouco de mel, mais um pouco de nata acompanhada de um chocolate sem gosto e para completar mais um pouco de nata, dando um gostinho especial de nada com coisa nenhuma (e pior, engordando horrores).

Por aqui se come muito flan, “natillas” (uma espécie de flan sem cobertura com uma bolacha Maria), “tarta de queso” (creme sem gosto sobre uma massa podre e com cobertura de framboesa), “buñuelos” (bolinho frito, parecido com um sonho), “pestiños” (uns biscoitinhos de mel ou anis), “torrijas” (a velha rabanada), “arroz con leche” (desnecessária a tradução)… E deu. Certamente existem outros, mas são todos “farinha do mesmo saco”.

 

Natillas, buñuelos e pestiños

Tenho uma definição espetacular para os doces sevilhanos: parecem, mas não são. Você vai à padaria, vê um doce ou uma torta que aqui curiosamente se chama de “pastel“) maravilhosa, compra, come e… nada, não tem gosto de absolutamente nada. Dinheiro posto fora.

Mas existe um salvador que é típico andaluz: “tocino de cielo”. É o mais parecido a um quindim que eu encontrei por aqui (sem o coco no fundo, claro).

Por um lado é ótimo que os doces mais doces (e, portanto, para mim, menos saborosos) não se encontrem em Sevilla. Mas confesso que às vezes sinto falta daquela carga de açúcar necessária para curar qualquer mau humor. Nada é perfeito. Graças a Deus que por aqui pelo menos existe leite condensado e quando a vontade de comer doce de verdade bate, corro pra cozinha!

Este post fez parte da postagem coletiva do Brasil com Z sobre doces. Quer saber mais sobre as delícias doces deste mundo? Clique aqui.

Categories: Espanha, sevilla

5 comentários

  1. Pelo menos um desses doces sevilhanos que conheço bem, o “arroz con leche” (que aqui conheço como “arroz doce”), é muito gostoso! 😀

  2. Patrícia Gonçalves says:

    ai,que vontade de comer um doce!

  3. É o famoso “quem vê cara não vê coração”.
    Ou neste caso “q1uem vê cara não sente o gosto”, porque vou dizer, pelas fotos parecem absolutamente deliciosos!

    Bjo!

  4. Mile says:

    Concordo com absulutamente tudo que vc escreveu, aqui docinhos e tortas tem o mesmo sabor. O único que se salva é mesmo o tocino de cielo que eu adoro.

  5. O tocino del cielo é amor. Mas comparando as maravilhas das doçarias de Pelotas ele perde feio!
    Abraços

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Glenda Dimuro