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Glenda DiMuro On July - 14 - 2011

Quem acha que por estas bandas só existe loja “phyna”, cafés, livrarias, padarias e coisas do tipo está muito enganado. Aqui na Espanha também temos os R$1,99* da vida.

Nos últimos anos houve uma proliferação de lojas que vendem de tudo um pouco a preços extremamente baixos. E adivinhem como são chamados? Chinos. É que além de vender produtos «Made in China», a maioria das pessoas que trabalham nesse tipo de comércio são chineses.

É curioso. No Brasil temos o péssimo hábito de chamar qualquer pessoa com olho puxado de «japa». Pois aqui são todos «chinos», não importa a nacionalidade (embora seja a maioria chinesa mesmo).

Pois um «chino» (o comércio, não as pessoas) é a típica loja que parece que não tem lei, não tem hora nem dia para fechar e vende qualquer coisa que você possa imaginar (lícitas óbvio), desde pão quentinho a chave de fenda e meia calça. Os «chinos» (as pessoas) não falam muito bem o espanhol (principalmente os mais velhos), trabalham de sol a sol e há uma teoria que diz que são explorados por uma máfia (os verdadeiros donos dos comércios), mas nada confirmado oficialmente.

Parece que em outras cidades da Espanha, como Barcelona, por exemplo, os «chinos» são conhecidos como «paquis», porque no lugar de chineses, as pessoas que trabalham são paquistaneses. Mudam os trabalhadores, mas o tipo de comércio é o mesmo.

Tanto a teoria das máfias quanto o porquê de ter um «chino» em cada esquina são temas pouco falados. Tem gente que diz que o governo espanhol tem um acordo com a China e permite que este tipo de comércio fique 5 anos sem pagar impostos. Outros dizem que é o próprio governo chinês que dá apoio àqueles que querem deixar o país. Tem gente que diz que os chinos não são os verdadeiros donos das lojas, que tem toda uma rede por trás que somente explora os trabalhadores. Enfim, existe um “vazio de informação” e muita especulação.

Lendas urbanas à parte, a verdade é os chineses já começaram a ocupar seu espaço legalmente. Não é a comunidade estrangeira mais expressiva na Espanha (liderada pelos marroquinos e equatorianos, que são mais de 350 mil e 200 mil respectivamente), mas o fato é que mais da metade dos chineses que vivem aqui trabalham como autônomos e têm a sua própria empresa (coisa bastante complicada para um estrangeiro). E nem todos são proprietários de lojas ao estilo R$1,99, muitos são donos de grandes comércios de roupas, sapatos, restaurantes, etc.

Não sou consumidora fiel dos «chinos». São aquelas típicas lojas que você entra para olhar e nunca sai de mão abanando. E em tempos de crise, vivem cheias de consumidores compulsivos que sempre precisam comprar qualquer coisinha. Mas confesso que, numa lugar onde não existe supermercado 24hs ou qualquer comércio que abra no domingo, os «chinos» são uma mão na roda quando dá vontade de comer leite condensado no feriado ou comprar um cabo de vassoura.

 

* Dizem que nos tempos de antigamente, quando a peseta era a moeda oficial, existiam lojas de 1,99 pesetas… mas como não é da minha época, não posso provar nada!

Categories: Cotidiano

13 comentários

  1. Mile says:

    Aff eu adoooro um chinito(a loja!). É tanta informaçao que vc se perde e sai de lá achando que vai usar tudo que comprou e só vê a inutilidade quando chega em casa rs

  2. Ernani says:

    Caramba, até pão? Aqui tem bastante loja de 2 euros, mas de comer só vende chocolate e biscoito. O resto é tranqueira pra… pra tudo.
    Sobre os chinos, a teoria da máfia é a que faz mais sentido pra mim. Tenho um amigo italiano que já me falou de algo parecido no país dele. Parece que as máfias chinesas são muito grandes (claro) e poderosas. Em alguns países, como a Itália, muitos imigrantes chegam ilegalmente da China e praticamente viram escravos em fábricas clandestinas de roupas e coisas do tipo. Se alguém sai da linha, os caras matam e se livram do corpo. E nunca aparece ninguém pra reclamar o defunto. Mas, como vc lembrou… de repente é tudo lenda urbana… 😉

    • Glenda DiMuro says:

      Vixe Ernani, quando eu disse que os caras vendem de TUDO eu estava falando a verdade!!! Pense numa coisa (numa coisa capaz de se vendida dos lados de cá, claaaaro). Pois lá no chino tem.

  3. Luiz Peter says:

    pois taí uma coisa em que evoluímos, pelo menos aqui em pedruca city; os R$ 1,99 já não são mais os mesmos – raramente encontramos “coisas” por 1,99 – eles subiram o valor… hahaha talvez pela falta da moeda mínima do troco (R$ 0,01) que desapareceu do mapa. a china tá esparramando seu povo pelo mundão. surge uma outra questão aí: tu já pensou quando esses reprodutores sentirem o gosto da liberdade sexual – vai ser o caos… hahahaha

  4. Também compramos lembranças numa loja “china” durante nossa passagem por Sevilha, inclusive uma bola cheia d’água e “glitters” com uma réplica da Giralda dentro. Essa bola está hoje na sala de nossa residência juntamente com outros suvenires. Se não tivéssemos gasto bastante durante nossa passagem pela Espanha, teríamos comprado um guarda-chuva naquela loja histórica localizada na Puerta del Sol, em Madrid, que vende guarda-chuvas, bengalas e leques 100% espanhóis.
    Esta é a primeira informação que leio a respeito da presença dos chineses na economia espanhola. No Brasil, a questão é tão complexa que daria até uma tese de doutorado. Começou (pelo menos em Sorocaba/SP) com os bares e lanchonetes e hoje se estende não só às lojas de presentes baratos diversos (que atualmente, como seu pai bem disse acima, não custam mais R$ 1,99), mas a inúmeras outras lojas dos mais diversos artigos. Tenho um cunhado que é proprietário de duas lojas que vendem quase exclusivamente produtos “Made in China”.
    Acho que essa invasão da China ao redor do mundo tem a ver também com o regime semi-escravo em que – dizem – trabalham os chineses nas indústrias daquele país, permitindo que os produtos locais sejam vendidos no exterior a preço de banana. Como, porém, o regime comunista local não permite que se apure a veracidade dessas informações, por enquanto isso não passa de outra especulação.

  5. mirelle says:

    aqui em Lyon tem poucas lojas de 1,99 (acho que so vi 2). O que mais se aproxima dos chinos dai são as lojinhas dos kebabs (como eu e o leo chamamos os arabes por causa das lanchonetes tipicas que existem em cada equina com um sanduiche arabe chamado quebab). tb são lojas que ficar abertas até o começo da madrugada, mas vendem mais alimentos mesmo. uma mão na roda quando falta um tomate ou outra verdura no jantar.

  6. Monica says:

    Oi Glenda!
    Olha só, aqui em Barcelona tem os dois, paquis e chinos sim e sao coisas diferentes…em geral os paquis sao os que tem as vendas, que sao pequenos aramazéns com tudo de comida, bebida e que abre de domingo a domingo das 7 da manha até às 12 da noite, se você tem um paqui amigo perto da sua casa é um luxo já que muitas vezes eles salvam a gente daquele aperto quando a gente está no meio da receita e percebe que faltou ovos…por exemplo…já os chinos se dedicam muito mais para as lojas “1,99” mesmo e o que tenho observado que no meu bairro, por exemplo além das lojas de mil e uma utilidades ainda eles estao trabalhando nos cafés e bares de toda a redondeza…sem falar que ainda existem as lojas especializadas em roupa e sapatos tudo Made in China…eu como frequentadora assídua estou sempre bisbilhotando…e acho admiravél a capacidade de trabalho que eles tem, é algo louvavél…
    Era isso entao!
    Abraço
    Mônica

    • Glenda DiMuro says:

      Mônica! Pois aqui é tudo junto misturado! Comida e badulaques, tudo no mesmo local! 🙂

  7. wilma says:

    Aqui no Rio de Janeiro, as lojas de 1,99 já estão em mãos brasileiras, muitas delas, e os moços de olhinhos puxados, penso q chineses, coreanos, dominam as pastelarias quase 100%, alguns botequins onde nada ia pra frente, eles entram e permanecem e lojas tipo “25 de março” junto com perfumaria,flores, chamada Ásia. Uma das coisas que ouvi dizer no passado é que eles recebiam um valor alto para viver em outro país e não poderiam retornar, só a passeio. Tanto que há uns 15 anos, muitos proprietários ficavam atentos para não alugar seus imóveis para eles, porque geralmente eram famílias enormes, e faziam uma bagunça. Até teve uma família que conseguiu um aluguel numa das ruas “nobres” da Tijuca, e eles se instalaram numa casa que virou “ponto turístico”, eram milhões de sapatos, panelas, crianças tudo bem na frente da casa, hilário!!

  8. Edu Explica says:

    Eu peguei a epoca da peseta varias vezes (quando vinha de férias), e naquele tempo (falo dos anos 80-90), praticamente nao havia chineses.

    As lojas que haviam eram chamadas de “Cadena 100”, porque vendiam (quase) tudo a 100 pesetas (aproximadamente 0,60 cts de Euro).

    Ainda existem algumas Cadena 100 remanescentes daquela epoca, mas sem duvida foram engolidas pelos “chinos” nos ultimos 10 anos.

  9. Beatriz Ohse says:

    Aqui em Asunción todos que tem olho puxado sao chamados de coreanos, nao importa que seja chines ou japones.

    os coreanos ficaram famosos aqui por implementar o sistema de “autoservice” que nós conhecemos como mercadinhos.

    Praticamente todas as lojas de eletronicos sao de chinese, coreanos e libaneses.

  10. Oi Glenda, tudo certo aí?
    Eu não entendi até hoje porque em Sevilha eu não via um lugar de indianos, sendo que Barcelona, por exemplo, é quase uma Nova Délhi!
    Aí em Sevilha eu morei no prédião vermelho em frente a Estación da Plaza de Armas e tem uns 4 mercadillos chinos num radio de 30 metros!!
    Era uma beleza fazer compras lá a qualquer hora.
    O que eu não gostava é q eles são muito desconfiados e ficam atrás enchendo o saco, parecendo que você pode roubar alguma coisa deles!
    O que eu mais gastei com eles acho que foi os guarda-chuvas porcarias hahah!
    Mas esse lance da imigração foi um dos fatos que eu mais fiquei espantado quando conheci a Europa. Todo mundo me falava q tinha mas nunca pensei q eram tão numerosos assim.
    Bacana que quando eu conversava com os amigos espanhóis eles não achavam ruim já q não é fácil de resolver esse problema por conta dos Direitos Humanos e etc…
    Mas eu iria ficar meio ‘encucado’ se por exemplo, a minha cidade aqui no Brasil fosse invadida por indianos, mudando o aspecto natural do lugar, etc…
    Além do mais, acho que cada vez mais vão vir imigrantes pro Brasil ,que estamos na moda, sucesso econômico…
    beijão Glenda!

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Glenda Dimuro