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Glenda DiMuro On July - 6 - 2011

Depois de duas semanas lendo sobre o porquê dos meus companheiros do Brasil com Z  não quererem mais voltar a viver no Brasil, decidi escrever meu texto. Em 2009 já havíamos feito uma ronda sobre “voltar ou não voltar” entre os colaboradores deste blog coletivo de expatriad@s que vivem nos mais diversos cantos do mundo… os tempos eram outros, o pessoal também, mas quem quiser conferir pode clicar aqui. Inclusive eu dei minha opinião sobre a volta e decidir escrever de novo não porque tenha mudado de ideia, mas sim porque ampliei um pouco meu pensamento.

Não vou enumerar aqui a quantidade de problemas, principalmente sociais, ambientais e econômicos que existem no Brasil, uma porque depois dessa série de posts não vale a pena repetir, outra, porque todo mundo está careca de saber que no nosso país falta segurança, falta educação e saúde pública, falta tolerância, falta tanta coisa e sobra outras mais, como desigualdades, exclusões, injustiças.

Não sei quando volto ao Brasil pelo simples fato de que não sei se quero voltar ao Brasil. Gosto muito da vida que levo na Espanha. A principal lição de vida que aprendi nestes 6 anos de Sevilha é que não é pobre o que menos tem, mas o que menos necessita. Aqui aprendi que não preciso de luxos para viver feliz, que com pouco dinheiro no bolso posso me divertir, ter uma vida cultural relativamente agitada e ainda viajar de vez em quando. Aprendi que a felicidade não se encontra em shopping e que autoestima não está diretamente relacionada com chapinha e unhas bem feitas. E não que no Brasil eu tivesse um padrão de vida alto ou fosse uma patricinha de carteirinha, mas depois de viver 6 anos em uma casa com móveis alugados, nossa percepção de vida muda muito.

Futilidades à parte, aqui aprendi que se trabalha para viver e não se vive para trabalhar. Isso significa realmente aproveitar a vida. A grande maioria do pessoal aqui do sul trabalha o justo e necessário para poder garantir um lazer a nível máximo, um happy hour no final do dia, uma escapada no final de semana e umas férias de verão de um mês. Horas extras, 60 horas de trabalho semanais, um final de semana em casa atolado de prazos esgotados? Não que isso não aconteça, mas é coisa rara. Conheço funcionários públicos que pedem redução de salário para poder ficar uma hora a mais com os filhos em casa.

Aprendi a deixar o carro na garagem (leia-se estacionado na rua) e usar o transporte público. Voltei a aprender a andar de bicicleta. De onde eu moro eu chego a qualquer parte da cidade em menos de 40 minutos de pedalada (e Sevilla não é uma cidade pequena, tem quase 800 mil habitantes fora a zona metropolitana). Não tem preço poder ir e vir respirando ar fresco (ok, nem sempre, afinal, estamos numa zona urbana) e de quebra fazer exercícios.

Aprendi a ser tolerante, a respeitar mais as diferenças, a descobrir a diversidade de raças, culturas, estilos de vida e pensamento muito diferentes dos nossos, brasileiros, muitas vezes machistas, egoístas e hipócritas (como também já foi citado nos posts dos meus colegas de Brasil com Z). Aprendi que viver no mesmo edifício que o motorista do caminhão de lixo e comer no mesmo restaurante da faxineira da piscina é uma coisa absolutamente normal. Aprendi a respeitar famílias com dois pais, duas mães e até duas mães e um pai, a não falar mal de uma mulher escabelada na padaria, a não ficar horrorizada com um «modelito» fora do «normal». Aprendi que o normal pode ser qualquer coisa, que cada pessoa é um mundo e que cada um de nós cuida do seu próprio mundo pessoal, sem precisar de aparências ou máscaras. E ao mesmo tempo aprendi que todos devemos cuidar do nosso mundo coletivo, que a força do ser em conjunto é muito importante e que, melhor de tudo, dá resultados.

Aprendi que as diferenças nem sempre geram integração, que podem causar desigualdades por estes lados também. Que imigrante é uma classe de pessoa que tem que correr atrás do prejuízo, que tem que lutar muito para conseguir se estabelecer e que, por questões que fogem as suas capacidades, nem sempre consegue o seu lugar ao sol. Aprendi que o ser humano, não importa a sua nacionalidade, está longe de ser perfeito, e apesar de tanta tolerância e igualdade por um lado, pode ser bastante preconceituoso e injusto por outro.

Então, quem em sã consciência depois de aprender tantas coisas e, acima de tudo, depois de viver tudo isso no seu cotidiano sente vontade de voltar a morar no Brasil? Quem, depois de aprender a cruzar uma rua pela faixa de segurança sem nem precisar olhar para os lados ou se acostumar a voltar para casa a pé às 3 da manhã, desfrutando do cheiro das flores de laranjeira e do silêncio da madrugada sem precisar olhar para trás, pensa um dia em regressar à sua pátria amada? Quem depois de dar risada (ou se irritar, no meu caso) com as crianças de uniforme do colégio jogando bola em plena praça central, de se habituar a pegar a sua bicicleta e fazer um piquenique no parque público ou de ver uma roda de velhinhos e velhinhas tomando cerveja (sem álcool) felizes e cheirosos no mesmo bar que a garotada de 20 anos pode cogitar a hipótese de não viver mais essas coisas, aparentemente tão banais, mas que no Brasil há muito tempo não existe?

Claro, nem tudo são rosas… Não sou casada com espanhol, não tenho meu diploma de arquiteta homologado para assinar projetos na Espanha (se bem que na atual situação econômica, «projetos» é coisa rara por aqui), vivo com um visto de estudante que não me dá direito à nacionalidade, não tenho direito à saúde pública (apenas atendimento de emergência) e pelo menos nos próximos anos não vejo nenhum futuro profissional na minha área (nem eu, nem 20% da população ativa do país, nem a maioria absoluta dos jovens recém-formados). Não tenho filhos espanhóis e em teoria, nada me prende aqui. Mais cedo ou mais tarde (cada vez mais é mais cedo, já que estou no segundo ano do doutorado) vou ter que tomar a fatídica decisão: volto ou não volto ao Brasil? Qualidade de vida ou um bom trabalho (ou um trabalho qualquer)?

Meu consolo é que este mundo é enorme, como já dizia o poeta, «grande demais para nascer e morrer no mesmo lugar». Confesso que não sei se tenho o mesmo ânimo para recomeçar tudo de novo em um país novo, mas quem disse que se eu voltasse ao Brasil eu não teria que recomeçar do zero? E entre recomeçar com qualidade de vida e recomeçar rodeada de violência, desigualdades e injustiças, só fico na dúvida porque neste último caso também estaria rodeada de muito amor, amigos e família (únicos motivos reais que me fazem pensar em voltar a viver no Brasil).

Enfim, todo mundo deveria ter a oportunidade de sair da sua bolha, ver o mundo com outros olhos, aprender novos valores e, quem sabe, voltar e conseguir lutar por um lugar melhor. O Brasil é um país com duas caras, lindo e horrível ao mesmo tempo. Sei que sou uma privilegiada por estar onde estou e que muita gente se tivesse condições já estava com as malas prontas e a passagem comprada para se mandar… e a gente aqui falando em voltar. Adoraria poder voltar e tentar fazer do meu Brasil um lugar melhor para se viver, mas ao mesmo tempo me sinto muito ingênua em pensar que isso poderia ser possível.

Queria viver entre os «meus», mas a cada dia que passa me sinto menos parte dos que ficaram. Já não penso em altos salários, altos cargos, muito dinheiro para ser feliz. Embora muita gente siga pensando ao contrário, dinheiro não é e nem nunca foi garantia de felicidade. Felicidade para mim é isso, poder levar a vida sem pausa, mas sem pressa, sem paradeiro se eu assim quiser. Posso não estar com os bolsos cheios, mas percebi que não necessito nada disso para ter uma vida confortável, alegre e divertida.

Tive que cruzar o oceano para perceber isso? Pode ser que sim, e continuo aproveitando esta grande oportunidade de fazer parte de outro mundo, que apesar de todos os seus problemas, consegue ser mais justo e respeitoso que o mundo onde nasci.

Categories: Cotidiano

532 comentários

  1. Hélida says:

    Glenda,que bela reflexão,crua,mas bela. Pode soar pretensioso o que vou dizer agora: eu não precisei morar fora para perceber tudo isso que vc tão bem dimensionou. As viagens q fiz,embora por férias,já me fizeram perceber o quanto no BR o sentido de felicidade (especialmente para classe média) é mais superficial (nao quero generalizar,mas é um apego,realmente,a coisas mínimas).Se eu tivesse a experiência de morar fora,decerto a percepção seria mais chocante. Mas daí eu ainda permaneço aqui.E como dizia a música, felicidade é casualidade (? será?!).Beijo,té setembro!!!!

    • Luis says:

      Desculpe, me parece pretensioso sim, viver é diferente de conhecer.

    • Raphael says:

      Helida, desculpa mas vc nao sabe o que fala, e sim foi muito pretensioso o teu comentario depois de um lindo txt, que eu garanto que toca todos os que moram ou ja moraram fora do brasil!
      que particularmente concordo com a escritora em 100% dizendo que unico fator que me faz pensar em voltar sao os “meus”.

      • Mariana says:

        Ótimo texto, mas acredito que boa parte do que está escrito não se relaciona exclusivamente a morar fora do país, mas morar sozinho e longe do próprio núcleo. Seja fora do país, do estado ou da cidade.
        Está relacionado também a ter as próprias pretensões, ilusões e arrogâncias destruídas: afinal, ao sair do Brasil você é o vencedor que vai realizar algo grandioso e que almejava. Ao chegar ao destino escolhido, toda essa empáfia é esmagada e você tem que começar a mudar sua própria postura, e não esperar a mudança alheia.
        Ao retornar para o Brasil, eu percebi que a convivência era melhor do que eu imaginava e que o inferno não eram os outros. Eu mudei.

        • Nana says:

          Mas… concordo com a parte da segurança e da sensação de liberdade que ela dá. Falta bastante disso por aqui.

          • cristina says:

            comcordo Brasil não e um país seguro , sou extrangeira e não soporto mais o nordeste , falta de higiene, cultura, educação, segurança, isso e viver? não, ja vivi em outros paises europeos e e ahi que se vive, tem boa gastronomía, educação, emfim , Brasil e uma pena perdeu.

        • Fernanda says:

          Acho q morar fora é sim muito diferente do q morar sozinha! Eu sai de casa aos 17 anos e morei sozinha desde então… Trabalhei, estudei, tive empregos maravilhosos (pensando financeiramente e nos benefícios que ganhava)…. mas agora com 28 anos e a 1 ano morando fora do país (San Diego – California) realmente aprendi muitas coisas diferentes e vivencie os melhores momentos da minha vida! Sem sair do pais e dos vícios da nossa sociedade brasileira é muito difícil dizer que realmente sente e pode ter aprendido e vivenciado o que esse belo texto diz! Morro de saudades do Brasil e das pessoas que amo lá! Mas a felicidade que sinto aqui é indiscritível!

        • cynthia says:

          Concordo absolutamente com a Mariana, pra sentir o que a autora do texto sente nao precisamos sair do Brasil. Conheco varias pessoas que se sentem assim porque conquistaram o que sempre almeijaram, profissionalmente, financeiramente e emocionalmente (mesmo que aos trancos e barrancos) ali mesmo no Brasil, perto dos que amam. Achar que felicidade so se encontra na Europa, eu discordo categoricamente, principalmente em se tratando de Espanha… Nao sei aonde a autora achou tanta tolerancia assim, casos de racismo e intolerancia na Espanha sao publicados na midia todos os dias…

          • Adriana says:

            Concordo com vc. Eu fui para Irlanda, Londres, País de Gales. Fiquei tempo suficiente para ver gente mal educada por lá também, gente furando fila dos ônibus (quando tinha fila), gente tentando furar fila em coisas simples como no Burger King, fui agredida (eu e meu marido) por pessoas bêbadas, que é o que mais tem por lá. Me deram socos, chutes, puxaram meus cabelos até arrancar, bateram no meu marido até ele ficar todo ensanguentado e apesar das ruas lotadas, ninguem fez nada além de assistir. Polícia não se tem (afinal, é tão “seguro” que não precisa. Esta segurança resume-se no fato de tão ter pivetes pobres prontos para te roubar. Mas a violência gratuita existe e MUITO!). Fala-se em burocracia, tive que ficar “presa” à Irlanda sem poder voltar ao Brasil devido à demora da polícia irlandesa para liberar um simples documento. Um certificado de antecedentes criminais. Então ele pensou “vou pedir um passaporte britânico, já que meu pai era britânico”. Ao buscar informações, ficou sabendo que o processo poderia demorar 3 meses! Conversei com meninos que reclamam do quanto é dificil se relacionar com meninas de lá pois elas só estão interessadas em dinheiro. Já as brasileiras são mais abertas e simpáticas. Os meus amigos vem pro Brasil e se admiram de como as pessoas vivem felizes, abertas e receptivas, mesmo aquelas pobres que ralam na praia vendendo coisas no Sol quente. E dizem que eles não veem isso nos países deles. Ou seja, acho que na verdade todo mundo olha o lado bom das coisas ao estarem em terras estrangeiras. Há 2 semanas assisti um filme bem realista que se passa na Espanha. Se não me engano, o nome é Biutiful com Javier Bardem e meu marido falou: “esta é a realidade da Espanha que turista não vê. “Além disso, vi que o problema maior é que numa terra estrangeira, vc se torna igual ou “menor” do que os “locais”. Então vc aprende a ser esta pessoa “simples e humana” que a autora descreve. Não é que lá as coisas são mais simples e no Brasil mais superficiais. É simplesmente que quando vc vai para fora do Brasil, inevitavelmente vc reduz o nível social ao qual vc vive. Seu emprego é diferente, sua rede se amigos tbm. Tenho um amigo estrangeiro (londrino) que me falou sobre isso. Ele conheceu uma brasileira em Londres que era uma pessoa maravilhosa, simples, etc em Londres. Afinal, lá ela era “apenas mais uma”. Casaram, vieram morar no Rio. E no Rio o pai dela é um dos sócios do homem mais rico do Brasil. A menina mudou completamente. Não frequentava determinados locais, tinha preconceito com tudo, como se ela fosse superior às outras pessoas. Foi então quando ele se decepcionou ao ver o quao superficial ela era. Em londres eles frequentavam barzinhos simples, com os amigos dele, nunca estavam em áreas vips de boites, etc. Andavam de bicicleta, transporte publico. Já aqui, era carro com motorista, final de semana em angra, usando helicoptero, passeio de lancha etc.
            Vi que a cultura da bebedeira e do uso de drogas é algo assustador. As pessoas perguntam por cocaina como se estivessem perguntando por um chiclete. Varias pessoas que conheci cultivam maconha em casa e vendem o que produzem. Muitos, muitos, mujitos jovens que não trabalham há anos porque vivem às custas do governo. Alem de moradia recebem uma bolsa mensal, que muitas vezes gastam com bebida e nao com comida. As mulheres nas ruas eu não sabia se eram mulheres comuns, prostitutas ou travestis. As roupas e sapatos me assustavam! As atitudes vulgares tbm.
            Uma vez voltava pra casa e o motorista do ônibus anunciou: “Vamos fazer um outro percurso hoje de novo, pois há 4 dias adolescentes estão apedrejando ônibus no local tal. Então recebemos ordem da empresa de não passar por este local.” Gente, 4 dias os ônibus fazendo outro roteiro porque adolescente apedrejavam ônibus (sem motivo) e ninguém tomava uma providência. A menina que nos hospedou me falou: “Ah, Adriana. Isso não é nada. Ano passado nesta mesma época eles tocavam fogo nos carros que passavam, simplesmente por diversão, falta do que fazer. Pior que isso, pegaram um cachorro e colocaram uma bomba na boca e detonaram. O cachorro teve que ser sacrificado. Vendi meu carro por as taxas para ter um carro são tão absurdamente altas que não vale à pena. Além disso, já me roubaram uma, então nem quero outro. Uso bicicleta (num frio de matar!!!!!) para ir a todos os lugares. Acho que vou também cancelar minha televisão. Porque aqui temos que pagar uma taxa ao governo se tivermos TV em casa. Além disso, tenho que pagar a Sky para ter os canais. E quase não fico em casa… Ou seja, este é apenas um resumo de coisas que vi por lá e que me fizeram enxergar quem não existe lugar perfeito. Só existe pra quem quer assim pensar.

          • Marisa says:

            Moro no Reino Unido ha 14 anos…de tudo que li…concordo com Cynthia que no seu comentatio: “Achar que felicidade so se encontra na Europa, eu discordo categoricamente, principalmente em se tratando de Espanha… Nao sei aonde a autora achou tanta tolerancia assim, casos de racismo e intolerancia na Espanha sao publicados na midia todos os dias…”
            Eu ja’ fui varias vezes a Espanha (sul) e cheguei a ficar la’ por mais de 1 mes, sem interrupcao, porque meu ex-marido tinha negocios na regiao…os espanhois, em geral, sao bastante intolerantes!!…y otras cositas mas… nao e’ um lugar onde gostaria de morar, mas cada com suas experiencias e opinioes… Reino Unido tambem, muito longe de ser o que muita gente pensa…ultimamente estou cada vez mais triste e mais “desencantada” com esse lugar.

      • Nana says:

        Luis, Raphael, Jonas, Angela e todos os outros que acham que é o fato de sair do país que nos transforma: leiam o comentário abaixo (de Mariana) e façam uma reflexão. Vocês saíram do ninho, da segurança familiar, de casa. Quem sai do país tem que se virar, como Mariana diz ” a empáfia é esmagada”. Isso pode ser aprendido no Brasil, sim. Quando decidimos tomar as rédeas da própria vida e cagar pra opinião alheia.

    • Jonas says:

      Pessoal, não vamos criticar a Hélida, ela deu o ponto de vista dela, que não difere de muita gente que não saiu do país ainda…
      Mas Hélida, você pode ter suspeitas, mas sinceramente, se não saiu, você não sabe o que é. Por um simples motivo: Quando a gente descobre, a gente simplesmente sai!
      Voltar pra Brasil não quer dizer voltar atrás, quem uma vez sai, nunca mais será o mesmo!
      Quem dera todos pudessem um dia quebrar essa barreira, acho que o Brasil se tornaria um país melhor…

      • Glenda DiMuro says:

        Hélida querida. Tocou pra ti também, viu só? Setembro????

      • Angela says:

        Jonas está certíssimo: quem sai nunca mais será o mesmo e também gostaria que todos tivessem a oportunidade de sair do Brasil, perceber o quanto se ganha em qualidade de vida para, se um dia retornarem, quem sabe influenciarem nas mudancas que precisam ocorrer no nosso país de origem.

    • Eliane Costa says:

      Parabéns, Glenda, a mensagem do seu texto é tão verdadeira e consistente, que me encantou e estimulou a lhe deixar este comentário. Vivo fora do Brasil, por dez anos, e já consegui a cidadania, devido a minha qualificação e comprometimento com o trabalho, logo, encontrei meu lugar ao sol. Meus filhos já caminham com as próprias pernas, alta qualificacao acadêmica, com uma carreira profissional a todo vapor. Eles são frutos de meu casamento no Brasil. Sou divorciada por muitos anos, não sou casada aqui nem tenho nenhum parceiro. Aconteceu uma oportunidade profissional na minha vida, inicialmente temporaria, que se modificou para permanente e mudou tudo desde então. Escolhi viver com sossego, deixar o carro na calçada à noite, se decidir a não guardá-lo na garagem. Andar com pulseira, anel e brincos de ouro sem a preocupação de ser roubada. Admirar, como você mencionou, os carros parando naturalmente diante das faixas de pedestres, aguardando as pessoas atravessarem a rua. Não ouvir buzinas, ver os carros alinhados nas faixas e,dar a vez para aqueles que ligam a seta para mudar de faixa. Vivo admirando estes comportamentos naturais, que fazem parte do viver daqui, e deveria fazer parte da nossa vida no Brasil, mas infelizmente, isto inexiste por lá. Cada visita que faço, volto mais decepcionada. Muito triste, como voltar? Tenho meu filho mais velho, irmãos, irmãs e muitos amigos. Quando estou lá, às vezes me sinto como um peso, pois todo mundo corre, trabalha longas horas e, ainda tem de achar tempo para me ‘fazer sala’, providenciar jantares, encontros, dentro de uma agenda super cheia de compromissos. Assim, vou curtindo-os via Skype, que fica mais leve, por alguns minutos, naquele tempinho que sobra e, até se torna uma diversão. Meus pais já faleceram, o que torna menos penosa, minha vida em terras distantes. Mas, meu filho mais velho está lá e o mais novo aqui. Nós viemos juntos, mas ele retornou devido à namorada estando lá, passou no vestibular, se formou em 2010, e se casará este ano. O mais novo mora aqui, e não pretende voltar nunca mais, mas trata-se de uma outra história de vida. Ele veio muito novo, cresceu e tornou- se adulto por aqui. Li seu texto com muita admiração e respeito. Trata-se de uma mensagem que ajuda muito para se fazer uma reflexão em voltar ao Brasil. Grande abraço.

      • Sol Cadavez says:

        So quem nunca morou fora fala o que os acima disseram. Morar fora nao é passar férias e sim fazer parte do cotidiano e se tornar parte integrante desta sociedade.
        Moro na China e entre todas as faltas de educacao, por conta de anos de desinformacao, vivemos seguros, posso sair com IPAD, IPHONE, camera, laptop, ouro e etc… tendo a certeza de que chegarei com vida e com todos meus objetos em casa, com seguranca e a qualquer hora do dia ou da noite.
        Glenda e Eliane Costa, vcs traduziram exatamente o que eu e minha familia ( marido e duas filhas – 23 e 12 anos ) sentimos e pensamos. Trabalhamos, juntamos grana e estudamos onde nos aposentaremos, de preferencia em um pais que nos de seguranca e que nao nos obriguem a sustentar politicos corruptos.
        Ja morei em Portugal, Miami e Los Angeles e agora na China e mesmo com todas as diferencas culturais, sempre me senti segura e respeitada. Acho que todos deveriam ter ou criar a possibilidade de morar fora e responder por aquilo q conhecem e tirar suas proprias conclusoes.
        Glenda e Eliane, parabens, vcs escrevem muito bem e traduziram claramente o que todos que moram fora do brasil ( com letras minusculas mesmo ) vivenciam.

    • Juliana says:

      Helida não acho que e pretensão não, viva em “casa” ou no exterior… crescimento pessoal, emocional, profissional etc -na minha opiniao – depende de outros fatores e há muita gente que mora fora e ainda não abriu os olhos! Eu sou filha de imigrante europeu, nasci e vivi no Brasil a maior parte da minha vida (a importante parte, base de tudo que sou e serei) e tive a oportunidade (e sorte) de aprender em terra patria. Moro em Londres há 8 anos (também morei na Espanha/Burgos) e acho que (nos 30s) a gente vai aonde nosso trabalho ou relacionamento/família esta. Infelizmente nem sempre estão no mesmo lugar, então fazemos a escolha. Definitiva ou não, tem que fazer sentido aqui e agora. Belo texto Glenda.

      • Vinicius says:

        Concordo com você Juliana. Na verdade, pretensão é achar que vivendo em apenas um país fora da pátria (ou em vários da Europa) se conhece o mundo todo. Ou mesmo que se morando em uma cidade do Brasil, se conheça o Brasil inteiro.

        Glenda, não concordo com seu ponto de vista e alguns dos argumentos que você usou. Não sei se é coisa de brasileiro, mas quando pensamos em exterior pensamos em EUA, Europa e Austrália/NZ, o que não é nem metade do planeta. Esse “viver no exterior” já faz parte da nossa síndrome de classe média (alta), e fugir para um país desenvolvido talvez se compare a murar-se em um condomínio fechado aqui no Brasil. Quando falamos em horas trabalhadas x viver a vida, podemos citar países da Ásia (desenvolvidos ou não, Japão, Coréia do Sul e China) em que a segurança, o respeito e a organização são máximos, mas a maior parte da vida se passa apenas trabalhando e estudando. Não posso falar da África e de outros países da Ámerica, mas não podemos excluí-los da nossa percepção de exterior (nem mesmo o Paraguai).

        Além disso, quando vivemos no exterior vivemos como estrangeiros e isso altera muito nossa percepção real do ambiente e das pessoas locais, ainda mais se nosso grupo de convivência for de outros estrangeiros (não estou dizendo que este é o seu caso). Estamos mais abertos a descobrir coisas novas, a viajar para outras regiões, a ter novas formas de diversão. O equivalente aqui seria fazer viagens de fds para uma outra região do Brasil, conhecer a Amazônia e o Pantanal e fugir da balada e das festas (que às vezes é a única forma que vemos de diversão). Aprendi bastante sobre o Brasil quando comecei a andar com estrangeiros aqui, eles tem uma visão muito diferente da nossa já desgastada, bem mais “otimista”.

        Concordo, contudo, que podemos escolher um país como nosso, diferente da pátria que nos pariu. Ou pelo menos devíamos poder, já que existe visto :/. É, como se diz, questão de gosto e compartilhamento da mesma cultura.

        • Adriana says:

          Concordo perfeitamente! Convivo muito mais com estrangeiros que brasileiros aqui no Rio (afinal meu marido é irlandês e joga num time de rugby que só tem estrangeiros). E só depois disso passei a enxergar coisas que não via antes. Por exempplo, ir a uma favela era algo surreal para mim. Fora da minha realidade, algo que queria longe. Com o meu marido já visitei 3 favelas, não apenas como turistas, mas porque temos amigos lá. No exterior fazemos tudo isso. Assim como os estrangeiros fazem aqui. Mas vivendo aqui, nos sujeitamos a fazer? E as pessoas de classe média alta destes países, se sujeitam a visitar os suburbios de suas cidades? O que não concordo é quando vc fala de humanização, respeito, apesar de horas longas de trabalho. Nestes países citados falta muita humanização e respeito ao ser humano. No filme que citei em meu comentário anterior mostra isso. Inclusive quão desumanos os chineses são com o próprio povo. (Biutiful é o nome do filme)

  2. João Paulo says:

    “voltar para casa a pé às 3 da manhã, desfrutando do cheiro das flores de laranjeira e do silêncio da madrugada sem precisar olhar para trás”

    Perfeito! Essa parte, para mim, não tem preço! É a primeira coisa que digo quando me perguntam sobre as diferenças entre morar aqui e morar no Brasil.

    • Netania Gomes says:

      Eu também!!

    • Flavia Gramigna de Nobrega says:

      Essa parte do texto sem dúvida faz a minha vontade de morar fora do Brasil ficar cada vez maior…tenho amigos morando na Europa e é exatamente esse o relato deles…simplesmente perfeito!!!

    • ANDRE says:

      Identifiquei completamente com o post, principalmente com este trecho.

    • wanderlea says:

      Andar livremente sem ter de olhar para os lados com medo(demais), liberdade nao tem preco…Por isso que eu nao troco o pais onde moro e “vivo” pelo meu pais amado

    • Marco says:

      Então, o Brasil não é igual, assim como os países ditos desenvolvidos não o são…
      Aqui onde moro no Brasil é tranquilo… ainda posso andar sem olhar para traz…
      Em Chicago é dito que certos bairros são intransitáveis… assim como certos bairros de São Paulo o são, e outros não…
      Agora, que tal trazer esta experiÊncia de vida, vivida nos países desenvolvidos e ajudar o Brasil a se tornar um lugar além de amado, bom de se viver para todos?

  3. Eu e minha esposa passamos cinco dias na Espanha e percebemos que realmente se trata de outro mundo. A qualidade de vida não se compara com a do Brasil de nossos dias. Porém, seria necessário passar por um longo e doloroso processo para que nos adaptássemos a um padrão de vida europeu, pois Sorocaba, nossa terra natal, e todo o contexto cultural brasileiro estão tão arraigados em nós que, apesar da violência urbana, das desigualdades sociais, das injustiças que nos revoltam diariamente e da corrupção da maioria de nossas autoridades e representantes legais, viver fora de nosso país, pelo menos por enquanto, está completamente fora de cogitação.
    Ainda não conheço o Rio Grande do Sul, embora tenha chegado bem perto (Florianópolis/SC, onde já estive quatro vezes), mas uma análise superficial desse Estado me faz perceber que a terra dos pampas ainda é um dos melhores lugares para se viver no Brasil. Não sei quanto a Pelotas ou a Porto Alegre, mas o padrão de vida dos gaúchos ainda parece estar acima da média nacional. Por isso, creio que voltar para casa pode até ter suas vantagens, ainda mais com a experiência que você e meu xará adquiriram aí nos últimos seis anos.
    Enfim, trata-se duma decisão que deve ser muito bem pensada e que depende uma série de fatores. Seja ela qual for (voltar para o Brasil ou permanecer na Espanha “ad infinitum”), coloquem-na nas mãos de Deus que Ele os ajudará no que for preciso.

    • Magda says:

      Adorei o post. Nasci no Rio Grande do Sul, moro nos EUA e me senti completamente compreendida e explicada neste texto! Ainda que o RS tenha boa qualidade de vida, a violencia nao nos deixa voltar… até mesmo as ferias no BR tem este duplo sabor: que bom rever a familia/amigos/comida/lugares e ao mesmo tempo medo/ansiedade. No que me diferencio da autora deste post? Quero muito ter oportunidade de viver na Europa e Asia… experimentar todos os lugares possiveis sempre que possivel!

      • RENATA says:

        Ir a ultima sessao de cinema e voltar para casa a pe…. Essa seguranca em andar a noite aqui em Londres! Que delicia.
        Total entendo sobre o duplo sabor de ir de ferias ao Brasil. Me sinto 100% assim!

    • Mclaudia says:

      “… mas o padrao de vida dos gauchos ainda parece estar a cima da media nacional.” Pelo que li, Glenda fala exatamente isso… Ela nao quer o padrao de vida nacional… Ela quer o padrao de vida que tem na Espanha… Moro ha 10anos nos EUA. Aqui nem tudo e mar de rosa… Mas me identifiquei totalmente com esse blog. Volto para passear, mas viver? Nunca mais…

  4. Angie says:

    Quem sabe, talvez se vocês voltarem você vai perceber novos ângulos positivos desse Brasil grandao! :-) Meu pai é alemao, foi para o Brasil com 24 anos e nunca mais sequer cogitou em morar na Europa novamente :-D
    Beijocas, Angie

    • Glenda DiMuro says:

      Oi Angie, pois é…eu sei que o Brasil tem muitas coisas positivas e que está cheio de europeus felizes da vida ai… normalmente eles estão em busca de umas coisas e nós, que viemos para cá, de outras. Talvez a vida na Alemanha seja muito diferente da vida da Espanha… talvez o poder aquisitivo de muitos europeus no Brasil seja tão alto que os problemas sociais e econômicos passem longe, que as “dores do mundo” tão cerca dos olhos não afetem o coração.

      • Mclaudia says:

        Glenda, voce tirou as palavras da minha boca.

        • soniathereza says:

          é isso mesmo”"”O Brasil é um país com duas caras, lindo e horrível ao mesmo tempo.”"” ” se vc tem a oportunidade de ficar , nao se apresse em voltar !!!! brasil nao tem muito o que melhorar nao!!!cresce cada dia….virou MODA!!! mas e a violencia a desigualdade cultural, a roubalheira dos govenantes…quem vai mudar este país??

      • nabor says:

        Eu sou europeu (da Áustria) e vivo bem feliz em São Paulo há muitos anos. Meu poder aquisitivo é de classe média e estou bem longe de não sentir os problemas sociais do país. Quero ressaltar que mesmo no Brasil é sim possível voltar pra casa as 3 da manhã a pé ou de bicicleta (o que eu faço). O medo e a ansiedade reside dentro de nos mesmos! Concordo que por aqui é mais difícil resistir ao que eu chamo de paranoia socializada mas isto não pode me impedir de fazer o que eu gosto. A sensação de liberdade na Europa aparentemente é maior sim. Mas isto é resultado de uma sociedade extremamente hierárquica e fechada com uma vida totalmente regulamentada pelo estado.
        O que eu acho faz a diferença no Brasil são as pessoas. Inclusive penso que os brasileiros sejam muito mais tolerantes que os europeus. Vai ser africano ou árabe na Europa para sentir o racismo e o preconceito. O Brasileiro recebe o estrangeiro de braços abertos e com bastante curiosidade.

        • Camila says:

          Concordo com tudo que vc falou Nabor.
          Me desculpe Glenda, mas tudo que vc diz ter aprendido na Espanha, eu aprendi morando aqui no Brasil mesmo.
          Quase tudo que vc diz gostar na Espanha existe no Brasil sim, talvez vc frequente os lugares errados! ;)
          Talvez pra vc tenha sido necessário mudar de país para aprender tais coisas, mas não pode atribuir isso ao país como um todo.

          • Rafa says:

            Eh Camila.. talvez vc PENSE que aprendeu tudo isso sem sair do pais. Mas nao, nunca vai ter idea de como realmente eh nao tendo morado fora. Voce pode imaginar, mas nunca vai saber como eh.. NAO EH IGUAL

        • Tatiana says:

          Andas de madrugada e São Paulo e se sente seguro? Você não está seguro, você é sortudo… risos…acorda que São Paulo não é Viena. Eu conheço Viena, linda cidade que toca MPB em todo canto..os vienenses me falavam da tristeza do inverno, das taxas de suicídio ….por isso entendo que muitos preferem o Brasil…. Mas não faz roleta russa com a sua vida – São Paulo é violenta, sim.

          • Renata says:

            Perfeito comentario Tatiana, to rindo, pois é bem por aí mesmo! Se Nabor for homen, ta explicado. Nao q “eles” estejam “salvos” a violencia, mas as mulheres correm mais perigo ainda… SP naaaaao é seguro Nabor, e isso naaaaao é paranóia, é realidade!

        • impostor says:

          sempre um país menos desenvolvido recebe de braços abertos as pessoas de países desenvolvidos. a nossa relaçao com os paraguaios é completamente diferente (por exemplo), a postura social, o acesso e a integraçao é diretamente ligada ao impacto com o meio que se interage, e um europeu nao precisa fazer muito esforco, basta soltar um sotaque e as portas se abrem… os brasileiros entre si disputam uma queda-de-braco apavorante de status, postura e papel social, é muito complexo, o Brasil nao consegue digerir o capitalismo de maneira saudavel (e sera que alguem consegue? nos moldes americanos?) nao se pode julgar uma patricinha de classe media brasileira de maneira tao fria… é todo um sistema que deve-se adequar, contexto e valores. eu ja vi muita gente odiando a europa justamente pelos motivos que a maioria adora. enfim, é relativissimo.

      • Eduardo Leiva says:

        Glenda, entendo perfeitamente o seu texto, tenho uma filha que mora na cidade de Manly proxima de Sidney (Australia) inclusive estou passando ferias de 50 dias com ela. Esta e a segunda vez que venho pra ca, a primeira em 2009 com uma viagem de urgencia, pois ela teve um AVC e nao conheci nada desse pais muito lindo/organizado, seguro com uma infinidade de vantagens em relacao ao nosso Brasil. Sempre trabalhei pensando/preocupando com a minha velhice fui fazendo minhas economias para garantir uma vida satisfatoria para mim e para minha familia e hoje tenho 62 anos (aposentado) recebendo 3 salarios apesar de ter contribuido sempre com o teto (injustica de Brasil), mas hoje estamos vivendo bem. A minha filha tem exatamente o mesmo pensamente que o seu, inclusive foi ela que me pediu para ler o seu texto, mas faco para voce a mesma pergunta que faco para ela: Vivendo dessa forma, trabalhando para viver, sera que voces terao trabalho e dinheiro para viver aos 50/60 anos de idade sem precisar dos parentes par isso? Alem disso penso que voce nao foi feliz ao mencionar essas palavras: “Queria Viver entre os “meus” mas a cada dia que passa me sinto menos parte dos que ficaram”, seus pais e parentes?

        • Tatiana says:

          Eduardo, se a sua filha envelhecer aqui na Austrália , como residente permanente ou cidadã, ela vai ter uma aposentadoria muito melhor que a sua, com muito mais benefícios e sem depender de ninguém …ela vai estar com a família por prazer , não por necessidade …. tenta se informar sobre os direitos dos australianos … aqui eu pago imposto com prazer, porque eu sei que há retorno…

        • Adner says:

          Moro em Perth, Australia, há 3 anos. Cheguei aqui com 32 anos, $1500 no bolso, ingles razoável no Brasil, péssimo aqui, vim de família classe média alta. Cheguei e fui limpar banheiro de boate gay durante a madrugada. Já lavei carro, trabalhei em construção, fui segurança de pub, bartender, etc. Hoje, o que eu pago de imposto por ano é mais do que eu ganhei de salário no meu primeiro ano de Australia. E vale a pena pagar imposto. Australia tem defeitos, mas não se compara à viver no Brasil. Amei o texto onde diz que aqui “fora” se aprende a dar valor a coisas mais importantes do que aparencia e posses. Sinto falta dos meus pais, irmãos e sobrinhos. Mas não volto tao cedo, nem pra fazer visita…

      • Ze oreia says:

        Eu acho que vc esta completamente enganada mas somente o tempo irá dizer. Minha interpretacao parte de que tudo depende do que uma pessoa quer da vida. Eu sempre tive “a mesma visao do mundo” mesmo antes de sair do Brasil e acho que o Brasil é um país que ainda esta sendo construido pelos brasileiros que la estao. Ja morei nos EUA p.ex., mas moro a 5 anos na Alemanha, e nao tem como comparar o Brasil com a Europa de nenhuma forma. A europa é um lugar decadente, o Brasil é o país do futuro. Essa eh a minha perspectiva.

        Os europeus vivem de um sistema que esta indo por agua abaixo já que viveram tomando sangue de canudo dos outros. Como vejo que vc nao tem filhos algumas preocupacoes sao tipicas de mulheres brasileiras de classe media-alta como a questao seguranca por exemplo. Isso já nao eh um fator de tanta importancia para os homens solteiros. Como baixou de classe na europa, a expectativa era tudo piorar contudo vc se sente bem no meio da sua nova identidade ae na espanha (meio que anonima já que la vc nao tem parentes…e pode se sentir “livre”). Além de que os pobres tem acesso as maravilhas materiais e culturais na europa (subsidiados para alcancar a todos). Esse eh um detalhe de politica pública que realmente acaba com a violencia. Vc esquece de contar uns detalhes, como os varios esteriótipos relacionados a mulher brasileira…que pode fazer de uma mulher que nao se cuida (pintar as unhas e arrumar os cabelos) ser bem quista por um europeu (justamente pela ideia das unhas e dos cabelos, com certeza os brasileiros nao sao vistos como intelectuais aqui).

        Resumindo, a dinamica do dinheiro na europa eh a mesma da no Brasil e no mundo inteiro. A diferenca eh que na europa vc dificilmente conseguira construir um patrimonio seja para vc ou seja para os seus filhos. No capitalismo “mais que maduro” da europa quem ta sentado no dinheiro nao vai sair de cima dele e os direitos a propriedade protegem esses interesses muito bem. Vc vai pagar aluguel ou hipoteca pro resto da vida, trabalhar para ter seu gordo mes de férias…para finalmente poder passar suas ferias no Brasil. Eu quero participar na construcao do país que eu nasci e deixar os meus rastros por lá. Esse decisao tomei aos 15 anos antes da primeira vez que sai do Brasil, achei que ia mudar mas quanto mais tempo fora mais eu quero voltar.

        Abrc

  5. Isabela says:

    faço das suas palavras as minhas, principalmente a parte que fala de como os espanhóis sabem aproveitar a vida (trabalham para viver e não vivem para trabalhar). já morei em sevilla e desde que voltei não consegui me acostumar à vida aqui. amo o meu brasil, mas sinto muita falta dessa coisa de aproveitar a vida sem luxo, voltar tranquilamente pra casa de madrugada e ir pra todos os lugares de bicicleta, sem depender de carro. parabéns por ter expressado tão bem essas sensações!

  6. Rita says:

    Oi Glenda, li e reli teu relato, e se parece um pouco com o que passei …afinal foram quase seis anos em BCN. Levei muito tempo para voltar, e hoje me arrependo de não ter voltado antes. A vida que levava em Barcelona era dura e crua, trabalhava como uma louca, vivia estressada, pois para me manter na posição na qual estava, tinha que provar todos os dias o porquê de uma “brasileira” ser chefe no escritório e não um catalão (apesar de falar fluentemente 4 idiomas e eles apenas o catalão) e de nada tinha de diferente da classe média daqui.
    Todos queriam casas, carros, roupas bonitas, jantar em restaurantes caros, etc…
    Acho que a experiência que eu tenho de Europa é completamente diferente da dos demais, pois todo esse charme das bicicletas, andar com segurança (fui assaltada duas vezes em Barcelona e nunca no Brasil), viajar de mochileiro, etc…fica reduzida à única vez que fui de férias com minha irmã, muito antes de pensar em morar lá.
    Moro em Curitiba há dois anos, cidade limpa, linda, organizada, tenho um padrão de vida dez mil vezes melhor do que tinha lá, sou respeitadíssima no âmbito profissional, coseguimos comprar um imóvel com os nossos salários (coisa que lá seria impossível) e tenho pequenas coisas que me fazem muito feliz e que antes eu não dava valor…como tomar café da manhã com meu marido, levar a minha filha no colégio, brincar com ela…ou seja, tempo para viver. Por isso, pra mim a Europa agora é um continente muito distante, onde talvez vá de férias, conhecer alguns países que não pude (pois trabalhava como uma escrava) quando vivia aí…
    E as únicas pessoas e coisas que sinto falta (em ordem de preferência): são da Eli, da Adela, do Eduardo, do Starbucks café, das rebajas da Zara e da champagneria. E nada mais…

    • Glenda DiMuro says:

      Hahaha..que bom Rita que BCN não acabou com teu senso de humor. Pois é, temos referências de vida muito distintas. A vida aqui em Sevilla é exatamente como contei até mais… o que pega mesmo é a questão profissional, já quem agora, nem num futuro próximo existe qualquer luz no final do túnel. Cada um é formado das experiências que carrega e se tu te encontrou ai mesmo em Curitiba, é perfeito! A vida que eu tenho hoje aqui é completamente diferente da que eu tinha no Brasil e, como eu disse, hoje só trocaria por questões profissionais.

    • loyola says:

      Caros e Carissimas, moro em londres a 24 anos, adoro essa cidade por varios aspectos, linda, muita cultura, moda, artes, teatro, musica enfim tudo que e’ cultura. Mas nao e’ so a falta de amigos e de uma vida com bens materiais que me fariam voltar mas sim a propria terra porque acho que tudo que aprendi na europa pode ser aproveitado no Brasil e sinto esse compromisso batendo em minha cabeca. E, em relacao a morar aqui na Europa e’ claro que os brasileiros sempre ficam deslumbrados quando chegam fresquinhos, arrumam novos namorados(as), tem uma vida onde podem se esplorar mentalmente e viver fantasias que sempre tiveram, mas no fim deppois de muito tempo percebemos que qualquer parte do mundo poderia nos fazer feliz…e porque nao o Brasil?

      • Leticia says:

        Concordo com você Loyola, morei 3 anos na Austrália, tive a oportunidade de ficar permanentemente, mas no meu caso sempre quis poder voltar ao Brasil. Voltei faz 1 ano e sou extremamente feliz. Hoje vivo a vida de uma forma diferente do que vivia antes, agora tenho alguns hábitos de morar fora – continuo fazendo minha unha (eu mesma), meu cabelo, arrumando minha casa e fazendo minhas viagens, agora pelo Brasil… Esse aprendizado mudou minha vida e vejo que na verdade a felicidade tem a ver com a sua percepção e a vida que você constrói para você e não onde você está. Também tem a ver com suas etapas de vida. Consegui contruir uma vida que mesmo morando em São Paulo, trabalho de casa, não pego trânsito e tenho qualidade de vida. Por outro lado faço projetos voluntários e quero fazer mais coisas para ajudar o Brasil, que com a vivência que tive, vejo que há coisas para serem mudadas aqui (como a consciência de não usarmos mais sacolas plásticas) e adoro fazer parte deste processo que está em PLENA ebulição!! Hoje gosto muito de poder ter contato com a alegria brasileira e com a vontade de fazer mais, que está se tornando cada vez maior aqui.
        Acredito que todas as vivências são importantes e morar fora é algo que realmente muda nossas vidas, mas para mim uma frase que um amigo me disse é a mais pura verdadec “Nada como morar fora em diversos lugares por um tempo, mas tendo a certeza que podemos sempre voltar!”

        • Cristiane says:

          Isso oque vc descobriu se chama maturidade. Morei quase 10 anos fora do pais e posso te dizer que oque vc sente se relaciona ao envelhecer/maturidade, nao no lugar que voce vive.

        • Diego says:

          Perfeito, Letícia!

          Compartilho da tua opinião em gênero, número e grau! Eu e minha noiva nunca moramos fora do Brasil. Somos do RS e moramos apenas 1 ano no CE. A diferença cultural entre a região sul e nordeste nos fez enxergar muitas coisas que foram relatadas aqui por pessoas que moraram em outros países.

          Hoje nós fazemos o possível para aplicar no RS aquilo que a região nordeste tem de melhor. É difícil sim, mas só depende da gente!

      • Julio Mathias - NY.NY says:

        Falou Loyola, eu do lado de cá, 24 de NY. Vc fez suas minhas palavras.

    • Luis says:

      Acho que viví por tres anos em outra Bcn e vivo em outra Curitiba.

    • Alessia says:

      Curitiba pior cidade no Brasil. Gente fria e plastica que só vive de aparencia!
      Alem de ser uma cidade ultra mega cinzenta!
      Checa as estatisticas e veja como Esta muito mais perigosa.
      Mas afinal cada um tem uma experiencia Se é o lugar que vc Esta Feliz é o que conta.

    • Roberto says:

      Tu es o exemplo “grafico” do que a menina refere no texto.

  7. nydia says:

    Glenda parabéns!!! gostaria que todos brasileiros tivessem a oportunidade de ler esse post. principalmente as patricinhas e pessoas que ainda acham que só magras, loiras, com cor de bronzeado e chapinha no cabelo podemos ser felizes.
    aprendi nesta vida que o melhor investimento do meu dinheiro é em viagens, pq só conhecendo outras culturas somos capazes de entender que nossa verdade não é a verdade do mundo. cada um sabe o que é melhor pra si. entender e compreender o pensamento do próximo é para poucos.
    infelizmente no Brasil vivemos para trabalhar. eu acho isso triste, muito triste. na empresa que trabalho (e olha que é a maior empresa brasileira!!!) só posso me ausentar 30 dias por ano, mesmo que eu queira ficar fora sem receber salário, não posso. tenho que trabalhar 8 horas por dia, não existe a possibilidade de trabalhar menos e ganhar menos. não quero fazer aqui reclamações sobre meu trabalho, mas sim, uma reflexão sobre essa questão. ainda somos muito arcaicos em vários aspectos, esse é um.
    moro no Rio de Janeiro, então nem preciso falar sobre a segurança né? em 5 anos, nunca fui assaltada, mas tb não dou oportunidade para o acaso. 3h da manhã caminhando pela rua sozinha?? nem a pau, Juvenal!
    entendo que a família seja, neste momento, o único motivo que te faça pensar em voltar pra cá, pq tb vivo longe da minha e é muito ruim, mas as vezes o peso do outro lado da balança compensa.
    bjo grande.

    • Glenda DiMuro says:

      Nydia! Obrigada pelo elogio! Eu queria mesmo é que tivesse uma ponte aérea sevilla-pelotas-sevilla! :)

    • David says:

      Pues mira,como a maioria dos espanhois! 30 dias de feria e 8 horas ou mais o dia
      40 horas semanais minimo

  8. Liana says:

    Que texto ótimo, Glenda! Adorei!
    Me vi em várias de suas frases, tambem aprendi muito do que disseste ai, acho que todo brasileiro que passa da fase de deslumbramento vive mesmo um pouco disso tudo ai que vc escreveu, o aprendizado, o respeito, o realizing da simplicidade. e sim, voltar ou nao voltar… ah, Brasil, meu karma.

  9. Eve says:

    Estava muito inspirada. Adorei!
    A gente aprende mesmo muita coisa. Quem tem os olhos e a cabeça aberta pra isso como vc, claro.

    Bjs!

  10. Anderson Sartori says:

    Oi Glenda,
    Estudei em Trento (Itália) quase 6 anos. Faz pouco mais de 2 semanas que voltei e te confesso não foi simples a tomada de decisão. Espero que o processo de readaptação não seja tão cruel.Tenho também o problema com os títulos de estudos italianos, o processo de relavidação é lento e não garante o reconhecimento do diploma , mas… espero ter tomado a melhor decisão…
    Boa sorte em tudo ai.

    • Glenda DiMuro says:

      Anderson, eu sempre digo que a decisão de “voltar” vai ser muito mais dura do que um dia foi a de “vir”… enfim, mas parte do ciclo. Eu reconheci meu título de mestre da UFGRS. Demorou uns 7 meses, mas pelo menos a resposta foi positiva! Boa sorte!

  11. Mile says:

    Brasil só pra férias! Amo morar na Espanha, amo a Andalucía e faço das tuas palavras as minhas, me senti bastante identificada. Aqui tb aprendi que nao é necessário ter rios de dinheiro pra ser feliz.
    Bjoks

  12. wilma says:

    Adorei o post, você conseguiu passar justamente as diferenças que fazem você preferir está aí por 6 anos. Essa de poder andar às 3 da madruga sentindo o aroma das flores é meu sonho de consumo, se bem que estou tão paranoica que será difícil eu acreditar nessa possibilidade, não confiaria.

    • Glenda DiMuro says:

      Depois de 6 anos, a paranóia vai embora! Aliás, depois de alguns meses você já não olha mais para trás!

      • Bea says:

        Glenda, isso é vdd!
        2 semanas atrás tivemos a visita de um amigo aqui em Mtl, Canadá e ele me disse pra mim e pro meu marido que já estamos “norte-americanizados” pois já adquirimos alguns costumes daqui e principalmente, andamos na rua sem estar assustados e sem olhar pros lados o tempo todo!
        Eu estava de mochila nas costas e andando e conversando com ele normalmente. Uma moça parou no sinal, atrás de mim. Ele, assustado, fez “cara de mal” pra moça. Ela viu, ficou sem graça e se afastou. Eu nem percebi nada. Qdo o sinal abriu e começamos a andar, ele contou o que tinha acontecido. Eu fiquei boba. Fiquei até sem graça, pensando na coitada da moça, que não fez nada de mal. Mas ele, que mora em SP, acostumado a seguir a “lei da selva” não pensou 2x, foi automático!!!
        Já estou aqui há 2 anos e minha paranóia já foi embora faz tempo!!
        Isso não tem preço!!

        Abs!!

  13. Muito pertinente seu Post…
    Eu sinceramente falando não me sinto preparado a voltar a morar no Brasil… Dizem que o processo de expatriação é complicado que o choque cultural pode ser traumático e talz..
    Me adaptei tão bem em Cingapura (Mesmo sendo uma cultura totalmente diferente).. Nos EUA a mesma coisa…
    Agora no caso de uma repatriação, acho que o choque cultural seria imenso… Isso sem falar que quando mudamos para um lugar desconhecido estamos muito mais receptivos as mudanças do que quando voltamos para casa..
    Quando morei na Alemanha em 2005-2006 e voltei para o Brasil, minha familia e amigos falavam que estava insuportável.. Depois de um tempo digamos que as comparações terminaram.. Mas tive a certeza que gostaria de ganhar o mundo…
    Na minha opinião uma das coisas mais complicadas do Brasil é a questão de falta de segurança.. Você sai de casa e não sabe se volta vivo para casa..
    Tenho que concordar que o Brasil é um país maravilhoso, com um povo único, uma natureza exuberante… O único problema é que para viver isso em plenitude você certamente terá que viver numa bolha.. E ter dinheiro para usufruir… Não é à toa que os expatriados extrangeiros amam o Brasil…

    Bjs

  14. LIne says:

    Adorei seu post, uma excelente reflexão!
    Eu também não sei se voltaria, no momento não tenho vontade nenhuma. Sinto muita falta dos meus, e ainda me sinto parte deles e da vida deles, mas quando morava no Brasil já morava sozinha há anos longe deles, então talvez por isso eu consiga administrar melhor a saudade.
    Em relação a recomeçar, penso da mesma forma, não sei se teria pique. Na verdade teria sim, porque a gente se ajeita de acordo com a necessidade do momento, mas se eu pudesse escolher, neste momento eu escolheria não precisar recomeçar nada, rs. Sick and tired of moving!
    Preciso desse tempo pra mim mesma, pra me estabelecer, me sentir segura, e principalmente descansar de todo o stress emocional que foi a minha mudança pra cá, fases cheias de altos e de muitos baixos.
    A única coisa ruim na Holanda é o inverno, se pudesse passaria os 6 meses de fio num lugar de clima mais ameno, rs.

    Beijos!

  15. Emília says:

    Infelizmente muita gente precisa virar minoria pra perceber diversidade.

    Moro em Los Angeles e tenho bons amigos americanos, brasileiros, coreanos, europeus, mexicanos e de vários outros países da America Latina e posso dizer com orgulho que já vivi a mesma diversidade de raças no Brasil, não de nacionalidades, mas de raças. Já fui em festa que eu era a única pessoa branca, por exemplo.

    Vejo muito brasileiro percebendo o valor do Brasil depois que vê os gringos falando maravilhas sobre nossa música e nossa cultura. Eu posso ficar feliz que já tinha percebido isso antes..

    Vejo muita gente colocando defeito no Brasil como uma afirmação pra ficar aqui, ou gente vendo defeito aqui pra se convencer de voltar, eu acredito que qualquer lugar tenha seus defeitos e suas qualidades e o que faz diferença é nossa atitude.

    Eu tinha carro no Brasil (não tenho aqui) e andava mais de ônibus ou bicicleta, vários dos meus amigos vivem com pouco mais de um salário mínimo e acho que tu não precisaria ter saído do Brasil pra respeitar um casal do mesmo sexo (oi?)

    Emilia Rodrigue(S instead of Z)

    • Glenda DiMuro says:

      Emi, muitas vezes as pessoas precisam sair de suas bolhas para entender de verdade o que é diversidade… e sim, sentir na própria pele o preconceito com as diferenças não somente para saber respeitá-las, mas para entender o que se sente quando se está do outro lado. Ser branca no meio de uns quantos negros num país racista (com os negros) como o Brasil não é o mesmo que ser branca no meio de muitos negros racistas com os brancos… não é mesmo? E isso não significar “perceber” a diversidade, mas sentir o que se sente quando se está do outro lado. Realmente, no Brasil eu não fazia parte de nenhuma minoria, nem sexual nem étnica, e por isso a minha experiência do outro lado foi aqui… essa é a minha realidade.

      Concordo que as nossas atitudes é o que nos fazem melhor pessoa. Não sei os motivos que os brasieiros usam para seguir nos EUA, país que acredito ser infinitamente diferente que qualquer país Europeu. Quem vive na Europa defende a “qualidade de vida” (conceito muito genérico e subjetivo, eu sei, mas resumindo, para mim é o atendimento das necessidades básicas como saúde, educação e principalmente segurança com um nivel digno e justo) que não se tem no Brasil (isso é fato) e talvez nem nos EUA. Não dá para negar… e isso nem sempre depende diretamente com as nossas atitudes, já que está relacionado tanto a sociedade em seu conjunto quanto ao contexto proporcionado pelo estado. Isso é real, qualidade de vida “urbana e pública” depende sim de políticas públicas… que no Brasil e muito menos na nossa querida Satolep não existem.

      Tu me conhece a tempo suficiente para saber que sempre respeitei a opção sexual de cada um, mas na Europa isso é vivido no dia a dia, sem as máscaras e preconceitos que se tem no Brasil. Conheço muita gente que teve que vir para a Europa para assumir a sua sexualidade… não me cabe julgar o porquê, mas tenho certeza que a sociedade aqui é muito mais aberta, vejo casais homossexuais felizes de mãos dadas sem ninguém ficar apontando… como eu disse, conheço familias com duas mães e um pai e não quis dizer que não respeitava isso antes, mas sim que aqui não existe tanta hipocrisia e as pessoas são aceitas e respeitadas como são. O texto estava em primeira pessoa, mas o contexto é de todo um conjunto…

      Algumas pessoas adquirem uma visão de conjunto antes de outras, isso é absolutamente normal. Outras precisam se afastar do problema para conseguir chegar mais perto da solução. Depois de tantos anos fora do Brasil, me dou conta de coisas que antes não me dava… tem gente que passa uma vida toda e não se dá…. cada um tem o seu tempo e como eu sempre digo, antes tarde do que nunca.

      A gente segue a conversa em dezembro…saudades!

      • Vania says:

        E desde quando a Espanha nao é racista??? Morei 3 anos em Madrid e lá quase nem existe negros e os que existem sao discriminados. As muitas pessoas que convivi em toda a Espanha sempre discrimiram os negros….isso tudo é demagogia no meu ponto de vista

        • Roberta says:

          Achei curioso tb ela não mencionar isso no texto dela. Falou tanto que o brasileiro é intolerante e preconceituoso, mas esqueceu de dizer que o espanhol é extremamente racista, aliás, muito, mas muito mais que o brasileiro. Posso falar isso, pois morei alguns anos na Espanha. Achei o texto bom, mas um pouco tendencioso. Só refletindo sobre as coisas boas da Espanha (país aliás que eu amo) e as ruins do Brasil. Achei um pouco injusto da parte da escritora

      • myriam says:

        Glenda,
        Seu texto veio a mim atraves de uma amiga tambem expatriada e passei um bom tempo lendo respostas e comentarios. Voce e uma pessoa sensivel e inteligente e sei que nao vai entender meu comentario como critica: viver na Europa reforca nas pessoas o preconceito que existe no Brasil de que viver nos EUA nao se compara a viver na Europa e pude ver que voce nao saiu incolume do processo. Eu sempre viajei muito – 2 a 3 vezes por ano e sempre me recusei a visitar os EUA. Ia sempre ou para Europa ou Asia. Vivi na Franca, Alemanha e Portugal em diferentes ocasioes por conta do trabalho do meu marido e com uma condicao economica excelente que me permitiu viajar muito e conhecer quase tudo de perto. Ha 10 anos atras o trabalho dele nos trouxe para os EEUU e nos, que como voce acreditavamos que bom mesmo e Europa, nao estavamos muito entusiasmados com a possibilidade; tanto que nem me dei ao trabalho de fazer mudanca. Vim pra ca com duas malas e planos de voltar o mais rapido possivel. O compromisso era de um ano e ao fim desse periodo tivemos que fazer a mea culpa e dar o braco a torcer (so nao abri mao ate hoje do preconceito que tenho com relacao a Miami). Nada se compara em termos de oportunidade ao que se tem nesse pais. Sem duvida a mentalidade das pessoas e diferente e nao se cultiva aqui o prazer de viver da mesma forma que se faz na Europa. Tenho amigos, jovens profissionais como voce que encontraram a receita ideal: trabalham aqui onde um profissional qualificado e competente SEMPRE consegue sucesso, ganham um dinheiro decente e vao se divertir e aproveitar as coisas boas da vida na Europa. Existem desigualdades? Claro! – e muitas! no entanto nao existe pais com maior mobilidade social do que aqui e tirando uma minoria, ninguem se acha credor da sociedade e no direito de “ser cuidado” em 100% dos aspectos da propria vida pelo governo. Esse sentimento de responsabilidade pessoal e um dos aspectos mais interessantes e unicos dessa cultura. Outro e o sentido de responsabilidade comunitaria: diferente da Europa onde existe nas pessoas um egoismo intrinseco – a mentalidade de nunca abrir mao dos “direitos” em funcao de um bem comum (vide Grecia) – a grande maioria das pessoas aqui acredita ser seu dever trabalhar e contribuir para o bem estar da comunidade em que vive. Pequenos exemplos: durante o desastre do Katrina minha vizinha que tinha uma casa para alugar vazia, ofereceu essa casa para abrigar 2 familias e cedeu a casa por quase um ano de graca. Outra vizinha recebe e treina com recursos proprios filhotes de Labrador (doados por criadores para esse fim) que depois de 1 ano vao ser doados para pessoas que necessitam (cegos, idosos e principalmente soldados desabilitados pela guerra). Meu bairro tem uma associacao organizada por um morador que trabalha de forma voluntaria sem ganhar nada e que tem entre outras coisas um grupo no yahoo. Ele organiza atraves do grupo – e todo mundo participa – coisas como plantar mais arvores na pracinha local, limpar o corrego que corta o bairro e auxilio aos moradores do tipo: outro dia o alarme de roubo da casa de um morador foi acionado e a familia estava fora. Eles contataram o grupo e alguem que morava mais proximo foi la verificar o que estava acontecendo. Enfim, como em toda sociedade aqui ha muito que se criticar mas acredite, muito mais que se admirar. Eu nunca digo nunca mas se depender de escolha eu nao volto a morar nem no Brasil nem na Europa. Hoje tenho 61 anos de idade e se pudesse voltar aos meus 20 viria viver minha vida aqui. Aqui a vida e boa!

  16. antonia says:

    Oi Glenda, essa realidade que voce vive em Sevilla è a mesma realidade em toda europa, quem sabe voce se anima num doutorado, existem muitas becas, principalmente na Alemanha com um bom ingles voce consegue e relativamente facil.
    Senao monta algo que voce possa fazer em casa e espere tempos melhores, que as crises passam, mas o Brasil nao vai mudar isso da violencia, nao volte nem por questoes profissionais, fique aqui mesmo, uma pergunta o Paulo trabalha legalmente? porque se ele trabalha legalmente voces podem ser pareja de hecho e pedir a nacionalidade, so se requerem dois anos de viver regularmente em Espanha. Espero que consiga, um beijo.

    • Glenda DiMuro says:

      Olá Antonia! Obrigada por se preocupar. Já me apresentei a diversas becas, mas estudo questões sociais da arquitetura e parece que isso não chama muito a atenção dos órgãos que financiam…preferem temas mais tecnológicos, eficiència energética, bioclimática e coisa e tal.Nós dois temos visto de estudante, Paulo trabalha para uma empresa no Brasil e faz trabalhos free de fotografia e design…nada de contrato. E já somos casados no Brasil! :) Sei que é dificil conseguir a residência nessa situação, mas vamos marcar hora numa ONG que ajuda imigrantes para conhecer as nossas possibilidades, e tem que ser antes de que mude o governo, porque eu acho que as leis de estrangeiros vão ficar cada vez mais duras com o PP no comando. Beijo!

      • David says:

        Esperemos que fiquen mais duras as leis de estrangeiros,nao para que nao fiquen na Espanha,que nao tenhan as mesmas garantias ca um espanhol

  17. Cris says:

    Oi Glendinha, eu já sabia que tu tinhas essa opinião, porque já falamos sobre isso e até entendo algumas das tuas comparações, mas acho que deves cuidar pra não ficar arrogante.. A gente sabe que são dois mundos diferentes, mas acho que não devemos deixar de acreditar que as coisas vão melhorar, tanto aqui como aí, já que sempre tem o que ser melhorado, mesmo que sejam necessidades diferentes. Eu acho que tem muita coisa errada no Brasil, mas eu acredito que não devemos criticar se não temos uma solução melhor para um problema.. Devemos cobrar, mas não simplesmente criticar e cruzar os braços. E Glenda, fico feliz que tu tenhas aprendido várias coisas aí, como aceitar as diferenças, mas para isso não precisamos morar fora do Brasil.. sempre morei aqui e me considero uma pessoa livre desse tipo de preconceito.
    A respeito da segurança, quero te dar um exemplo de quando fomos pro Rio esses dias, fomos e voltamos a pé todos os dias a noite do hotel que ficamos até a Lapa e fizemos todos os passeios de ônibus e metrô, foi tudo muito seguro. Não estou dizendo que não exista insegurança e violência, mas acho que não é tanta quanto pintam aí fora..

    • Glenda DiMuro says:

      Preconceito e diferenças nem era o tema principal do texto…mas enfim… Eu não fiz comparações diretas, inclusive isso foi uma das coisas que eu salientei, que não precisava dizer o que o Brasil tem de bom e de ruim que todo mundo está careca de saber…isso não é criticar, é fazer uma descrição da realidade. Quis contar coisas que SIM existem por aqui e que, infelizmente, NÃO EXISTEM no Brasil… E não adianta dizer que o Rio é seguro, que é melhor do que pintam porque NÃO TEM COMPARAÇÃO!!!! Qualquer pessoa que mora, já morou, ou inclusive veio de visita a Europa sabe muito bem do que eu estou falando… os depoimentos ai são a prova. Não é arrogância, é constatação. Uma coisa que a gente se dá conta quando sai do Brasil é como o povo é conformado…que acha que nem tá tão ruim assim, que poderia ser muito pior. É verdade, poderia… Quando roubaram meu cachorro minha mãe disse que isso era NORMAL, que eu deveria ACEITAR que ai é Brasil e esse tipo de coisa acontece no Brasil!!!! Infelizmente, esse pensamento é a maioria…afinal de contas, se não se aceita a realidade, se viveria num pesadelo contínuo… Mas sim existe vida fora de tudo isso, e sim é uma vida muito mais agradável, digna, alegre e divertida, apesar dos pesares… Todo mundo que tivesse a oportunidade deveria olhar a sua realidade de fora, o panorama muda e muito.
      O preconceito a gente só perde de verdade qdo faz parte do outro lado, dos que sofrem…
      Eu sei é que na real vocês querem que eu volte, por isso ficam me cutucando…hohohoho…

      • Tatiana says:

        Glenda, amei o seu texto e agora seu comentário. Viemos para a Austrália de “mala e cuia” , como estudantes , em 2009… Filho com 1 ano e meio , inglês meia-boca (e a gente Aaacha que fala inglês no Brasil)… Ainda estamos no processo “de virar gente” (ainda não temos a residência).Nesses anos fomos bombardeados: ” porquê dois dentistas, com mestrado e doutorado se “sujeitam a se rebaixar desse tanto? (ele protetico, clean, entregar de pizza; eu auxiliar de dentista)” Você leu nossos pensamentos e deu a resposta certa. Muuuuito obrigada!

    • Dirce Rezende says:

      Oi Cris, gostei de seu comentário, nasci de pais muitos mais muitos carentes mesmo, casei com meu marido que também tinha pais carentes, no entanto, temos 33 anos de casados.Esse país com s nos deu oportunidades de nos graduarmos, criarmos duas filhas maravilhosas que por vez estão graduadas, creio que nosso país tem de tudo, basta que se tenha coragem para não viver de futilidades, pois aqui tem cultura e chances para quem nela quer entrar, não digo e nem posso afirmar que países europeus estão em patamar melhor ou pior, pois são mais antigos, creio que chegaremos lá, basta que se queiramos chegar. Quando a experiência que a Glenda nos relatou não deixa de ter a grande importância da realidade vista e vivida por ela e por todos que lá estão, assumo que todos os jovem devem abraçar uma causa e ter a experiência de complementar estudos fora do nosso Brasil, tanto que minhas filhas fazem cursos fora, NY, por exemplo, isso é maravilhoso, porque sempre é bom ter conhecido e vivido em ares diferentes para melhor decidir, mas sempre as atento para perceberem que para chegaram lá , levaram muita bagagem cultural daqui, pois se não as tivessem não conseguiriam nem se movimentar dentro do nosso próprio país. País esse que apesar dos baixos e altos e de tantos políticos corruptos sem o minimo de escrúpulos, faço questão que seja sempre escrito com S, nosso país, o BRASIL, é para todos incondicionalmente.

  18. antonia says:

    Oi Glenda tambem acho que as leis vao endurecer mais e nao so na Espanha mas em toda Europa, espero sinceramente que essa gente da >ONG ajudem voce e o Paulo, sei o quanto è dificil conseguir a residencia, e claro eles nao ajudam em nada no cambio de visado. Mas tambem acho que se queremos podemos e sempre tem uma forma, em minha vida ja consegui muitos milagros e impossiveis voce tambem conseguira.Um beijo

  19. Oi Glenda,

    Vim comentar porque o que tu escreveu me afetou de certa forma, as pessoas já me disseram mil vezes “tens que sair do Brasil porque aqui não tem o que fazer, não anda.”, mas nenhuma dessas pessoas fez nada pra tentar ser útil e fazer algo bom aqui, por isso eu sempre digo que ÓBVIO, quero conhecer todos os lugares lindos do mundo, quando eu tiver dinheiro pra isso, que acredito que vai levar alguns anos, mas morar, morar pra mim é aqui.
    Acho que o conformismo existe, sim, por aqui, mas acho também que é conformismo o que mostras ao dizer que já que na Europa é tudo lindo, com cheiro de flores e pessoas felizes, não tem o que se fazer pra melhorar o Brasil.
    Pode ser inocência minha, mas, mesmo não pertencendo à classe social mais favorecida do Brasil, tendo dependido de ônibus, de bicicleta e de muuitas pernadas pra economizar dinheiro pra poder sair durante a minha vida toda, ainda assim acho que eu posso, e devo, não me conformar com as coisas que me incomodam aqui e fazer algo pra mudar isso, acho que tudo parte da gente. Eu trabalho com a educação e como tu sabes, a educação ao menos nas escolas públicas e estaduais é uma das piores coisas que temos no Brasil, e exatamente por isso eu quero ficar e tentar ajudar o máximo de pessoas que eu conseguir. Trabalhos voluntários tão aí pra isso, pra fazer o que o governo não faz.
    Eu já olhei pra fora da minha realidade nos estágios da faculdade, tendo que levar comida pros alunos da 5ª série conseguiram prestar atenção porque alguns caminhavam quase duas horas pra chegar na escola e não tinham tomado café da manhã. Também quando dei aula pra 7ª série e eles não acreditavam que eu tinha estudado na mesma escola de bairro que eles e que tava me formando numa faculdade, e que então eles podiam também, fazer o mesmo, se tentassem seguir. Com essas turmas eu vi que eu não to mais olhando a realidade de dentro, hoje eu olho ela de fora, sendo da classe mais favorecida, com nível superior. E te digo que foi incrível a sensação de mostrar pra eles que eles podem conseguir se formar no Ensino Médio, que eles podem, mesmo tendo estudado a vida toda numa escola pública, entrar numa universidade federal. Me deu mais vontade de ficar aqui, de ter o mínimo de condições de me manter pra poder ajudar algumas pessoas a chegarem a algum lugar.

    Mas tenho a plena consciência de que nem tudo são flores aqui no Brasil. E claro, quero muito conhecer a Europa, passear em Paris, conhecer tudo. Mas até eu ter o meu dinheiro pra isso vai demorar bastante. Enquanto isso, vou tentar fazer algo útil por aqui.

    Desculpa se desvirtuei um pouco o comentário, mas achei que era válida a opinião de uma brasileira de outra realidade.

    Beijocas,
    Val

    • Glenda DiMuro says:

      Val, eu nunca disse que as pessoas tinham que sair do Brasil porque ai não tem mais solução. Muito pelo contrario, eu disse que todo mundo que pudesse deveria sair do Brasil para ver as coisas de outra forma, para ampliar seus horizontes, para conhecer como se vive em outro lugar e poder se dar conta que existe muita coisa além… muita coisa boa e algumas coisas pior. Obvio que não precisa sair do Brasil para perceber todas as suas carências, mas a minha opinião é que depois que uma pessoa experimenta um estilo de vida completamente distinto, uma qualidade de vida muito melhor, um estado que atende grande parte das necessidades básicas da população, fica dificil ter vontade de voltar a viver no Brasil. O conteúdo do texto perguntava quem, em sã consciencia, depois de ver que outro mundo existe e nele os problemas sociais, ambientais e conômicos são tão diferentes e melhor tratados, quer voltar a ter que conviver com a violência, com o descaso das autoridades, com a falta de saúde pública… DUVIDO… prova disso é que todo mundo que já morou fora e provou dessa fruta, opinou da mesma forma. Eu digo e repito, adoraria poder voltar ao meu país e fazer dele um lugar melhor… e em nenhum momento eu disse que não faria… na verdade este é um dos grandes dilemas que tenho, trocar a qualidade de vida (que por mais que vocês achem que no Brasil isso existe, não se compara com o meu conceito de qualidade de vida, que se resume em tudo o que eu contei no texto) que tenho aqui por uma outra vida mais dura no Brasil, mas fazendo algo para mudar o mundo. Acho ótimo que já tenhas encontrado o teu lugar, isso deve ser muito gratificante… Eu, por enquanto, ainda estou tentando encontrar o meu…

      • RAF says:

        A verdade é a seguinte: só dá para entender o que você diz Glenda,
        as pessoas que moram no exterior e que viveram nos 2 países Brasil e o pais X.
        Quem nunca saiu do Brasil, jamais saberá do que vc está falando.
        Até pessoas que vivem ilegalmente na Europa entendem bem essa diferença.
        Tenho uma amiga que vive ilegalmente na França. Ela teve um filho lá!
        Ela foi atendida em um hospital particular, recebeu fraldas ao deixar o hospital,
        o registro da criança foi feito gratuitamente.
        E ela ainda tem direito a receber ajuda de custo do governo por ser mãe solteira e
        desafavorecida.
        Eu amo o meu Brasil, mas foi na Europa que eu pude assumir minha sexualidade
        poder ter um relacionamento sem ser julgado, sem ser agredido física e verbalmente,
        poder ser reconhecido pelo meu trabalho e nao pela minha opção sexual.
        As pessoas aqui sao muito diferentes do Brasil, sao frias, secas, as vezes podem ser racistas
        mas jamais vc vai ouvir te chamarem de viadinho, ou de baitola, por vc andar de mãos dadas com seu
        Companheiro.
        Jamais vc vai ser apontado como por exemplo: aaa conheço aquele viado do trabalho…
        Sou do Rio e jamais fui assaltado lá. Vc pode sim pegar onibus, metro, bicicleta, jumento.
        Mas vai estar sempre em estAdo de alerta.infelizmente no Rio se entra um negao no onibus
        E mal vestido a gente fica com medo. Essa é a mentalidade no Brasil, infelizmente…

        • Carita says:

          Raf, me fala qual hospital particular que é este na França, pk eu mora aki e aqui nao existe hospital particular e pra servir dos serviços publicos vc tem que ter a tal da securité social ou a mutuelle.
          Mas sobre o respeito sobre as pessoas realmente europa tem suas vantagens, mas sao racistas sim. Cada país tem seu racismo depende qual a imigraçao mais relevante dele.
          Mas uma coisa é certa Brasil é Brasil e europa é europa. E todos os países têm suas vantagens e desvantagens.

      • Mob says:

        “O conteúdo do texto perguntava quem, em sã consciencia, depois de ver que outro mundo existe e nele os problemas sociais, ambientais e conômicos são tão diferentes e melhor tratados, quer voltar a ter que conviver com a violência, com o descaso das autoridades, com a falta de saúde pública… DUVIDO… prova disso é que todo mundo que já morou fora e provou dessa fruta, opinou da mesma forma”

        Pois conheço muitos que voltaram e estão mais do que satisfeitos (meu pai é um deles). E sim, são pessoas em sã consciência. Fale por você e pelos que partilham de sua decisão, não por todos os imigrantes. O Brasil é imenso, a Europa tem diferenças grandes de um lado a outro, portanto não se deve generalizar. Não existe “verdade absoluta”; existem opiniões, pontos de vista e experiências de vida.

    • Beth says:

      Valeria,

      Meus parabéns pelo seu trabalho e esforços. O Brasil precisa de mais gente como você. E não, nem tudo são flores no Brasil mas eu vou te contar um segredo (e pra quem ler isso):

      Aqui na Europa também nem tudo são flores e a vida de imigrante está cada vez mais difícil. Há tempos venho aconhselhando a quem me pergunta se vale a pena vir pra cá. E a rsposta é sempre nào – não vale mais a pena. Já valeu sim, mas no momento atual, acho que não (minha opinião, discordem à vontade).

  20. Sandra says:

    Glenda, acho que consegui captar o que vc quis dizer. Eu tb morei 2 anos em Portugal e sinto saudades daquela época. Fui contra a minha vontade, meu marido foi fazer um posdoc e fui de acompanhante. Sempre achei que meu lugar era no Brasil, que apesar dos pesares, é a minha terra. Mas é verdade, quem experimenta viver no exterior nunca mais tem a mesma impressão do Brasil, e fica se perguntando porque aqui as coisas não podem melhorar? Trabalho como voluntária com pessoas com problemas visuais há 15 anos, faço parte de uma associação a favor dos direitos dos cegos e tentamos lutar para que as políticas públicas incluam normas de acessibilidade. Em 10 anos de luta nunca conseguimos mudar nada no Plano Diretor, mas seguimos batalhando… quando morei em Lisboa visitei várias associações do mesmo tipo e as coisas eram tão diferentes… é qualidade de vida como vc mesmo falou, que aqui no Brasil não temos, mas acabamos nos acostumando.
    Não digo que voltaria a viver ai simplesmente pela minha familia, pelo resto, voltava de olhos vendados.

  21. Fernanda says:

    Oi Glenda! Nossa, me emocionei muito com as suas palavras. Penso exatamente as mesmas coisas, da mesma maneira, até uso as mesmas palavras e expressões… Morei um ano na Irlanda, também como estudante e voltei para organizar a minha vida e tentar voltar para a Europa. Felizmente acabei casando com um filho de espanhol e em agosto estamos indo tentar a vida aí. Ele ainda não morou fora, mas, como você disse e eu sempre insisti, acho que a experiência de morar fora deveria ser uma oportunidade aberta a todos. Não há engrandecimento maior para mim enquanto ser humano. Ter vivido na Irlanda por um ano atrapalhou um pouco os meus planos profissionais, mas a experiência que tive lá não tem preço no mundo que pague.
    Com a minha viagem iminente, também comecei um blog. Espero que possamos trocar informações!
    Beijos e boa sorte na vida ;)

  22. Fernanda says:

    Na verdade, você se importaria se eu indicasse o link para esse artigo no meu blog?

  23. alguém poderia me ajudar a decidir esta questao!?
    depois de todos depoimentos e comentarios que houvi, me veio ainda mais duvida TORNO/NO TORNO a meu pais.
    vivo na italia desde o inicio de 2000, tenho visitado meus parentes por 2 vezes neste periodo, tudo o que foi citado com respeito à segurança, à educaçao, à saude ao transito… a tudo que o brasil nao tem, me faz muito mal porque se trata apenas de um fator “cultura” uma coisa que nao se adiquire de um dia para o outro, infelizmente se trata de um processo muito longo.
    poderiamos nos todos BRASILEIRO/Z invertirmos de alguma forma neste processo que deve ser aplicado desde cedo nos primeiros dias de escola (para nossas crianças),levados para as empresas, mostrados nos grandes centros comerciais, devemos unirmos nossas esperiencias e mostrar para todo o nosso pais a diferença simples nao impossivel de se viver uma vida melhor tirar da cabeça de cada um que a roupa de marca, o ultimo aparelho eletro/eletronico o carrao, essas coisas nao sao fundamentais para o bem estar.
    sei la!!! sera possivel mudar uma toda geraçao? levar a baixissimas taxas a criminalidade, reduzir os gordissimos salarios dos nossos politicos sem falar em todas as regalias que eles usufluem. o meu brasil patria amada querida o quanto tem de ser mudado!!!!!!!!
    GRITO DE SOCORRO PARA O NOSSO BRASIL 8° ECONOMIA NO RANCK MUNDIAL

  24. Luiz Peter says:

    Olá Glendita, vou te refrescar a memória com uma tese de mestrado que tenho aqui impressa todinha. está escrito por ti um Proyecto fin de Máster na Universidad de Sevilla, Escuela Técnica Superior de Arquitectura, Máster en Ciudad y Arquitectura Sostenibles – Especialidad Investigación ‘LOS ECOSISTEMAS COMO LABORAÓRIOS – lA BÚSQUEDA DE MODOS DE VIVIR PARA UNA OPERATIVIDAD DE LA SOSTENIBILIDAD. 1.una aproximación a la investigación, 2.el estado de las ciudades y la condicón hombre&naturaleza, 3.cambio de paradigmas: de la visión mecanicista a la holística & ecologia, 4.los ecosistemas: naturales y sociales, 5.el vivir en comunidades, 6.desarrolo y evolución: creatividad, espontaneidad y complejidad, 7.conclusiones… será que precisarás traduzir prá que eu entenda tudo isso ou será que frustro o sonho que ainda poderia ter de poder ainda de ajudar a iniciar a melhorar o mundo? o tópico 7 inicia assim: O conceito abstrato de sustentabilidade no ãmbito social e urbano necessita ser redefinido para poder ser operativo em nossas cidades. Por meio desse trabalho se pode afirmar que os conceitos dos ecosistemas da natureza, suas características, formas de organização e de evolução são capazes de ser adaptados às organizações humanas e a teoria dos sistemas vivos facilita as bases de conexão entre as comunidades ecológicas e humanas (urbanas e sociais) pois ambos ecosistemas são vivos e apresentam muitas características comuns. Assim que, através da natureza, a prática da sustentabilidade urbana e social merece ser redesenhada. e por aí vai. Nesse momento em que colocasses um ponto de vista aflitivo, ou seja, “Porque é tão difícil TER VONTADE de voltar a viver no Brasil?” te dou sempre a maior força e tenho certeza que estás amadurecendo, quem diria hein a transformação daquela menina tímida, e chegarás a uma conclusão mas, nunca te esqueça do meu slogan permanente qual seja ‘A CAUSA DA NATUREZA É JUSTA”. cada dia que passa eu acredito mais nisso… por demasiado que seja os apelos da “buena vida” temos muitos que ajudar… não te seduz aos apelos capitalistas – são todos fantasiosos.

  25. Ernani says:

    Não li os outros textos, mas concordo com todos esse motivos que vc escreveu. Tem gente que acha ruim quando a gente reclama do Brasil e elogia a vida aqui fora. Oras, nós somos filhos do mundo antes de sermos brasileiros. E ser patriota não é o mesmo que ser prisioneiro. Não há problema em criticar o que é ruim e procurar condições melhores. Seria bacana, é claro, se pudessemos ajudar a arrumar a bagunça do nosso país. Mas, em último caso, nós estavamos incomodados e nos mudamos. Já não tá bom assim?
    bjos e boa sorte!!

  26. anlene says:

    Assino em baixo, em cima e dos dois lados. Mas depois de quase 10 anos por aqui, tenho pensado recorrentemente em voltar… bj

    • Glenda DiMuro says:

      Sério Anlene? Eu tô com vontade de ir para outro lado (mais norte ainda), mas dá tanta preguiça de começar de novo…

      • Beth says:

        É que você ainda tem muitas ilusões…depois de 10, 15 anos ou mais vivendo na Europa, a gente aprende que nem todos são iguais (nem mesmo aqui). SOME ARE MORE EQUAL THAN OTHERS.

        Eu tô bem cansada disso tudo aqui, mas optei por ficar por uma única razão: meu filho.

        • Glenda DiMuro says:

          Beth, tens razão. A integração dos imigrantes aqui na Espanha tb é bastante complicada. É estranho, mas faço parte de um time de imigrantes que não vieram buscar a vida… nem uma melhor vida do que no seu país de origem. Frequento a universidade e outras “rodas” da sociedade, tenho amigos espanhóis… Mas existem bairros onde só vivem estrangeiros e, quem mora lá, não frequenta os mesmos lugares que a maioria dos espanhóis, vivem no que podemos chamar de guetos. Costumo dizer que somos parte dos imigrantes da elite (dentro do possível), isso porque não sou equatoriana ou marroquina. Qualquer dia me inspiro e escrevo sobre isso… tem um submundo onde vivem os estrangeiros (latinos em sua imensa maioria e africanos) com o qual eu não me reconheço. Sempre digo que estrangeiro será sempre estrangeiro, não importa se tem dupla cidadania, se vive aqui há 10, 15 anos ou se tem filhos ou está casado. É assim e pronto. É na questão profissional é onde mais pesa a questão das nacionalidades… no meu dia a dia e círculos sociais, felizmente, consegui me inserir o suficiente. E em tempos de crise, essa ideia de que somos todos iguais se mostra mais falsa ainda… num país onde mais de 20% da população ativa está desempregada, quem dará trabalho para um imigrante??? Se o seu objetivo ao viver na Europa, mais precisamente na Espanha, for qualquer outro que sucesso profissional, eu ainda acho que vale a pena vir pra cá. Se for o contrário, fuja do velho mundo!!! E é isso que eu acho que pesa bastante na nossa decisão. Pense bem, se você tivesse um bom emprego, salário bom para ter uma vida tranquila, estaria dizendo que está cansada de lutar conta a corrente ou dar murro em ponta de faca?

        • Vivo muito bem na Europa desde ,mas como vove tambem perdi minhas ilusoes o ser humano e igual em qualquer lugar ,acho que se sente muito no Brasil pq o Brasil nao e um pais mas sim um continente que e 16 vezes maior que a France ,e tambem um pais muito jovem.Voltarei ao Brasil sim ,apos ter vivido 25 anos na Europa 20 na Franca e 5 no U.K,confesso que estou na expectativa,sei que vou ter muita raiva mas…meu marido e frances mas as vezes e mais brasileiro do que eu mesma sou!
          Unico problema do Brasil a grande violencia que mudara com um verdadeiro trabalho social.O brasil vive sua fase de juventude ,precisa quebrar a cara e amadurecer…
          obrigada ,espero nao ter me afastado do sujeito.

  27. Grazi says:

    Mudar o Brasil teria que em primeiro lugar fazer uma faxina nos políticos, afinal é de responsabilidade deles a situação em que se encontra o país.

    • CLEUDER says:

      SIM, VOCE TEM RAZAO MAS ELES SAO COLOCADOS LA PELO VOTO DE PESSOAS TALVEZ NAO PREPARADAS QUE SE ESTIVESSEM LA FARIAM O MESMO OU PIOR (AFINAO QUEM DE NOS NAO GOSTARIAMOS DE GANHARMOS MUITO FAZENDO TAO POUCO?)
      ISTO FAZ PARTE DA CULTURA TAMBéM
      SIM, é DIFICIL MUITO DIFICIL MAS NAO IMPOSSIVEL.

      MUITO OBRIGADO – GRAZIE MILLE – MUCHAS GRACIAS – MERCI BEAUCOUP – VIELEN DANK – THANK YOU VERY MUCH

  28. CLEUDER says:

    cleuder dias de morais says: July 8, 2011 at 23:39
    alguém poderia me ajudar a decidir esta questao!?
    depois de todos depoimentos e comentarios que houvi, me veio ainda mais duvida TORNO/NO TORNO a meu pais.
    vivo na italia desde o inicio de 2000, tenho visitado meus parentes por 2 vezes neste periodo, tudo o que foi citado com respeito à segurança, à educaçao, à saude ao transito… a tudo que o brasil nao tem, me faz muito mal porque se trata apenas de um fator “cultura” uma coisa que nao se adiquire de um dia para o outro, infelizmente se trata de um processo muito longo.
    poderiamos nos todos BRASILEIRO/Z invertirmos de alguma forma neste processo que deve ser aplicado desde cedo nos primeiros dias de escola (para nossas crianças),levados para as empresas, mostrados nos grandes centros comerciais, devemos unirmos nossas esperiencias e mostrar para todo o nosso pais a diferença simples nao impossivel de se viver uma vida melhor tirar da cabeça de cada um que a roupa de marca, o ultimo aparelho eletro/eletronico o carrao, essas coisas nao sao fundamentais para o bem estar.
    sei la!!! sera possivel mudar uma toda geraçao? levar a baixissimas taxas a criminalidade, reduzir os gordissimos salarios dos nossos politicos sem falar em todas as regalias que eles usufluem. o meu brasil patria amada querida o quanto tem de ser mudado!!!!!!!!
    GRITO DE SOCORRO PARA O NOSSO BRASIL 8° ECONOMIA NO RANCK MUNDIAL

  29. Bianca says:

    Glenda, parabéns pelo brilhante texto! Também sou gaúcha….e casada com um pelotense.
    Estou morando em Boston há um ano, e as coisas aqui são muito parecidas com as tuas descrições daí! Como é bom poder estacionar a bicicleta na rua e saber que ela continuará lá na hora de ir pra casa; como é bom poder atravessar uma praça à noite; como é bom não precisar ter grades nas casas; como é bom ter qualidade de vida, como é bom!
    Abraço, e parabéns novamente!

  30. Manuel says:

    Olá Glenda,

    adorei a sua reflexão, o meu caso é o contrario de vc, eu sou espanhol e moro em São Paulo. Acabei em São Paulo por essas quebradas da vida pois a minha intenção sempre foi ficar no Rio, mas não deu para ficar porque não tem trabalho na minha área, sou analista desenvolvedor de software, e acabei aqui.
    São Paulo é uma cidade que aos poucos está me consumindo, todo o que você disse no seu post “Qualquer um no Brasil” é muito mais nítido aqui, e adicione o classismo que acaba impregnando tudo, inclusive a você mesmo pois já me sorprendi com pensamentos que não eram meus.

    Você não tem vontade de voltar e eu estou pensando cada dia mais sério em sair, mas também não voltaria para a Espanha, que na minha área está ainda pior do que quando eu saí de lá, mas quero estar por perto da minha família :)

    Fale para os seus amigos espanhóis virem falar comigo quando sintam essa vontade de vir para o Brasil, eu dou um jeito neles :P

  31. Beth says:

    Estranho, eu jurava que já tinha comentado aqui antes. Ótimo texto, uma espécie de avaliação da vida de imigrante brasileiro na Europa. Mais cedo ou mais tarde realmente precisamos parar para pensar de onde viemos e para onde estamos indo.

    Meu único porém é esta frase (eu pensava exatamente como você há 17 anos atrás, quando cheguei aqui):

    Aprendi que viver no mesmo edifício que o motorista do caminhão de lixo e comer no mesmo restaurante da faxineira da piscina é uma coisa absolutamente normal.

    Na Amsterdã em que vivo, isso já não acontece mais. Aqui os ricos e pobres não se misturam, nem nos bairros, nem nas escola, nem mesmo nos cafés da cidade. Estou falando sério (infelizmente). Moro num bairro com 80% de imigrantes. As escolas só tem crianças imigrantes (escolas pretas, como os holandeses apelidaram na mídia). Já no centro e em outros bairros mais privilegiados só moram holandeses (e europeus que trabalham ou estudam aqui). As escolas são brancas (maioria esmagadora das crianças holandesas e ainda por cima louras.

    Enfim, esta é uma grande ilusão que eu perdi ha anos. QUando vim pra cá e comparando o nível de desigualdade social que existia (e ainda existe) no nosso Brasil, eu pensava como você. Mas as diferenças de classe aqui na Holanda aumentaram enormemente. Eu como moro numa das principais cidades daqui, vi isso com meus próprios olhos.

    E sabe o que eu acho? O paraíso é uma questão pessoal…aqui, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. No final das contas, quem faz a sua felicidade é você mesmo.

    E boa sorte pra gente!

    • Jorge Virgilio says:

      Olha, sinceramente dizer que na Europa não existe consciência de classe e algo tão absurdo que não conheço nenhum europeu (e eu moro e estudo em Lyon, na França) que defenderia algo assim. Entendo o seu deslumbramento com a vida neste continente. Mas não passa disso, deslumbramento. Você parece esquecer que nossa sociedade é uma ramificação da sociedade europeia. Todos os problemas que existem aqui foram trazidos e implementados por europeus (Não são nativos). Todo tipo de desigualdade, corrupção, crime e etc por aqui são “made in Europe”. Peguemos o caso da homofobia. Os indígenas tinham problema com homossexuais? Não. Tinham marginais? Não. Tinham poluído o país e feito favelas? Não. Até meados do século XX a Europa era um continente cheio de favelas e com cidades cujo desenvolvimento social e econômico comparáveis com o Haiti hoje. O que criou essa Europa do Bem-Estar social foram os americanos com seu plano Marshal. Em especial, para impedir o avanço do comunismo. Você querer pegar um país recém criado que passou a maior parte de sua história como colônia (de europeus), cuja metade da população é descendente de escravos, e comparar com a metrópole, que só conseguiu se desenvolver às custas dos problemas que nós temos no Brasil. Com que dinheiro a França banca todos esse benefícios sociais a sua população? Ou a Espanha? É muito fácil dizer que “espanhóis é que sabem aproveitar a vida e não são capitalistas ordinários como os brasileiros”. Gostaria de ver os espanhóis se darem tantos luxos sem todas as riquezas levadas da América. E ainda assim, o castelo de areia está caindo. Agora que o comunismo foi vencido e os EUA não estão mais bem das pernas, a Europa do primeiro mundo começa a bambear. Por que? Porque os europeus não são esses super-homens e mulheres que é apregoado por alguns brasileiros. Durante a segunda metade do século XX, eles foram favorecidos pelas circunstâncias para atingir o padrão de ida que temos visto até o momento. Conforme a economia começa a ruir toda a desigualdade que vemos no Brasil começa a ressurgir aqui. Esse ano houve um número recorde de conversões para o catolicismo romano na Inglaterra, motivado pela união homoafetiva, aceita por muitos segmentos protestantes de lá. Africanos e islâmicos estão cada vez sendo mais e mais segregados na Europa, conforme a procura por qualquer tipo de emprego se torna mais e mais acirrada. E nós brasileiros, advinhe só, não estamos na linha de frente do canhão devido a persepção internacional de que o Brasil está se tornando mais e mais influente e todos sabemos que o estrangeiro é medido pelo respeito que as pessoas têm pelo seu país de origem. Como disse o presidente Kennedy, “não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país”. Muitas pessoas que têm a oporunidade, como eu, de estudar na Europa se acham o cúmulo da erudição e não conseguem apresentar uma única proposta para resolver nossos problemas aqui (a não ser ideias genéricas que todos conhecem, trocar os políticos, investir em educação e etc). Como será possível isso, se vocês, que se julgam tão politizados, simplesmente virão as costas e vão procurar um lugar na sombra? Pode-se mesmo esperar que uma população que viveu 400 anos como escrava aprenda de uma hora pra outra a ser autônoma? Pode-se pensar em melhorar a educação se as pessoas que têm a possibilidade de estudar cospem na sua bandeira e usam seu estudo para abandonar o país? É sempre mais fácil aproveitar-se do que outros criaram do que criar algo. Se a Europa feudal conseguiu se desenvolver, todo e qualquer lugar tem esperança. Poucos povos foram tão sujos, corruptos e ignorantes como os povos da Europa Ocidental até meados do século XIX (Não é a toa que tantos italianos e alemães fugiram daí).

      Vim da periferia. Nasci e morei a maior parte da minha vida na Baixada Fluminense. Tive que enfrentar muito metro e ônibus lotado no Rio de Janeiro pra chegar aqui pra alguém vir e lançar tantos esteriótipos sobre mim (Afinal de contas tudo o que você diz sobre os brasileiros se aplicariam diretamente a mim, especialmente se pensarmos de onde eu vim). Falta um monte de coisa aqui (eu sei, eu uso o SUS, eu frequentei a escola pública), mas certamente não será através de vãs reclamações que as superaremos. Querer uma vida melhor todos queremos, dificil é construir uma. Que cidadania é essa que você aprendeu aqui que lhe faz querer voltar as costas para os seus conterrâneos?

      Você defende a Espanha, a Europa de uma forma geral, mas se amanhã ou depois eles tiveram graves problemas, sabe o que você fará? Voltará pro Brasil. Ou irá pra outro lugar que lhe traga mais vantagens. Você quer viver na Europa enquanto puder usufruir dela, mas não morreria por ela. Não passaria fome por ela. Milhões de pessoas passam fome pelo Brasil e você aí em Sevilha se dá o direito de falar sobre o Brasil como se o conhece tão bem assim. O Brasil é bem mais que corrupção e desigualdade. E a nacionalidade é mais tem raízes mais profundas que os benefícios que ela lhe oferece.

      • André says:

        Finalmente alguém com uma opinião descente, alguém q com certeza enxerga além do que seu próprio universo.

        Boa sorte a todos! A final estamos todos no mesmo barco, seja no Brasil ou em qualquer paraíso fictício.

        []‘s

    • Rubens Detanico says:

      “E sabe o que eu acho? O paraíso é uma questão pessoal…aqui, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. No final das contas, quem faz a sua felicidade é você mesmo.” Exatamente, falou tudo!

      Eu já morei na Nova Zelãndia e posso te dizer o seguinte, mesmo com toda segurança que se tem lá, eu não trocaria a minha vida junto das pessoas que eu gosto por nada nesse mundo! Amo o RS, amo o Brasil, ninguem tem a energia que nós temos. Só acho o seguinte, não tá gostando faz alguma coisa pra mudar, é muito facil se mandar e ficar falando mal, eu admiro as pessoas que sabem os problemas e tentam mudar. Eu fico de cara com as pessoas que falam mal do Brasil quando estão no exterior. Obs: quem ama o Brasil, cuida. Quem foge é fraco.

  32. Beth says:

    Pronto, já linkei este post lá no meu blog. Esta discussão dá muito pano pra mangas (e eu pra variar peguei o bonde andando, rsrsrs).

  33. Rose Ferreira says:

    Glenda, achei seu blog por acaso, pois estou com a cabeça em plena erupção. Tenho 2 filho Victor e Stephanie no qual Victor é o mais velho com 17 anos. Estavamos preparando os papeis de nossos filhos para fazerem o ensino médio no Canada, quando um amigo nosso que mora em Sevilla nos disse “por que não Sevilla”? Pensamos e falamos com nossos filhos. Ficaram extremamente entusiasmados. O Victor o mais velho com 17 anos foi aconselhado a fazer o 1 ano de Bacharelado (seria o nosso 2 ano do ensino médio). são dois anos de bacharelado preparatório fazer uma universidade. Resumindo a historia, agora este casal de amigos acham que agente deveria pensar melhor se eles devem ir ou não, especialmente por causa do Victor, porque dizem que a escola é muito puxada por se tratar de uma escola bi-lingue (colégio Claret ou a Europe International School). Esta Eruope Int’l School a principio disse que n teria vaga para o Victor, mas uns outros amigos nossos que conhecem alguem que falou com a escola etc… Agora a escola disse que tem vaga tbm para ele, mas que estavam extremamente preocupados por ele estar numa idade que se ele não for bem na escola ele pode a vir a ter problemas de auto-estima e que a probabilidade de ele conseguir entrar numa universidade espanhola seria muito dificil por ele não ter o espanhol fluente. O Colégio Clarit, vou ter uma posição amanhã se tem vaga. Minha pergunta é: os colégios são tão puxados ao ponto de quererem somente adolescentes superdotados? Meu filho não é nenhum nota 10 em tudo, um adolescente normal com matérias que gosta tira-se notas excelentes, matérias que não gosta tira notas para passar. Estou ciente que as escolas começam ãs 9hs e vão até mais ou menos 5 hs da tarde. Vc brasileira o que pensa de um adolescente estudar na Espanha, vc acha que esta experiência de ter que REALMENTE estudar é importante para um amadurecimento, especialmente falando de Sevilla. Como toda mãe quero a felicidade deles e não gostaria que eles se sentissem que não são capazes. Sei que Brasil tem seus problemas, concordo muito com o que vc escreveu, mas o fato ocorrido na escola Int’l precisou ter (alguem) para derrepente ter vaga, mas não querem se comprometer com a adaptaçao dele, enquanto o outro até o momento está sendo mais receptivo. Vc conhece estas escolas? Que tal dar sua opinião nessa minha batalha. Esqueci se dizer que eles não iriam para casa de ninguem, eu estaria montando um apartamento para eles, na qual eu ficaria pelo menos 2 meses direto com eles (para se adaptarem) e está indo uma pessoa de total confiança para ficar com eles e daí eu iria em média a cada 30 dias passar o tempo que fosse necessário. Vai ser uma loucura, mas a familia toda iria se intercalar. Aguardo um retorno seu e quem sabe agente não vai se conhecer pessoalmente. Obrigada desde de já
    Rose

    • Glenda DiMuro says:

      Olá Rose! Acho que a decisão de morar fora e estudar em outro país depende, principalmente, da vontade de cada um. Se seus filhos já demonstraram o interesse, é 90% do caminho andado. Vivo há 6 anos em Sevilla e nunca escutei que os colégios fossem mais puxados que outros… Também já conheci alguns brasileiros que trouxeram seus filhos para estudar aqui e todo mundo se adaptou muito bem. Espanhol é uma lingua relativamente fácil de aprender para nós brasileiros, e tenho certeza que em menos de 3 meses, se seus filhos frequentarem o colégio, vão estar ententendo tudo e falando praticamente tudo. Essa história de ser “fluente” para entrar na UNiversidade não tem nada a ver… o processo de seleção é de acordo com as notas obtidas na escola e nunca ouvi falar de prova oral… O processo de adaptação não depende única e exclusivamente da escola e eu, se fosse diretora, nunca assumiria esta responsabilidade. Em geral o povo é receptivo, mas é claro, a adaptação é um processo que envolve tantas variáveis que é impossível definir antes de tentar se vai dar certo ou não (vai depender e muito das atitudes dos seus próprios filhos, se serão abertos, como enfrentarão os possiveis problemas na chegada…) Enfim, não sei se respondi às suas perguntas. QUalquer outra dúvida me escreve um email: glenda.dimuro@gmail.com Abraço e boa sorte!

  34. Texto senscional!
    Nao precisa dizer muito depois de ler um texto como esse.
    Direto, detalhado, explicativo.
    Sentimentos postos em palavras!
    Adorei.

    Dany

    http://www.feriadopessoal.wordpress.com

  35. Glenda, ler seu texto emocionou-me. Emocionou-me por saber que pode ser verdade ter uma vida “de verdade”. Emocionou-me porque você responde a todos os meus questionamentos interiores sobre qualidade de vida, mostrando que essa vida existe sim e que há pessoas que vivenciam isso. Emocionou-me por saber que uma utopia minha é realidade num outro canto do mundo. Emocionou-me porque poderei ler seu texto todas as vezes que eu me sentir oprimida e “violentada” pela rotina, pela hipocrisia, pela síndrome de status que existe por aqui. Emocionou-me por perceber tanta vida e tanta emoção na sua vivência e por saber que alguém que sabe a realidade que existe por aqui e que não se acostumou com a rotina daí, a ponto de criticá-la, pode vivenciar, de verdade, o que tantos oprimidos por aqui sonham. Obrigada pelas palavras e pela oportunidade de sorver um pouco da vida que está escassa por aqui. Um grande beijo,

    Ps: o seu site é lindo e muito interessante, há alguns meses acompanho seus relatos…

  36. Lucelia says:

    Ola Glenda,
    acabei de ler o seu post e achei +10. Estou me organizando para ir a Europa e adoraria ficar de vez. Faz muito tempo que já não curto o nosso Brasil, simplesmente pelo fato de achar aqui (moro em Curitiba)um lugar frio (sentimentalmente) e muito perigoso. Ja fui assaltada 5 vezes, sendo que 2 vezes dentro de casa. Por mais que digam que aqui parece primeiro mundo, na pratica isso não funciona.
    Depois que li seu texto, fiquei mais certa do que quero e mais animada pra batalhar por isso.
    Obrigada por compartilhar!

  37. Carina says:

    Oi, Glenda.
    Moro em Paris e ja me mudei (inclusive de cidade) umas 9 vezes nesses ultimos 3 anos em que estive aqui na França. Mestrado em comércio internacional. Estou com preguiça de escrever agora, mas gostei bastante de iniciativa de tentar entender e explicar as razões pelas quais você mesma não quer voltar. A questão em si, dentro da gente, é dificil de abordar, porque cada aspecto tem varios lados. Não abordar cada um é motivo de criticas fortes. Concordo plenamente com o lado “enriquecedor” de partir e de tansitar. Tenho, enfim, minhas proprias reflexões.
    Hoje em dia, escrevo também, mas não num blog porque me sinto muito exposta. Acho que gente que não me conhece pessoalmente ou a minha historia não deveria ficar apontando o dedo pra mim sob a proteção da tela. Escrevo uma newsletter que envio à minha familia e a um grupo restrito de pessoas que acho que vão ler e que guardo no meu coração. Pouco a pouco, eu sinto que eles podem entender essas coisas sem que eu tenha que explicar diretamente. Gostaria de poder lhe enviar uma copia, enfim, se você quiser ler. Te desejo uma boa travessia!

  38. Tainá says:

    Oiii adoreiii seu texto, é praticamente tudo o q eu sempre digo por aqui no Brasil, mas tem muita gent q ñ me entende rs. De uma coisa eu to certa, ñ é aqui q quero viver :) , tomei essa decisão há um tempão. E ainda nem fui p outro país rsrsrs. Mas pretendo conhecer o mais rápido possível os EUA e a Europa. rsrsrs…e depois os outros lugares do mundo, mas isso depois q tiver um emprego fixo, pq ñ tenho r$ p esse luxo agora hahaha…

  39. Glenda *–*
    Prazer imenso estar lhe escrevendo daqui do Brasil(Apesar do lado negativo, infelizmente)…

    Ler seu post me MARAVILHOU intensamente!!
    Sou Lenice, uma garota de 16 anos que não viajou a nenhum lugar mas, que já sabe o valor de tantas coisas.

    Muito bom saber que você conseguiu aprender tudo isso, atos que na verdade um ser humano deveria saber. Realmente o Brasil esta me da um dasanimo total. Acordar cedo e saber que eu tenho que estudar para concorrer com trocentas pessoas no vestibular… Depois fazer uma faculdade dificilimaa, e concorrer com praticamente toda a população brasileira, para ver quem garante seu trabalho e seu dinheiro para sustentar a família é desesperador, uma catástrofe completa!!!

    Os seus sentimentos, fizeram me emocionar!! Isso me fortalece, em saber que ainda poço prover de algo tão bom: Felicidade plena em um lugar maravilhoso… Onde a diferença (em relação a tudo) é pouca, em saber que uma trabalhadora doméstica pode dividir o condomínio-edifício com um médico,disputas e mais disputas, diferença de status em seu colégio, em minha vida, me entristece!!Em saber PRINCIPALMENTE que… Você não terá uma vida bandida, onde não se tem tempo para nada além do estresse, correria, estudo e trabalho… Onde ver os raios do sol em um lugar delicioso é um absurdo…

    E respondendo a uma de suas perguntas no texto: Exclamo que você opte pela felicidade e uma vida boa e gostosa de se viver… Logo que se ai a diferença não é tanta se pode viver divinamente!!

    Para que concorrências absurdas, e um trabalho excelente… se vc não estiver feliz… Isso é vida?

    AMEI sua fotoos!! Amo fotografia e falar do mesmo com o maior prazer… Elas me trazem, liberdade, felicidade, alegria, tranquilidade dentre outras coisas. O site é muito lindo e o Layout também.

    Querida, seja feliz e felizzz… aproveite esse momento divinasso de sua vida!! Amei saber que poço atravessar essa fronteira e ter um mundo de calma e paz me esperando…. Opte pela melhor pção.

    Beijos imensos,
    Lenice S.
    Ps: Quero voltar mais vezes e ler todos os outros posts mencionados!!

  40. Lucia says:

    nem td sao flores em lugar nehum do mundo, e morar na europa nao é assim um mar de rosas. moro na europa ha 19 anos, e se DEUS QUISER, ANO QUE VEM IREI DEFINITIVAMENTE MORAR NO BRASIL. com todas a diferenças .bjs

  41. joca says:

    Que texto bonito. Gosto de lembrar do velho Sócrates, quando lhe perguntaram de onde ele era ele respondeu: “Sou do mundo”.

  42. Pedro says:

    Bom dia Glenda e a todos.
    Eu poderia escrever um livro documentando o tanto que eu aprendi vivendo fora do Brasil. No começo morei 7 anos em San Francisco (USA) e depois parti para a Suiça onde estou desde 1996 (15 anos). A propria vida nos proporciona sim diversas maneiras de se obter conhecimento. Para ums mais facil, para outros mais dificil. O que eu li no sue texto me lembra muito de quando parti para San Francisco. Hoje em dia (depois de 22 anos) me passa sempre na cabeça, “sera que ainda tenho que aprender ainda mais?”.

    Eu acredito que quem realmente sente cheiro de flores eh quem trabalha em jardinagem. A realidade nos alcança…

    Tenho uma vida muito boa (Analista de Finanças), porem ja lavei prato (realmente lavador de prato) em San Francisco e na Suiça.

    Glenda, para definir: eu acredito que na realidade a sua faze de aprendisagem so vai começar quando voce arrumar um trabalho e ter que brigar por ele. Nunca tive a oportunidade de ficar so estudando e tenho dificuldade em entender como voce ver a realidade e o futuro…

    De qualquer forma gostei muito de poder compartilhar os seus pensamentos. O que mais importa eh que voce siga acreditando em voce e no que faz.
    Grande abraço,
    Pedro

    • Glenda DiMuro says:

      Olá Pedro! Obrigada por compartilhar seus pensamentos. Só um esclarecimento: eu trabalho como pesquisadora, e isso é um trabalho muito digno e que contribui para o desenvolvimento não só pessoal, já que a educação é a base de tudo nessa vida. Mas já trabalhei de garçonete e também como arquiteta durante 4 anos aqui na Espanha. Não costumo fazer muitos planos a longo plazo, vivo a minha realidade da melhor forma possível e tenho sonhos que pretendo alcançar. E me sinto muito feliz por sentir cheiro de flores, até mesmo quando seja só na minha imaginação.

      • Mob says:

        Ué, mas no Brasil também podemos sentir cheiro de flores! Damas-da-noite, camélias, jasmim, copos-de-leite, margaridas… Na rua onde eu morava tinha todas elas e mais um pouco. Tudo bem real, não era minha imaginação não! Ah sim, e os passarinhos… Eles cantam o ano inteiro, pois não tem um inverno rigoroso para calá-los. ;-)

        Poesia por poesia, faço a minha também (Aliás, lembrei daquela que diz “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”).

  43. hipócritas says:

    O QUE ODEIO NO BRASILEIRO É ESSA FALSIDADE.. QUANDO O BRASIL ESTÁ RUIM VAI PARA OUTRO LADO, QUANDO A EUROPA ESTÁ MAL O BRASIL É O MELHOR DO MUNDO !!!

    A EUROPA NÃO É FLOR QUE SE CHEIRE, VIVO HÁ 9 ANOS, E TIRANDO TODO O PRECONCEITO, RACISMO, XENOFOBIA E DEMAIS COISAS EU SINCERAMENTE SÓ IMAGINO PESSOAS QUE REALMENTE MORAVAM EM FAVELAS PARA FALAR MAL DO BRASIL QUANDO ESTÁ FORA !!!

    CANSADO DE VER BRASILEIRINHOS A FALAREM MAL DO BRASIL, E SÓ A ESCÓRIA BRASILEIRA QUE PARA NA EUROPA, GENTE INTELIGENTE NÃO IMIGRA, SAI DO BRASIL PARA ESTUDAR, AMPLIAR CONHECIMENTOS.

    INFELIZMENTE HÁ UMA PORÇÃO DE BABA OVOS HOJE SE FERRANDO, PASSANDO MAL EM ESTAR DESEMPREGADO ENQUANTO ISSO MUITOS EUROPEUS QUE DÃO COM O PÉ DA BUNDA DOS BRASILEIROS, ESTÃO INDO PARA O BRASIL MANSINHOS PARA TRABALHAREM !!!

    ACORDEM POVINHO ….

    SEJAM NACIONALISTAS E VALORIZEM A TERRINHA ONDE VOSSOS PAIS PISARAM, PORQUE SE NÃO FOSSE O BRASIL, NEM VOCÊS EXISTIRAM !!!!

    • babi says:

      Voce deve ter comentado no blog errado, nao e possivel. Voce leu o que ela escreveu? Nao pode ter lido. E ainda diz que mora na Europa. Por que??? Volte para o Brasil! Alias, nao volte, porque desejo o melhor para o meu pais de origem. Gente radical e bitolada nao e legal em lugar nenhum…

  44. Lane says:

    Glenda, realmente tudo o que vc escreveu è muito bonito, e gera um entusiamo da vida aqui na Europa. Acredito que todo o seu otimismo seja pelo fato de vc estar a pouco tempo, e como vc mesmo disse nao tem vinculos com o pais ( Esposo, filhos..)e existe uma grande diferença. Muitas pessoas acham que ter um marido Europeu, filhos, a vida aqui se torna bem mais fàcil…Isso nao è verdade.
    Quando um Brasileiro decide morar no exterior por motivos de estudos, jà chega cheio de expectativas, pois sabe que veio com um objetivo. Mesmo que goste da vida aqui, vai atè o momento que està bem, curtindo a cidade, e tudo que um pais Europeu pode oferecer. Mas, quando toda essa fase passa, e as pessoas começam a ver as dificuldades que o pais, sabe que pode voltar. Porque ali no Brasil tem sua familia e està voltando para a pàtria.
    Como existe caso de pessoas que vem apenas para granar grana que no Brasil passaria uma vida, e adora estar aqui. pois sabe que è apenas uma passagem, uma experiencia, mas o pensamento è sempre de construir algo no Brasil. Entao aqui trabalha, ganha dinheiro, faz cursos, curte a vida, faz viagens maravilhosas, mas quando a fase do deslumbramento passa, a ficha cai!
    Sai do Brasil hà 2 anos atràs,onde gerenciava um banco, tinha amigos maravilhosos ( Tenho ainda), minha familia e lazer. Logico que a questao segurança sempre foi um problema do Brasil, mas estava sempre atenta, com medo, mas tudo bem!!
    Quando tomei a decisao de morar aqui, achei que seria a melhor decisao da minha vida, estava vindo para um pais Europeu, vinha com uma bagagem profissional e cheia de expectativas.
    Sou casada com um Europeu e tenho minha casa propria…Quando estamos inseridos num contexto familiar do pais onde moramos, nos damos conta de como è realmente a situaçao, nua e crua!
    Os Europeus sao frios, detestam estrangeiros, eles dizem que nao gostam somente dos Africanos ou Marroquinos, mas eles nao suportam nenhum tipo. Digo isso com extrema sabedoria, pois vivo no meio deles. Aqui fazemos amizades e muitas vezes nos orgulhamos, tenho amigas Italinas, espanholas….Gente, alooooooo, aqui ninguèm è amigo de ninguèm, eles sorriem para vc e quando vc dar as costas eles te julgam….
    Quando vc diz que aqui eles trabalham para viver, realmente concordo, pois aqui se trabalha somente para comer e pagar as contas, nao sobra quase nada para luxos, porque aqui pagamos atè para respirar. Tem saude publica, tem simmmm, mas sabe que pagamos para usa-la, nao è de graça. Aqui eles cobram atè a ambulancia para te pegar em casa. Depois chega a fatura na sua casa.
    A unica coisa realmente boa è andar tranquila pelas ruas, mas isso depende de onde vc mora, pois nas grandes cidades isso nao è mais possivel…Enfim, o que eu posso dizer, è que a melhor maneira de conhecer o pais que vc està vivendo, è se inserir no mundo deles, conhecer o que fica atràs dos bastidores, pois tenho certeza que se muitos tivessem a oportunidade de conhecer, começariam a enxergar um monte de problemas, nao iguais ao do Brasil, mas que pesaria muito na hora de tomar a decisao de voltar. E talvez enxergariam bem mais desvantagens do que vantagens de morar aqui, mas isso somente com o tempo, quando o deslubramento das coisas boas que tem aqui passarem. infelizmente no meu caso, consegui enxergar cedo demais. Gostaria de ter demorado um pouco mais, assim ficaria muitos anos encantada com o velho mundo….
    Lembrando que sou muito bem casada, super feliz com meu marido, e ele è o unico motivo pelo qual ainda estou aqui!
    Posso dizer pela minha experiencia aqui, se alguèm queiser vim para estudar venha, nem pense duas vezes, serà uma experiencia enriquecedora, fora a bagagem cultural e profissional. Se o motivo for ganhar dinheiro, isso è coisa do passado. Com esse crise muitos Europeus estao frequentando a cruz vermelha para comer, pois muitos perderam seus empregos, e nao tem o que comer em casa. E aqui nao existe, onde come um come dois!! Isso è coisa de Brasileiro!
    Se a opçao for passar uma temporada, para crescer como pessoa, morar fora e aprender nova cultura, venham!! Garanto que voces vao conhecer lugares lindos, viajar bastante ( Precisa ter grana para isso), alguns locais lindos nao precisa de grana, somente de uma bicicleta..Mas, depois voltem para o pais de vcs, para o amor da familia…Para o seu pais que te acolhe tao bem, que com todos os problemas sempre foi um povo unido e guerreiro!
    E posso garantir que morando no exterior, vcs vao enxergar que tinham uma vida linda e maravilhosa, por mais simples que fosse no Brasil, e que è o melhor pais do mundo para se viver. E existe qualidade de vida sim, pois a qualidade de vida depende de vc, como vc quer viver…E garanto que nao existe maior qualidade de vida do que estar com a familia, aqueles almoços de domingo, assistir Tv, conhecer teus vizinhos, pegar o carro ou onibus so com o dinheiro da passagem, e ir a praia dar um monte de risadas com os amigos. :)

    • Glenda DiMuro says:

      Olá Lane! Bom, eu vivo aqui há seis anos e embora não seja nem 1/3 da minha vida, eu acho bastante tempo. Felizmente, minha experiência com os espanhóis é outra… pode ser que eu não tenha que enfrentar uma familia espanhola (sogra, cunhadas, etc) e só tenho (muito) bons amigos escolhidos por mim, e isso me faz ter uma visão diferente da coisa. Familia a gente tem que aguentar, e realmente, minhas amigas brasileiras casadas com espanhóis sofrem bastante. Tudo também depende do seu contexto… a grande maioria dos meus amigos são “americanistas” como eu costumo dizer, gente do bem, sem aquelas tradições racistas e preconceituosas, que trabalham com questões sociais, com cooperação internacional… Eu aqui não me relaciono com ninguém por obrigação, como acontece no caso de você ter uma familia espanhola. Acho que é por isso que não posso reclamar de nada nesse aspecto. Se não me trata bem risco da lista. Acaso no Brasil também não existe preconceito?
      Em seis anos se uma pessoa ainda não se inseriu na realidade, acho que já nem se insere mais! Nenhum lugar do mundo é o paraíso, mas eu tenho uma vida muito linda aqui, que só abandonarei por questões profissionais. Adoro o Brasil, mas o mundo é muito grande para considerar-lo como o melhor país para se viver.

  45. hipócritas says:

    ISSO LANE DISSE TUDO …. SÓ QUEM É FILHO DE ESTRANGEIROS QUE FORAM PARA O BRASIL É QUE TEM A OPINIÃO QUE É EUROPA É MARAVILHOSA E BRASIL É HORRÍVEL

    EU SIMPLESMENTE AMO O BRASIL, E SÓ QUEM SAI DO BRASIL E VAI PARA OUTRO LUGAR É QUE SABER QUE O BRASIL NÃO TEM IGUAL !!!! RACISMO NO BRASIL SÃO GERADOS PELOS SKIN HEAD´S E DESCENDENTES DE OUTROS PAÍSES QUE LÁ SE INFILTRARAM TIPO A ALEMANHA …O SUL É CHEIO DESSES MARGINAIS.. ASSIM COMO A EUROPA TODA …

    BEM VINDA AO BRASIL LANE

    • Glenda DiMuro says:

      Paises q la se infriltraram? Tsc tsc… Se todo mundo no Brasil, exceto os indios, tem alguma coisaa de sangue europeu ou africano! Tenho que discordar…
      nao precisa ser “skin” pra ser racista no Brasil, infelizmente.

  46. Lane says:

    Glenda, vc falou tudooo! Que bom q essa experiencia para vc esteja sendo enriquecedora. Nao existe nada melhor na vida do que escolher onde morar, e quando nao estar feliz, mudar de lugar outra vez. Escolher os amigos e as pessoas que queremos por perto, isso nao tem preço. Com certeza viver em outro pais, aprender coisas novas, fazer somente aquilo que gosta, ter por perto somente pessoas do bem, cria todo um cenario para se viver bem. Se vc conseguiu encontrar seu equilibrio aqui, sua forma de viver bem, isso è o que importa. Afinal, a felicidade è algo que conquistamos, nao existe uma regra, e nem uma receita unica, mas è uma questao de escolhas e atitudes que fazem a diferença.
    Hoje acredito que existem pessoas que nasceram para conhecer novos mundos, novas culturas, e outras que nasceram para estar sempre no seu aconchego. Essa sou eu!!
    Boa sorte pra vc!
    PS: Aproveitando a oportunidade, gostaria que vc comentasse um outro discurso no blog. Como foi a adaptaçao com o clima na Europa. O que as pessoas sentiram com a mudança de clima. Talvez isso possa ajudar muita gente que està pensando em morar fora, ou para os recèm chegados como eu….
    Cada estaçao do ano sao sintomas diferentes de coisas que nunca senti no Brasil, e talvez isso tranquilizasse as pessoas que faz parte do clima, apesar de que cada pessoas possui um organismo diferente e reage diferente.
    Boa Sorte!!

    • Glenda DiMuro says:

      Lane, eu sou do sul do Brasil e, portanto, estou acostumada com inverno e verão. Mas é uma boa sugestão de tema para um próximo post!

  47. Cristina says:

    Até chorei com esse post…muito bom!
    Isso também pelo fato de que ando numa dúvida cruel: voltar ou não?
    Eu nunca quiz, em dez anos, sair da Holanda e voltar ao Brasil mas sinto que a xenofobia tá crescendo demais na Holanda e Europa e dessa forma ficar seria masoquismo tendo em conta o fato de que o Brasil além de minha pátria, é imeeeenso e tá provado que é o país do futuro, apesar de não ter se tornado, ainda, um paraíso para se viver. Mas lá não tenho que ouvir ninguém dizer ou insinuar que sou uma estrangeira tomando trabalho de alguém ou que vim me beneficiar da economia deles. E ainda teria o sol, família, minha lingua-mãe, e nada de regras e leis que até tornam um país organizado e rico, mas escraviza, deprime e tira até a alegria de viver.
    ps: Lane disse tudo que eu poderia dizer sobre viver na Europa e minha situação é quase a mesma que a dela, só vivo a mais tempo e ainda tenho um filho, o que torna a decisão de voltar mais complicada.

  48. Renata says:

    oi glenda

    achei seu blog por acaso.. gostei bastante do que escreveu. A minha estoria eu vivo ha 5 anos na australia e nos primeiros tres anos amava muito aqui, pois no geral os australianos sao bem receptivos a estrangeiros, e a lei nos protege tb, enfim na minha humilde opiniao acho que tentar a vida na australia e uma boa opcao pra qq um pois se tem emprego com bons salarios e oportunidades, muita qualidade de vida e a receptividade do povo por aqui. Mas no entanto nesses ultimos dois anos ando com sentimento imenso de solidao e vazio pois sinto muitas saudades de conviver com a minha familia. again amo meu trabalho aqui e vida que levo, e isso pesa muito na decisao de voltar ao brasil e comecar do zero novamente.. porem a vida vai passando e aqui sinto que to perdendo esses momentos preciosos da vida ao lado dos meus familiares.. ficar ou voltar de vez? complicado ainda nao decidi..

    bj e boa sorte na espanha!
    renata

    • Glenda DiMuro says:

      Pois é Renata, às vezes também fico pensando que estou perdendo momentos junto a minha família. É o preço alto que se paga… Não se pode ter tudo nessa vida…

  49. Ótimo texto, parabens Glenda. Conheci seu blog por acaso :)

    Estou a 4 anos na Irlanda, encontrei muita similaridade, muito questionamento em comum mas estou entre voce e a Rita. Tenho um cargo de lideranca em uma multinacional americana e tenho trabalhado além das 40 horas semanais.

    Mas é fato também que um de nossos valores aqui faz todo sentido: Work hard, play hard. Vivo infinitamente melhor que no Brasil, e isso nao tem relacao nenhuma com ter um imóvel, ter um carro, pois moro de aluguel e vou trabalhar de bicicleta.

    Aliás, vou trabalhar de bicicleta e as vezes encontro meu chefe, diretor, pedalando pro trabalho também. Nao existe status ligado a bem material (carro do ano, roupa de marca, etc).

    Nao vou repetir tudo o que falou, pois concordo e é o que vivo aqui. E respondendo sua pergunta, que já me fizeram várias vezes:
    “Voce pensa em voltar pro Brasil ou vai morar na Irlanda pra sempre?”
    A resposta é: Nem um nem outro. Nao pretendo morar na Irlanda pra sempre, mas isso nao está diretamente relacionado a voltar para o Brasil.
    O mundo é grande demais pra se limitar a 2 destinos. Já vivi 20 e poucos anos no Brasil, 4 anos na Irlanda. Porque nao alguns outros anos em outro lugar? :)

  50. Paulo E. Apgáua Baumgratz says:

    “Ask not what your country can do for you, ask what you can do for your country” John F. Kennedy. Findo estudos na França e retornarei ao nosso país simplesmente por ser brasileiro e, como tal, acredito que lá terei maior chance de colaborar para um Brasil menos imperfeito. Esse fardo é nosso. Não conseguiria jamais fechar os olhos para nossa terra!

  51. Júlio says:

    Compartilho do seu pensamento, principalmente depois de ter retornado das férias no Brasil. Que bela reflexão!

  52. Lili says:

    Olá Glenda!
    Maravilhoso texto! Uma crítica sincera, ponderada, sensível.
    Cheguei na tua página via facebook (um amigo meu “gostou” e eu cliquei pra ler); sou brasileira, professora de francês língua estrangeira, vivo no Canada há quase 6 meses, em Montréal mais precisamente… Estou organizando tudo pra imigrar definitivamente, porque minha alma achou seu lugar e sua paz… minha vida é aqui.
    Fiquei comovida com teu relato, partilho das mesmas impressões: sei que serei sempre uma imigrante, terei que correr atrás afim de ter meu lugar ao sol… mas, estou pronta pra recomeçar. Aqui, posso fazê-lo sem medo nem vergonha: meus 36 anos são considerados e respeitados pela experiência de vida que representam… sou jovem e estou no ponto pra redirecionar minha profissão, decisão comum e vivamente incentivada nesta sociedade. Eu quis sair do Brasil… foi uma decisão consciente uma vez que minhas prioridades se delinearam de outra forma: sinto uma necessidade vital de segurança, de paz, de liberdade… Aqui, posso ser simples e viver dignamente… pego metrô e ônibus todos os dias (sempre pontuais); volto pra casa à pé, de madrugada, sozinha, sem olhar pra trás; muitas opções culturais são ofertadas gratuitamente, bibliotecas, videotecas, espetáculos de rua… enfim… é só escolher; os carros param quando você coloca o pé na faixa de segurança; uma pessoa no ônibus ou na rua entendeu que você está perdido (às vezes você nem precisa perguntar, basta ter aquela expressão de desorientado no rosto) e te oferece ajuda (e mesmo te acompanha até onde você precisa ir); senhorinhas e senhorinhos (com ou sem seus cachorros) batem papo com você no parque, andam lentamente (com ou sem suas bengalas), e têm seu tempo devidamente respeitado; de maneira geral, agentes de segurança têm aspecto severo, rígido, mas são extremamente gentis e honestos se você necessitar de auxílio… Posso enumerar uma imensa lista de qualidades, mas creio que o essencial para as relações quotidianas, valores como respeito e tolerância, são a base fundamental desta sociedade. É evidente que nem todas as pessoas agem da mesma forma cordial, mas é uma atitude incomum. E, ainda que eu considere as outras dificuldades, elas são menos difíceis de superar aqui do que em meu país natal.
    Enfim, lendo tuas reflexões, combinando-as com as minhas, e com as de tantas outras pessoas que tenho encontrado, observo que quando certos valores humanos e sociais tornam-se prioridade, e você pode encontrá-los e desfrutá-los além das fronteiras do Brasil, fica mesmo difícil querer voltar para lá…

  53. moises says:

    Para todos aqueles que falam que preferem a europa ou qualquer outro pais por todos esses motivos bobos descritos acima eu digo, voces tem mesmo que ficar por lá, vao mesmo e nunca mais volte para nosso pais, pois pessoas como voces nao merecem ser chamados de brasileiro, tenho certeza que pessoas como voces nao vao somar nada para o Brasil.

    • Glenda DiMuro says:

      Olá Moises! Já ouviu falar em livre arbítrio? Que que tem a ver preferir viver em outro lugar com deixar de se considerar brasileiro? Eu hein… cada uma!

      • Leila says:

        doido, doido, muito doido esse cara ai!
        Fugiu das aulas de interpretacao de textos!!!

      • moises says:

        Na verdade não tinha lido o texto direito, e retiro as minhas palavras e admito que foram grosseiras para uma conversa que vinha num nível muito bom. Mas a verdade que fico muito p!!! da vida quando vejo texto na internet fazendo comparação do Brasil com outros países para dizer que o Brasil é menos melhor ou algo do tipo, ai foi por instinto, respondi sem pensar muito. O teu trabalho esta muito bom, porem não posso concordar com a sua opinião, mas ai é como você disse, livre arbítrio.

    • Mari says:

      Nossa, que mente fechadinha a sua hein.
      Eu acredito que tudo na vida é uma questão de felicidade, as pessoas precisam se sentir felizes, cada um do seu próprio jeito, com as suas próprias necessidades. Não importa o lugar, o trabalho, o dinheiro ou os bens materiais, se a pessoa é mais feliz vivendo longe que vivendo no Brasil, tendo mais ou menos dinheiro, qual o problema? Há quem não precise de muito pra ser feliz, coisas simples bastam. Na minha opinião, o brasileiro trabalha demais e é apegado demais aos bens materiais, conheci muitos “gringos” que largaram tudo, e mesmo com pouco dinheiro, foram percorrer o mundo, brasileiro não faz isso porque tem medo de nunca mais conseguir um emprego quando voltar. E pra mim, trabalho demais não é felicidade, mesmo que isso signifique ganhar mais.
      O conceito de felicidade é diferente pra cada um de nós, de acordo com as nossas necessidades e objetivos.

    • Tatiana says:

      Moisés …enquanto eu for obrigada a votar mesmo morando fora do Brasil eu terei o direito de falar sobre o Brasil , de opinar se o país é bom ou não , e principalmente escolher se quero viver lá ou não . O que você postou é muito mais preconceituoso que a atitude de muito europeu .

  54. Luciane says:

    Glenda, simplesmente amei o que a Lane escreveu!!! Acho que viver como estudante é muito diferente de viver como imigrante.Acho que seis anos ainda é pouco tempo neste contexto.Vou pra Europa todo ano, já visitei 20 países e por mais que veja qualidades, nunca consegui me deslumbrar com a ideia de morar aí.Sou filha de português com alemã e, assim como os europeus, sou completamente deslumbrada com o calor humano do brasileiro. O que vejo aí não é ausência de preconceito, mas um preconceito mais velado, inclusive contra homossexualismo. Vc está comparando um país que vc conhece profundamente com uma cidade de porte médio da Europa. Acho uma competição desigual para o Brasil. Esse papo de pisar na faixa de pedestre e os carros pararem não é verdade em vários países da Europa. França e Itália, por exemplo, te atropelam fácil! A única coisa que concorda não ter comparação é a violência. De fato, a Europa vence disparado. De qualquer modo, se vc resolver continuar por aí depois de terminar os estudos, vou esperar um novo post sobre a vida de imigrante! Boa sorte!!!

    • Glenda DiMuro says:

      Quem me dera levar uma vida de “estudante” Luciana. Já trabalhei bastante, meu marido segue trabalhando e convivo com muitos espanhóis. Em nenhum momento eu generalizei, ou quis generalizar, apenas comparei a vida que levava no Brasil e a qu levo aqui, cada uma com as suas dificuldades. No final, fico com a qualidade de vida como prioridade, ainda que talvez por questoes profissionais eu tenha que um dia voltar. Acho muito diferente a percepção de uma pessoa que vem fazer turismo de outra que enfrenta os problemas, que nao sao poucos, do dia a dia… E sendo assim, 6 anos ou 6 meses fazem a diferença. A grande maioria do pessoal que tem a experiencia de morar fora pensa mais ou menos parecido. Nao é facil deixar a vida de regalias que se tem no Brasil, nem muito menos abandonar os privilegios que um alto cargo no Brasil lhe permite, para viver numa sociedade muito mais igualitaria que a nossa. Mas no final das contas, alguns (nao todos) conseguem achar que isso é o que realmente importa para ser feliz.

  55. Camila says:

    So li alguns comentarios, mas foram suficientes p ver como algumas pessoas conseguem distorcer e complicar as coisas: essa é a SUA opniao, suas experiencias…gostaria de ter a liberdade de acrescentar a essa belissima opniao o fato ainda de, como é bom viver em um lugar em que as pessoas sao cordiais e se respeitam a ponto de nao ficarem achando ou opnando na sua vida!! Ohhhhh gente chataaaaa!!! Lindo texto flor, faço minhas as suas palavras from Dublin-Irland :) x

  56. André Luís says:

    Boa noite. Vi um amigo meu postando essa sua reflexão no Face e resolvi ler. Gostei MUITO! Concordei em muita, se não dizer na totalidade, com o que você disse. Tudo MESMO! Queria muito poder viver o que você passou e está passando, porque com certeza deve ser maravilhoso! Tenho muita vontade de conhecer mesmo não a Europa mas o Japão ou Coréia do Sul. Um dia conheço…. queria deixar apenas um comentário com relação a não ter que ter muito dinheiro para ser feliz… me dói muito ter que dizer isso, mas no Brasil, a nossa felicidade depende muito de dinheiro! Principalmente para se conseguie sair e chegar vivo em casa! Infelizmente é nossa realidade…. muitos não concordariam comigo, mas a situação me faz pensar dessa maneira…. um grande ABRAÇO!!

  57. denise cruz says:

    Glenda PARABÉNS! nossa que texto…até parece que fui eu quem escrevi. Acabamos de voltar da España (eu, meu marido e a Guria (nossa cachorra que adoptamos na españa), vivi en Málaga (MARAVILHA), motivos reais da volta? a Familia. Concordo contigo en TUDO, mudei minha visao do mundo! Trabalhei como camarera todo o tempo que vivi lá. Sou formada em direito mas continuaria trabalhando como camarera para ter a qualidade de vida que eu creio no Brasil ñ chegaremos a ter. Nao canso de dizer SEGURANÇA PESSOAL isso ñ tem preço. La eu vivia sem medo, andava pelas ruas com minha mascota as 3 da manha, AQUI? em um mes que voltamos ja estou vivendo com medo e isso que moro em Curitiba cidade linda e em comparaçao com outras capitais é a mais tranquila. Espero poder manter contacto contigo. Um beso, Denise

  58. Giovanni Alonso Capacci says:

    Olha parabens Glenda, neste texto vc conseguiu passar o q exatamente eu e mtos que tiveram a experiencia de viver em outro pais sentem na hora de voltar ou depois de jah estar aqui.
    Curti muito seu texto e tambem gostaria que mais brasileiros conseguissem viver fora do pais para ter uma visao mais ampla do que acontece por aqui e tentar mudar.

  59. Joao Lucena says:

    Glenda, o seu texto chegou a mim por uma acaso. Um amigo passou um link para o meu facebook. De qualquer forma, quero te parabenizar pelo lindo texto e ao mesmo tempo, posso afirmar que 90% dos brasileiros que vivem fora e tem um pouquinho de conhecimento sobre essas duas realidades que você colocar no texto, também pessam igualzinho a você. Vivemos divididos, pois lá está a família que tão preciosa e aqui está a segurança de poder ir e vir sem ser assaltado. Quem realmente quer voltar ao Brasil? No meu caso então nem penssar…. Mas valeu mesmo o seu texto.

  60. Priscilla Ochoa says:

    Parabéns pelo post querida, e estou compartilhando, ok ?! Você expressou aqui minhas palavras diárias… Na verdade, o que falta no Brasil é respeito! Que as autoridades não tem com o povo… Eu tenho cidadania Espanhola, familia espanhola, sempre vou e volto pro RJ, pq tb, sinceramente não consigo ficar muito tempo longe, mas nada que a decência de países educados (mesmo que em declínio) pra te fazer enxergar, o quanto de problemas o Brasil tem…
    Acho que todo mundo tem que ter a experiencia de sair do Brasil, nem que seja 1x pra poder entende! Como dizia o poeta: grande demais para nascer e morrer no mesmo lugar
    ;)

  61. Olá!!

    Adorei o seu texto, eu moro na Irlanda há 1 ano e 4 meses e estou vivendo esta mesma situação, voltar ou não voltar ao Brasil? Estou entre a qualidade de vida e a minha carreira profissional, tb sou blogueira e escrevi algo parecido com isso hoje.

    Parabéns!!

    Att,

    Luciana Sousa
    http://www.jornadapelairlanda.blogspot.com

  62. Leila says:

    Glenda, me indentifiquei muito com o seu texto. Sou obrigada a compartilhar ou envia-lo a Minha familia e amigos para explicar Minha resistencia em voltar ao Brazil ( Que pra mim ja se escreve com Z).
    :) abraco!

  63. Larissa says:

    Gostei muito do seu texto e não quero desrespeitá-la, mas há algo de muito sutil sobre o que você não comentou talvez porque, pela sua argumentação, não valha a pena ser discutido, mas essa Espanha “que apesar de todos os seus problemas, consegue ser mais justo e respeitoso que o mundo onde nasci.”, como você disse, só o é porque seus habitantes, como os velhinhos bebendo cerveja “(sem álcool)”, lutaram para que a desigualdade, as injustiças e a condição de vida fosse melhor para todos os espanhóis. Não julgo sua decisão em não participar da construção de um Brasil livre de suas injustiças, mas escolher participar não é “ingenuidade” como você apontou, muito pelo contrário. Trata-se de força, de querer crescer com os outros, de fazer as coisas acontecerem, nem que pra isso seja necessário 20, 30, 40 anos. Eu vejo essa mudança acontecer e fico feliz por ter decidido voltar para o Brasil e ajudar no que for possível. Não somos ingênuos: somos lutadores, como os milhares de espanhóis que lutaram contra sua ditadura, por exemplo, e reconstruíram sua história.

  64. bia says:

    Oi Glenda! Adorei seu texto, me vi mto nele, moro em Londres a oito meses, confesso que sinto saudades do Brsail, principalmente e talvez unicamente da minha familia e amigos. A vida em Londres nao é um mar de rosas, as coisas sao dificeis as vezes e em sao paulo posso afirmar que tinha mais conforto, mas a liberdade que tenho aqui nao tem preço, meus pais nunca me impediram de fazer nada, mas aqui eu tenho uma liberdade total, em todos os sentidos,por isso deve ser tao dificl voltar

  65. Kleigston says:

    Olá, li seu texto por casualidade e, com todo o respeito, não consigo aceitar que digam, da maneira que for, que na Europa pode-se viver “sem luxo”. Como falar isso vivendo em uma economia de um país de 1º mundo? É incoerente! Como falar isso vivendo em um país que explora grande parte da matéria prima que utiliza de países sub-desenvolvidos como o Brasil por exemplo? Esta é a questão! Viver em um país que oferece tanta tecnologia, saneamento, segurança, etc., ISSO NÃO É LUXO? ISSO SIM É LUXO! E esse luxo só ocorre as custas da mais valia do povo brasileiro e de outros países subdesenvolvidos que “historicamente” têm sido explorados não só pelo povo Europeu mas por tantos outros países desenvolvidos. O Brasil só possui estes problemas que citastes no texto justamente por culpa dos Europeus e Norte Americanos que há muitos anos vêm utilizando nossas riquezas e explorando nosso povo. Com todo respeito, seria bom refletires sobre teus conceitos!

    • Glenda DiMuro says:

      Tenho plena consciencia sobre a divida ecologica e cultural dos paises desenvolvidos, mas no caso do Brasil acho que a sua situaçao nao se deve apenas a causas externas e exploraçao de países desenvolvidos. O Brasil é corrupto e ao mesmo tempo forte economicamente suficiente para mudar, falta é vontade politica e luta da sociedade. Se estivesse comparando com um pais da Africa ou outro pais pobre da AL te daria toda a razao, mas no caso do Brasil nao concordo.Somos a 6 economia do mundo e estamos lá pelos 80 em IDH… Isso é muita incoerencia…

      • babi says:

        Isso ai. E iria mais longe ainda… Porque acho que o problema e que a corrupcao no Brasil esta em todos os niveis da sociedade em grau menor ou maior, e isso e que e muito problematico. Nao digo que todo mundo e corrupto, claro que nao, mas que nao e um “privilegio” dos politicos. Esta presente no cara que suborna um policial, no que sonega imposto, etc., etc., etc.. Nao que nao facam isso aqui (Australia), mas as pessoas tem mais consciencia do seu papel na socidade, que o Governo nao e responsavel por tudo. Que o imposto e dinheiro de todo mundo, coisas assim. Inclusive aqui o pessoal dedura a torto e a direita se sabe de alguem que age de ma fe (sonega, por exemplo). Tem ainda que a conscientizacao ecologica na pratica e ainda minuscula: varrer calcada com agua, tem absurdo maior? E se ve a torto e a direita no Brasil… Nao da pra ficar colocando a culpa nos outros mesmo. Enquanto for assim, nao melhora mesmo. Cada brasileiro tem que reconhecer o seu papel. So entao o Brasil tera chances de realmente melhorar.

  66. Natan Fioravanti Balceiro says:

    Ola Glenda!!

    Voltei a pouco tempo para o Brasil depois de passar 1 ano e 3 meses morando em Lyon, na França, e tive exatamente as mesmas reflexões!!

    La eu não podia falar que tinha luxos, pois ganhava pouco com meu estagio e ralei muito pra me manter, mas nada pagava a beleza de voltar todo dia de bicicleta e atravessar aquela cidade linda com segurança, voltando a para casa a qualquer hora da noite. A tranquilidade de trabalhar, mas ter tempo livre o suficiente para a proveitar bem a vida, ou amigos e o que a cidade tinha pra me oferecer.
    Poder juntos uma graninha pra fazer viagens na base da carona, albergues baratos e couchsurfing e ter experiências incriveis com pessoas incriveis em lugares que eu nunca conheceria se viajasse como turista “convencional”, gastando uma grana preta…

    Agora estou ainda na fase “pos-erasmus”, tentando me readaptar, mas é beem dificil… Até porque, depois de um tempo assim conhecemos pessoas que realmente não queremos deixar pra tras.

    Enfim, infelizmente ainda tenho uns 2 anos pra terminar o meu curso de engenharia, mas apesar de estar lotado de aulas pra fazer o dia inteiro resolvi me aplicar pra conseguir trazer e popularizar o uso das bicicletas no brasil e, desde que voltei, estou me engajando, praticamente de graça com uns caras que ja estavam começando isso por aqui.
    Mesmo morando em sao paulo e sabendo que é uma missão dura fazer com que o povo respeite e seja realmente viavel trazer tudo isso pra ca, levo isso como meio que uma esperança de poder tornar o lugar que vivemos aqui um pouquinho mais parecido, tranquilo e humano, como eu sentia que era na europa.

    Infelizmente, ainda não tiva a oportunidade de conhecer sevilha, mas tenho uma boa amiga que mora por aih e depois de tanta propaganda dela, quando puder voltar, vou ser obrigado a dar uma passada nessa cidade que parece tão bela!! =)

    E pensar que os europeus ficavam sempre surpresos quando eu dizia que não queria voltar pro nosso pais que eles acham ser tão bom (e é, em varios aspectos, mas infelizmente os pontos negativos pesam bem mais do que os positivos!!).

    Te compreendo completamente, mas cada vez mais fico dividido entre me esforçar pra manter os valores que aprendi aqui também ou logo que surgir outra oportunidade, voltar pra europa pra ser feliz vivendo mais e tendo menos.

    Caramba, escrevi muitoo!!! Malz, foi soh um desabafo.

    Um prazer ler seu texto e ver que não sou o unico!!

    Beijos

  67. CONCORDO EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU.
    JÁ PASSEI POR ISSO E SEI MUITO BEM COMO É.
    TAMBÉM MOREI EM PORTUGAL DE ONDE, GRAÇAS A DEUS SAI. VIVI NA ESPANHA ONDE NÃO ME IMPORTARIA NADA EM VOLTAR. E FINALMENTE NA INGLATERRA, DE ONDE NUNCA QUIS TER SAIDO…

  68. Sara says:

    Nossa, que bem escrito e voce conseguiu colocar em palavras muito do que eu pensava e nao conseguia expressar. Por outro lado, acredito que eh importante admirar o modo de vida e assumir que se eh feliz vivendo como voce se disse “no mesmo predio de um catador” de lixo, trablhando para viver, nao se importando com unhas e cabelos…” mas para mim o grande desafio eh saber praticar isso em qualquer lugar do mundo que vc estiver. A minha opniao eh que nos moramos fora e nos sujeitamos aqui coisas que nao nos sujeitariamos no Brasil. Como por exemplo, conheco brasileiros que dividem casa com 3 ou 4, nao tem carro, trabalham aos fins de semana, nao frequentam os “melhores” lugares, … sem problemas com isso. Mas como comparar a vida desse brasiliero no Brasil se la ele mantinha uma vida com todos os luxos?! carro, restaurante, baladas pagas, bebidas,teatros, viagens, hoteis (sendo que aqui frequentam hostels). Eu moro fora do Brasil, e entendo exatamente o que vc esta dizendo mas sinceramente acho injusto o tipo de comparacao que eh feito. Porque todos os estrangeiros que eu conheco aqui que tem carro, vao no salao todo final de semana, frequentam bons restaurantes, viagens, hostel e frequentam boas night clubs precisam trabalhar muito para isso.
    Sim, indiscutivel o fator “seguranca”, Educacao e outras coisas …mas o Brasil eh uma crianca comparado a Europa, e um gigante comparado ao tamanho da Europa.

    Parabens pelo texto,

    SAra

    • Glenda DiMuro says:

      Concordo Sara, a dificuldade está em colocar todos esses valores na sua vida no Brasil, onde a diferença de classes te “obriga” a manter certos luxos. na minha opinião, quando eu vivia no Brasil, talvez por ingenuidade ou imaturidade, pensava que esse estilo de vida cheio de “necessidades” era o único que existia. Unhas, cabelo, porteiro, empregada, empacotador fazem parte do cotidiano de uma pessoa de classe média (viu, aqui essa história de classes, pelo menos na Espanha, nem existe tal como nós conhecemos). No meu caso, foi necessário sair da minha bolha para me dar conta de que isso não é sinônimo de felicidade, porque aqui mesmo não tendo nada disso, sou feliz. É a minha versão dos fatos e obviamente, está cheio de gente que pensa e vive diferente, inclusive aqui na Espanha. Talvez estes estrangeiros que tu conheces por aqui não conseguiram se libertar desses valores (ter é melhor que ser)… e seguem levando a mesma vida de antes.

  69. Ramon Cliquet says:

    Parabens pelo seu artigo. Muito bem escrito e pensado. Moro na Australia e aprendi todas as coisas tambem. No primeiro eu so pensava em voltar, no segundo eu pensava em ficar so mais tempinho, no terceiro eu ja nao sabia mais o que eu queria. Hoje penso em ficar ou continuar a morar fora e continuar aprendendo. Tambem acredito que todos deveriam ter essa experiencia (que para os autralianos e normal antes de comecar uma faculdade).

  70. Anderson Felippe says:

    Primeira vez que leio seu blog, compartilhado por amigos de intercâmbio no meu Facebook. Em não muitas linhas, você foi a porta-voz de milhares de brasileiros que estão vivendo ao redor do mundo, tentando entender a si mesmos e buscar um lugar ao Sol. Sempre que alguém me perguntar: “E você não tem saudades ou vontade de voltar para o Brasil?” eu enviarei este link. Não poderia ter sido escrito de forma melhor! Parabéns! =)

  71. Denise Philbois says:

    Adorei. Perfeito! Morei seis anos fora do Brasil e percebi mais claramente que aqui no Patropi a cultura do ter predomina sobre a cultura do ser.

  72. Hernani says:

    Parabéns ! Um otimo texto que todos nós com experiencia internacional gostariamos que nossos próximos lessem

  73. Joana Benites says:

    Oi Glenda! Simplesmente amei teu texto! Morei em Barcelona por 1 ano e meio e voltei para Porto Alegre/RS há cerca de 6 meses. Impossível não ler teu texto e compartilhar das mesmas sensações que tu descrevestes. Compartilhei com muitos amigos que também já voltaram de viagem e de outros que ainda estão por ai. Sucesso total entre eles. Parabéns novamente!

  74. Marilene says:

    Acho que todos nós que vivemos fora do Brasil e que ainda vive,é muito dificil retornar e se readaptar,mas uma coisa é certa nada como nossa família por perto para nos dar apoio!!!

  75. Luiz says:

    Até concordo com o texto , mas o que seria dos países que possuem maior qualidade de vida HOJE , se na época em que não possuíam , seus moradores saíssem do país em busca de outro com qualidade de vida superior . Não acho certo nós brasileiros simplesmente sair do país em busca de melhor qualidade de vida em outro . Temos que ficar , lutar , trabalhar , para melhorar nossa pátria , e se todos fizermos , país nenhum no mundo terá a qualidade de vida que teremos .

    • Glenda DiMuro says:

      Olá Luiz! Eu não vim pra cá buscando qualidade de vida, vim procurando novas experiências. Só tinha vindo uma vez à Europa com 18 anos e não sabia nada de nada do que iria encontrar por aqui. Vim, vivi e gostei! Infelizmente, no Brasil de hoje não encontro essa qualidade que eu vi aqui, essa forma que se vive e que para mim, não que seja a maneira 100% ideal de viver, mas a que mais se aproxima do que eu hoje considero uma vida tranquila e feliz. Outro problema é que muitas das coisas que se vive pelos lados de cá independem da força de vontade de cada um e de uma cidadania ativa, é muita coisa ligada às políticas públicas e todo mundo está careca de saber que o Brasil está a anos luz de se ver livre da corrupção que nos afunda socialmente.

  76. Luiz says:

    E para aqueles que não querem voltar , por favor , quando formos um país decente , NÃO VOLTEM , POR FAVOR , NÃO VOLTEM !!!!!

  77. Alexandre Bacelar says:

    Muito bom e tocante seu texto ;) vai me fazer repensar muito. Vivo ha 1 ano e meio em Montréal.

  78. Luiz Felipe A. Silva says:

    Excelente seu texto, já passei para vários amigos lerem. A verdade é que você tem que se atentar que vive em uma das melhores regiões do mundo (no meu ponto de vista) relacionados com qualidade de vida. Digo isso porque vivi por um tempo em Málaga, que é perto de Sevilha, e é tudo isso que você falou e uma coisa que você não disse: os espanhóis tem muito calor humano como os brasileiros (coisa que senti falta em outros países que vivi). Voltei pelo motivo que você ressaltou: porque não voltar e tentar ajudar a mudar para nossa qualidade de vida aqui aumentar. Seria utopia?? Não sei, mas vou morrer tentando!

  79. Roberta Vieira says:

    Acho deprimente essa visão burguesa de classe média deslumbrada na Europa… Sinceramente você acha que a vida na Espanha pode oferecer mais perspectivas, a longo prazo, que a vida no Brasil? Acho ingenuidade pensar assim… Será que uma vida numa cidade pequena (Valinhos…), com um bom emprego não poderia te proporcionar essa qualidade de vida e tranquilidade que você busca? Acho triste que ao invés de antropofagicamente nossas mentes aprenderem o que o velho mundo tem para oferecer e dar de volta ao Brasil o que aprendeu lá fora, se empolgar com essa perspectiva de mais “qualidade de vida”. Mais que triste é egoísta. Imagino que um pai ou mãe pagou pelos seus estudos, esperando o melhor para ti. E essa visão “bem pobre” é que vc oferece de volta? Morei em Londres em 97 e quando voltei, confesso que em alguns aspectos o Brasil me entristeceu. Foi difícil ter que ralar, com salário baixo de começo de carreira. Mas depois de 15 anos aqui não me arrependo. O Brasil vai crescer e graças a brasileiros que não tem medo de trabalho. Gente que pega ônibus e não vive essa parada de bicicletinha com cheiro de hortaliça. Vamos parar de hipocricia. Oportunidade tem para todo mundo que batalha. Aposto que aí na Espanha você e outras brasileiras deslumbradas que conheço e trocaram a vida “difícil” aqui no Brasil por um empreguinho de garçonete na Espanha onde vc será sempre estrangeira. Em Terra Estrangeira. Não vou dar dicas, porque há muito descobri que diferente de Platão eu só sabia que nada sabia, como Cervantes eu nem sei se nada sei…Mas tenta fazer um projeto para resolver a questão da cracolândia no centro de Sampa. Essa conversa de falta de projeto é coisa de gente que cresceu com Sucrilhos no prato, como bem disse o poeta Criolo.

  80. Fred Neumann says:

    Olá, Glenda,

    Tudo jóia? Uma amiga minha, a Florence, que mora em Montreal, Canadá, enviou seu texto no Face, como a resposta dela sobre voltar para o Brasil. Eu a respondi com a minha visão, e achei legal compartilhar contigo, leia abaixo. Um abraço!

    “Florence, um amigo meu disse uma frase que acho fantástica: “a melhor cidade para se morar é a cidade onde você mora”.
    Como você sabe, morei por 1 ano (aos 17 anos) no Canadá, e depois mais 1 ano em Sidney, Australia( aos 23 anos). Esta frase que meu amigo disse vale para países também, claro. E eu me pergunto: porque eu voltei para o Brasil nas duas vezes? Por que amo morar aqui? Por uma razão simples: eu amo morar onde estou morando. Caso esteja insatisfeito, mudo de local. No texto da Glenda Dimuro, tem vários trechos que mostram razões ótimas para ela voltar ao Brasil. Uma delas, que é fortíssima mas relevamos quando viramos “gringos”, é poder finalmente trabalhar como arquiteta. Veja este trecho:” Que imigrante é uma classe de pessoa que tem que correr atrás do prejuízo, que tem que lutar muito para conseguir se estabelecer e que, por questões que fogem as suas capacidades, nem sempre consegue o seu lugar ao sol.”Acho isso cruel, Florence. No seu país de origem, não tem isso. Eu estava infeliz em Araxá por uma série de motivos. Escolhi Aracaju. Hoje acordo, caminho 100 metros e chego no mar, onde caminho com pé na areia, e aquele cenário maravilhoso. Estou cercado de paraísos. Trabalho na minha profissão. Vejo meu país avançar em muitos aspectos, outros não. Como todos países. Por isso, continuo acreditando sempre que ninguém tem razão nunca, pois o que vale é ser feliz, e aí cada um faz sua felicidade do seu jeito. Abraços!”

  81. Marcella says:

    Olá Glenda. Fiquei impressionada com seu post. Pela primeira vez alguém conseguiu explicar para mim o porquê de querer voltar e não aceitar minha vida nova no Brasil.

    Mas em Londres, onde morei, a simplicidade era algo de verdade. Lá você pode ter uma vida cultural por bem pouco, comprar as roupas legais (no meu caso, adoro e aqui no Brasil é tudo um absurdo) Viajar para conhecer o resto do mundo com um salário de garçom, ver pessoas de todos os tipos e não falar nada sobre, pois afinal, somos todos iguais!

    Ao mesmo tempo sei que, sem um passaporte europeu não conseguiria exercer minha profissão(publicitária)na Inglaterra, penso no que vale mais a pena. Viver um vida boa e estável sempre ou passar por apuros no Brasil porém no futuro evoluir financeiramente.

    Bom, só queria te dizer que me identifiquei profundamente com o seu post. Gostaria mesmo de comentar cada parágrafo. Mas infelizmente tenho que voltar ao trabalho!rsrs

    Beijos,

    Marcella

  82. Mariana says:

    Ola a todos! Que coincidencia encontrar todas essas experiencias e ideias bem no momento em que estou com uma otima proposta para voltar ao Rio e outra para mudar para Londres…
    Ja sao 10 anos que moro fora (7 anos em Milao, 1 na Holanda e 2 na Indonesia) e no inicio foi bastante duro! Pode-se dizer que Milao, fora a parte fashion, e a cidade que menos representa os italianos, pelo menos como os conhecemos… Aqui infelizmente na maioria das vezes se encontra pessoas que nao levantam no metro ou onibus para dar lugar aos mais velhos (eu ja fiz e ainda fui insultada pela senhora), nao existe Bom Dia, Obrigada e Por Favor… O olhar das pessoas no metro e completamente vazio, nao transmite nada. De vez em quando pode-se sentir um olhar te fazendo um raio X… Alem disso, e uma cidade muito dificil para conhecer pessoas e fazer amigos. Na Holanda e Indonesia, achei a vida bem mais facil ate porque tive a sorte de ter amigos brasileiros… Isso faz toda a diferenca para mim. Hoje depois de 1 ano que voltei da Indonesia a Italia, e tendo acabado de voltar de ferias no Rio, acho que nao tenho mais duvidas do que quero… Com todos os problemas do Brasil, o calor humano, o gargalhar como nos sabemos fazer, nao tem em nenhum outro lugar do mundo!

  83. Lucas says:

    você conhece Brasília? Eu arrisco dizer, baseado no que você falou sobre a espanha, que o dia a dia aqui é praticamente igual.

  84. Amanda says:

    Glenda, estou emocionada ao ler nas suas palavras a estória da minha vida. Também moro há 6 años duros, felizes, simples e “quase” cômodos em España.
    Em 2005 eu e meu namorado nos formamos em Educaçao Física no Brasil e ao finalizar esse “ciclo de estudantes” nos lançamos na loucura e viemos a Alicante sem conhecer ninguém!
    Estivemos ilegais 3 anos e foi uma experiencia dificil de definir: sem saúde pública, ninguém te dá trabalho, ninguém te conhece!!Volta a nascer! uffff
    Enfim, superado todo este trauma, há 3 anos conseguimos “el permiso de trabajo y residencia”, e há uma semana demos entrada na nacionalidade española.
    Sinceramente, a energía depositada em todos esses tramites, os medos, as inseguranças, e agora a falta de trabalho… não tenho nenhuma expectativa de vida na Espanha, já que as pessoas estão ficando cada vez mais pobres e a a miséria é inevitável. Isso leva a cidades como Barcelona serem tao perigosas, mas de momento, a violencia ainda nao chegou aqui de forma popular como é no Brasil. Vejo que é uma questão de tempo si as autoridades ñ se manisfetarem de maneira prudente, mas ñ vejo soluçao pq a corrupçao española tem cifras gritantes que é uma vengonha!
    Infelizmente ñ sou uma imigrante que anima a ninguém sair do Brasil agora, mas essa aventura de ser “braZileiro” faz o ser humano experimentar sabores que jamais provariam no habitat natural…mexe muito com a cabeça e com o coraçao!
    Voltar ou não…eis a questão! Nós estamos terminando o mestrado, temos um trablho ´de meia jornada e estão pagando super pouco.
    Mais um ciclo está chegando ao fim. Financeramente ñ vale a pena para nós. Mas adoro a segurança de viver na europa. O saber da liberdade nao tem preço!!! Que dificil qdo chega o momento de decidir…e o unico que sei é que NADA SEI! kkkk
    Me empolguei total!! kkkk
    Esterei lendo mais o blog, confesso que ñ sou fã a redes sociais, mas é muito legal compartilhar essa experiencia que também fala “brasileiro” kkkkkk

  85. Fernanda says:

    Meus parabens pelas palavras… explicou exatamente o que sempre pensei morando fora, mas que realmente eh tao dificil de fazer com que quem ficou no Brasil entenda… Muito bem escrito, palavras perfeitas…

  86. Luciano says:

    Parabéns pelas palavras claras, linhas bem escritas, frases bem feitas e coesas… Acabo de chegar de um tour bem longo pela europa, Suiça, Itália, França, e vivenciei muito do que descreve em seu texto.

    Infelizmente no Brasil temos um IDH totalmente icoerente com nossa situação econômica, aqui (afirmo isso com maior certeza), não são apenas os políticos os culpados por tudo isso, mas também o povo, que sempre quer levar vantagem encima de tudo e todos… Talvez, quando começarmos a mudança dentro de nós mesmos, teremos força suficiente pra derrubar esta máquina putrefata do governo, e aí sim, o Brasil se tornará um país digno de ser chamado de pátria! (mesmo que isso seja quase inimaginável).

    Que você tenha sempre muito sucesso em todos os campos de sua vida… Namastê!!!

  87. Sandra de Oliveira says:

    Glenda, me sinto exatamente como voce. Parabens por esse texto maravilhoso!!!

  88. Cintia says:

    Parabéns pelo texto!
    Abs

  89. Luciana says:

    Sempre me pergunto pq voltar? Ainda nao consegui encontrar nenhum motivo e ja estou fora ha 6 anos.
    Obrigada pelo texto muito bem escrito.

  90. Antonio says:

    Glenda,

    Primeiramenete, parabéns pelo texto…Conheço a Europa (não a Espanha), mas alguns espanhóis que comentaram este estilo de vida deles. Recentemente, fui à Montreal no Canadá e, meu Deus, que aula de civilização! Tudo organizado, limpo , (tudo fecha cedo ao contrário da Espanha) e povo muito cortês ( E ok, são latinos como nós brasileiros, portugueses, espanhóis…). O respeito pelo outro, o dom do coletivismo e sobretudo, o que você mencionou o “saber viver”. Trabalha-se lá para se ter qualidade de vida e não para ostentar como aqui no Brasil. É óbvio que pensei em morar lá, inclusive até incentivam se vc tem nivel universitário, mas o que me assusta é realmente o frio! O inverno costuma ser longo, frio e depressivo como vários canadenses já me relataram e que deve ser o contrário da Espanha. Mas acredito que o Brasil está melhorando, mas a passos muito lentos, mas temos que acreditar né e que, se vc vier, que tenha um bom regresso…

  91. Helen says:

    Olá, Parabéns pelo texto, Vc conseguiu expressar um pouco do que eu, assim como muitas pessoas que passaram (passam) por esta experiência de morar na europa sentem. Morei, por sorte, no sul da frança, portanto, em uma região com muita influência espanhola e italiana. Infelizmente voltei ao Brasil a um ano, e descobri que a “depressão pós-europa” existe. É um processo irreversível vc “abrir” sua mente para o mundo que antes achávamos que só existiria no mundo da utopia. Sofri muito, me tornei uma pessoa muito mais intolerante (talvez por ter adquirido muitos hábitos franceses) aos incontáveis problemas existentes nesta terra sem leis. Passei a ter fobias assustadoras aqui, com medo de assaltos, estupros (talvez pelo fato de ter regressado e morado por 4 meses na cidade com o maior índice de estupro do país), fico revoltada em ter que morar em condomínios murados, em ter que ir de carro na academia que fica a 2 quadras da minha casa por medo de ser assaltada. Pode parecer exagero, mas infelizmente esta é a realidade do nosso país. O amo, é claro, com certeza vc tbm deve amar o Brasil. Mas compartilho de sua opinião, seria ingenuidade esperar um país melhor. Mas um detalhe que talvez vc não tenha incluído em seu texto é o tratamento que os europeus dão aos estrangeiros. Eu fui como doutoranda, como vc, fui super bem recebida, muito bem tratada, mas, eu fui com bolsa do Brasil. Mas qdo concorremos com salários dele (ainda mais com a crise que na educação que Sarkozy causou na Fr), o tratamento mudava instantaneamente. Isso ocorreu com mais colegas em outros países como Holanda e Alemanha. Eu gostaria de saber se vc verificou esta diferença de tratamento na Espanha.
    Bem, para finalizar meu comentário: se tiver oportunidade, não volte, por favor. E boa sorte!

    • Glenda DiMuro says:

      Helen, em tempos de crise vira um cada um por si. Acho que é questão de sobrevivência. Isso acontece em qualquer lugar… Felizmente para mim não mudou muita coisa.

    • Waldemar Sidaravicius says:

      Helen, acho que o problema não é o pais, mas vc! Procure um psicologo, talvez vc sofra de alguma sindrome, como a sindrome do panico! Vivo em Santos e não tenho as neuras que vc tem! Tenho 39 anos e jamais fui assaltado!

      • Helen says:

        Waldemar, depois de vc morar em um país que vc pode caminhar livremente nas ruas, em qualquer horário, com segurança, é impossível não sentir medo de andar nas ruas brasileiras. Felizmente eu moro em uma cidade do interior de São Paulo, mas que, mesmo morando em um bairro bom, acontecem sequestros e assaltos constantemente (com direito à assassinato). O problema é que eu voltei e fui morar uns tempos em Recife, em um bairro super perigoso ainda por cima. Só no grupo que eu trabalhei tinham 3 meninas que foram estupradas, sendo que uma delas tinha sido morta. Em 4 meses que morei lá fui perseguida duas vezes. E agora, como vc me explica: teria eu motivo para ter medo de andar nas ruas brasileiras, ou não? Síndrome, ou realidade? Reflita.

  92. Vinicius says:

    Apesar de discordar de alguns pontos, a experiência que tive morando 1 ano em Portugal (frise-se: um dos países mais pobres a U.E.) mostou-me exatamente isso: O Brasil é um país pobre, no sentido político, para com os seus cidadãos. Pobre por deixar seus filhos a mercê da própria sorte. Pobre por abandonar seus cidadãos ao não dar educação, saúde, mobilidade, saneamento… Coisas básicas!
    Também sou arquiteto, então, talvez tenhamos olhares parecidos em relação às cidades que pudemos visitar. Nesse ponto, acho que não há como comparar o pensamento europeu com o brasileiro. A educação para com a cidade, com o coletivo.
    Certa vez li que, no Brasil, as praças, as ruas, os parques, enfim, tudo que é Público não é de ninguém! Por isso, ninguém cuida. Na europa, esses mesmos lugares são de todos! Por isso, todo mundo cuida. Parece uma diferença pequena de pensamento, mas faz uma grande diferença na atitude. E foi bem o que percebi enquanto estive por aí.
    Infelizmente não fui à Sevilla, mas pude rodar bastante por aí. E a percepção não muda em qualquer lugar que seja. Desde a potência Alemanha, até a pobre Estônia.
    Enfim… Parabéns, espero que sua alegria de morar em um lugar que pessoas são respeitadas como deveriam ser.

  93. Gisele says:

    Puxa Glenda, que pena que tenha tido tao ruim experiencia no Brasil e que pense dessa forma. Imagino que tenha adquirido uma qualidade de vida tao melhor e por isso a decisao de nao voltar, mas nao deixe que isso te deixe amarga. Eu moro na Inglaterra ha 12 anos e trabalho na minha area medica ha 10 anos, falo ingles fluente, desfruto de uma vida muito boa, sou solteira, tenho cidadania europeia, enfim tudo o que muito brasileiro gostaria. Mas pra mim o europeu nao me serve – lhes falta humanidade (um dos mais altos niveis de depressao estao no ocidente e isso nao eh por acaso nao), eh humanidade pra mim eh prioridade. Tudo depende do seu ponto de vista entende? Estou voltando para o Brasil, e super feliz com minha decisao, sei de todos os problemas do Brasil (isso nao eh nenhuma novidade eh?) mais ainda assim quero voltar pois a minha prioridade eh outra. Sempre tive uma vida muito boa no Brasil antes de voltar, de classe media mesmo nao era alta nao, e era muito feliz, pois a minha prioridade nao era poder aquisitivo (a prioridade da grande maioria de brasileiros com residencia fora do Brasil, isso mesmo – residencia fora). Nao pense muito nas dificuldades nao, os problemas nao sao geograficos – eles estao dentro de nos. Eh soh mudar sua perspectiva que vai ver o Brasil de outro angulo (e disso eu sei que vc entende). E, least but not last, nada eh para sempre.
    Boa sorte, Gisele

    • Glenda DiMuro says:

      Oi Gisele! QUem foi que disse que a minha experiência no Brasil foi ruim??? Talvez eu tivesse outros valores, ou seguia mesmo os valores de quase todo mundo ao meu redor… E agora tenho outros, e com certeza o contexto serviu e muito para esta minha mudança. O povo aqui do sul da Espanha é bem diferente do inglês e mais parecido com a gente, quer dizer, mais alegre e afetuoso.

  94. Lara says:

    Olá!
    Muito bem escrito seu texto! Concordo com alguns pontos e discordo em outros.
    Hj em dia não se tem segurança total em lugar nenhum. A criminalidade na Europa anda bem alta.
    A crise na Espanha muito tem a ver com as poucas horas que o espanhol trabalha (e em poucos anos não terão opção senao trabalhar mais horas).
    Certamente a Europa de um modo geral é mais culta, viajada, desprovida de preconceitos etc… mas qts anos eles tem de historia comparados a nós??? Estamos engatinhando em muita coisa ainda… mas precisamos ter fé. A natureza não da saltos assim como o Brasil não vai se transformar do dia pra noite.
    Ai é maravilhoso mesmo, mas credito que o que importa é o que a pessoa É!
    Ai ou aqui!

    • ana says:

      Lara , a europa eh desprovida de preconceitos??? nossa…..acho que vc nunca leu um livro de historia na vida!!!

  95. B.A.C. says:

    “Muitas pessoas acham que ter um marido Europeu, filhos, a vida aqui se torna bem mais fàcil…Isso nao è verdade.”

    Não mesmo. Moro numa região “filé mignon” da Alemanha, sou casada com um alemão e tenho filhos nascidos aqui. É uma grande ilusão acreditar que a vida na Europa tem a mesma qualidade para todos, e que a vida no Brasil não tem qualidade para ninguém (afinal, estamos falando de um continente repleto de divisões, e de um país enorme). Afirmar isso categoricamente é uma apresentar uma visão completamente simplista. Respeito o ponto de vista da autora do texto, mas acho que cada experiência é diferente da outra. Colocar nosso ponto de vista como o “único possível, sensato e correto” desqualifica o debate.

    Vejo muitas vantagens em morar na Alemanha sim, mas no início de 2014 estamos voltando para o Brasil. De consciência tranquila e contando com o entusiasmo dos filhos. Por que? Simplesmente porque percebemos há muito tempo que essa política de integração dos estrangeiros não passa de hipocrisia. Trabalho com um bom salário em uma firma daqui, sou naturalizada, falo alemão fluente, mas meus filhos, embora com biotipo europeu, não são “iguais” nessa sociedade. As oportunidades não são as mesmas, nem de longe. E o quesito segurança também deixa a desejar. Vandalismo existe, assaltos a automóveis e em casas de vilarejo também, bem como inúmeros casos de estupro nos metrôes e trens. Além de tudo, a Alemanha é o 2° colocado no ranking mundial de pedofilia – a escoa dos meus filhos recomenda não deixá-los sozinhos em alguns parques urbanos. Sem contar o clima cruel: criar filhos no inverno da Alemanha é uma experiência difícil. Os meninos passam quase o ano inteiro dependendo de roupas pesadas, e só contam com as semanas de férias de verão para aproveitar uma boa praia ou um sol de interior (o que os priminhos do Brasil tem à vontade no dia-a-dia).

    Se a vida em Sevilla corresponde às expectativas da autora, acho muito ponderado da parte dela cogitar ficar por lá. Mas, embora eu goste da Alemanha, não vejo aqui o estilo de vida que corresponda ao meu. As pessoas são cordatas, mas nos julgam se saímos um milímetro do esperado. Falta espontaneidade. Falta calor humano – coisa que o brasileiro tem de sobra, ao meu ver e pelas minhas experiências.

    E a questão profissional pesa muito sim: a firma onde trabalho garante o meu sustento, mas não me paga o mesmo que outros profissionais alemães menos qualificados que eu. O que “dói” não é o dinheiro a menos – que realmente não preciso -, mas a discriminação descarada. Sem contar o descumprimento de certas leis, como a licença-paternidade. A carga horária é alta – sim, na Europa existe muita gente que trabalha 60 ou até 70 horas semanais, desde altos executivos (pela pressão do cargo) até funcionários de fast food e lixeiros (para sobreviver). Sempre achei ingenuidade romantizar a vida na Europa dessa forma. Aqui na Alemanha, pelo menos, um sapateiro não toma café com o bancário, nem a enfermeira é vista em pé de igualdade com os médicos. Acima de tudo: os estrangeiros não são bem-quistos em todo lugar, e tenho poucas esperanças de que isso venha a melhorar, com essa crise assolando o continente.

    Enxergo os encantos de todo lugar onde vou, mas não achei o “paraíso” na Alemanha.

  96. Waldemar Sidaravicius says:

    Oi Glenda,
    Li seu texto, muito bem escrito e não posso deixar de tecer meu comentário!
    Engraçado que tenho dentro de mim um sentimento de orgulho de ser brasileiro bem arraigado!
    Conheco diversos paises da Europa, meus avós eram lituanos, portugueses e espanhois (Galicia) e nao troco meu pais por nada!
    Amo o Brasil, tenho o maior orgulho de ser brasileiro, conheco todos os problemas que aqui temos, apesar de estar cada vez melhor, porem aqui permanecerei, lutando cada vez mais pelo meu país.
    Ao inves de ir pra Europa tentar a vida, sinto-me mais feliz e completo indo para o interior do Nordeste ajudando as familias que necessitam de amor, carinho, alimentos, etc.
    Mas cada um, cada um…………

  97. Vanessa says:

    Um post muito bacana que traduz o sentimento de muitas pessoas que vão morar fora do Brasil e principalmente na Europa.Senti tudo que ela escreveu mas nem por isso deixei de querer voltar ao meu País e encará-lo, com um novo pensamento de com levar a vida,aliás de como saber o que realmente importa para ser Feliz!

  98. Antenor says:

    Sou filho de colonos da região da serra gaúcha. Na decada de 60 o que era mais importante era os homens estudarem uma profissão no SENAI. com isso começavam cedo (14 anos) a trabalhar na indústria. Apesar de ser de familia humilde busquei seriamente um posicionameto profissional aonde não ficasse estagnado num mesmo lugar. Com 18 anos estava buscando trabalho nas grandes empresas em São Paulo. Poucos meses depois estava em Curitiba e mais uns meses empregado em Porto Alegre. com 26 anos fui para São Paulo aonde fiquei 22 anos. Fui muito bem sucedido como empregado muito dedicado e profissional da mais alta qualidade. Não precisei buscar fora do Pais oportunidades pois elas estavam aqui mesmo. É só batalhar.
    Logicamente que paises como os USA, Paises da Europa, chile , Argentina são lugares que diferenciam muito na cultura e que oferecem sub empregos que geralmentos os jovens locais não podem ocupar por estarem na faculdade.
    O mais importante hoje é que quem faz a opção do exterior pense no futuro e como viverá quando chegar.
    O Brasil é um Pais de inumeras oportunidades ao longo da vida, e se soubermos aproveitar com certeza acumulará riquezs suficientes para ter uma boa qualidade de vida em qualquer periodo da vida.
    Boa sorte a todos.
    Abraços
    Antenor
    Florianópolis-SC

  99. É engraçado como você precisou morar fora 6 anos pra perceber algumas coisas simples…

    Aquela coisa, né? Cada um no seu tempo…

  100. Luiz says:

    Olah, Moro na Australia ja faz 5 anos. Sei muito bem o a situacao do post. Aqui como no caso da Espanha as pessoas trabalham para viver e nao vivem para trabalhar. Ao contrario da sua experiencia na Espanha a situacao economica aqui eh excelente e pode-se ganhar muito dinheiro e ao mesmo tempo ter um estilo de vida relaxado e ir a praias paradisiacas todo final de semana, quando nao todo dia.

    Ja sou cidadao e abraco Australia que na minha opiniao eh o pais mais multicultural do mundo. Onde na minha cidade quase 50% da populacao eh de estrangeiros e mais de 75% tem pelo menos um avo nascido no exterior. Portanto a Australia eh um pais de imigrantes. Um pais novo, um conceito que ainda esta para ser formado permitindo ao imigrante tornar-se Australiano, nao soh no papel como de fato. Soh basta querer.

    Economicamente falando ja tenho minha casa (hipotecada), cachorro. Surfo nos fins de semana, e se pudesse poderia ateh comprar um veleiro caso quisesse, portanto tenho um estilo de vida que mesmo vindo dum padrao alto no Brasil, nao poderia levar la mas tenho aqui.

    Mas uma coisa que observo entre muitos brasileiros eh o complexo de inferioridade. Complexo esse que acaba se revertendo e torna-se em arrogancia. Conseguem enxergar defeitos aqui como se esses nao existessem no Brasil.

    A Tv no Brasil ensinou que o brasileiro eh o povo mais alegre e que vida nao existe igual no Brasil. Na minha opiniao soh mais um maneira de controlar o povo. Isso reflete-se nos estrangeiros que nao conseguem ver qualidades em nenhum outro povo se nao o brasileiro. O australiano na minha opiniao eh extremamente receptivo. Quando mudei para minha casa todos os vizinhos vieram me comprimentar e se apresentar e dispor-se ajudar com qualquer coisa. Ainda assim muitos ainda escolhem ve-los como fechados. Preconceitos que foram implantados em nos desde pequenos colocando os povos de origem norte-europeias como carrancudos.

    Isso nao quer dizer que nao hajam idiotas. Mas do mesmo modo que nem todo mundo eh alegre no Brasil aqui tambem nao sao. Eu acho que viver no exterior nos ensina isso (as vezes eu acho que pouquissimos aprendem essa licao, muitos parecem estar dormindo na aula). Nos ensina que gente boa existe em qualquer lugar assim como gente ruim e na minha opiniao em iguais proporcoes.

    Tenho orgulho de ser Australiano pois foi minha escolha vir para ca e lutei duro para estudar e conseguir a residencia permanente e na sequencia a cidadania.

  101. Romi says:

    Olá Glenda,

    Sou estudante de mestrado em Lisboa e caminhando para completar o segundo ano vivido na terrinha. A sensação é a mesma por aqui, apesar da crise iminente, do desemprego disparando e dos primeiros sinais de uma pobreza conhecida aos nossos olhos. Ainda assim, e apesar de ter sofrido preconceito – nossos “irmãos” lusos não são assim tão receptivos com imigrantes brasileiros, tenho dúvidas em relação a voltar para o Brasil. Como você mesma já disse, a única razão real pela qual voltaria a minha pátria amada é proximidade da família e dos amigos. Boa sorte na sua caminhada e bom retorno!

  102. Carol says:

    Ola, seu texto foi lindamente escrito e nos faz repensar sobre muitas vontades e sonhos. MAs acho q a reflexão paira tb sobre em qual país vc está, qual sua prioridade e escolha de vida. Eu por exemplo moro em Washington. Aqui, apesar das leis, eu não posso mais andar tranquilamente as 3 da manhãfora o preconceito com a mulher brasileira pq ou ela é garota de programa/ facil ou ela esta atras de green card. Não sei, tenho saudade de comer melhor e de ter a refeição como horário pra solcializar e matar a saudade dos amigos, ao invés de engolir um sanduiche na minha mesa. Sinto saudade de cavalheirismo, de homem que levanta para uma gravida sentar-se no metro, ou do porteiro que te ajuda a carregar a mala. Tenho saudade de poder acionar um chaveiro e nao me sentir assaltada por me cobrarem $300 pelo serviço. De ir para um hospital onde o medico senta e conversa com vc e te passa um medicamento normal e pede pra vc voltar com 30 dias, ao inves de te receitar uma bomba e sequer pedir um exame para descobrir seu real problema. Tem cidades boas no Brasil e como todo país, todos tem pontos bons e ruins. E creio que podemos levar o que aprendemos de um lado a outro. De dar um abraço ou de porder dar um beijo. De ver uma mãe amamentar seu filho sem ser expulsa do local ou de ter o constante medo de alguem um dia sair dando tiro a esmos pelo simples fato de ter se revoltado com o sistema.
    Estou aqui ha 3 anos e ficarei mais 1 por conta do trabalho e faculdade. Estou aqui legalmente e por opcao mas sei onde é meu lugar e onde me encontro mais feliz apesar de tudo. Onde posso ser eu mesmoa e não tenho medo de demonstrar emoçao.

  103. Livia says:

    Exatamente isso.

  104. Cazeta says:

    “e a gente aqui falando em voltar. Adoraria poder voltar e tentar fazer do meu Brasil um lugar melhor para se viver, mas ao mesmo tempo me sinto muito ingênua em pensar que isso poderia ser possível.”

    Está aqui a parte que eu mais me identifiquei do seu texto, que é um primor diga-se de passagem. Moro em Dublin e faz um mês tive de tomar árdua decisão de voltar ao Brasil e o sentimento foi justamente esse. Minha passagem de volta está marcada para o dia 3 de Fevereiro e cada dia que passa o aperto no peito é forte demais.

  105. Fernanda says:

    Amei seu texto e concordo em gênero, número e grau. Eu moro há quase 3 anos no Canadá, mas já havia morado 1 ano nos EUA e também percebi que nos países de primeiro mundo as pessoas são mais tolerantes e as pessoas não te julgam pelo que você veste ou pelo carro que vc dirige. Aqui é absolutamente normal uma pessoa que tem carro, usar o transporte público para ir trabalhar e quase todo mundo leva marmita para o trabalho. Não tem essa estória de ter vergonha de carregar uma marmita ou de usar uma roupa que não está na última moda. Acho que o que mais valeu a pena foi de poder andar na rua sem ter o medo mórbido de ser assaltada, sequestrada, etc. Não há dinheiro no mundo que pague a minha felicidade de poder viver sem medo da violência que existia em São Paulo :-)

    Espero que um dia você consiga um visto permanente assim poderá usufruir mais plenamente da vida aí.

    Um grande abraço

    Fernanda

  106. Vankarla says:

    Lindas palavras, me identifico com varias partes, morei na Australia por uns anos e hoje moro nos EUA. Depois uns 3 anos fora do Brasil a perguntar coltar ou nao voltar surgiu em minha vida de uma maneira intensa. Eu encontrei tantos pontos positivos para voltar ao Brasil, assim como voce aprendi que nao precisamos dessa loucura do dinheiro pra ser feliz e essa era a minha unica questao em regressar levando em conta que sou de Brasilia e ao deixar o pais estava tambem fugindo daquela angustia e desespero que o o meu tao amado povo vivia em relacao ao tal “Servico publico”, como se concurso publico fosse a unica saida de um buraco em que todos se encontravam. Comecei a ficar muito defensiva com realacao a nossa cultura. Aqui nos EUA principalmente, defendi com toda forca o meu pais em varios aspectos. Ao levar o meu marido de ferias para o Brasil fiquei muito decepcionada. As minhas “defesas” nao fizeram sentido algum! Em 5 anos que fiquei fora muita coisa mudou e pra pior. Eu sei que tem muitasssss coisas boas mas o essencial: respeito e educacao parecem ter desaparecido do convivio diario. Ai me perguntei: sera que me acostumei com a aducacao e o respeito nos outros paises que morei? me senti tao perdida e ao mesmo tempo foi decisivo o nao voltar. Eu sempre desejarei melhoras pra todos e qualquer pessoas e lugares do mundo, independente de qualquer coisa, mas a ultima impressao foi triste….

  107. Ezequiel says:

    otimo! tudo q eu penso

  108. Milena says:

    Ola, li este post e gostaria de relatar minha experiencia morando fora. Vejo que tudo depende do seu olhar.viver fora eh uma experiencia muito rica e abre os horizontes, mas quanto a seguranca, saude, etc… nao compartilho da mesma opiniao. Fui assaltada em barcelona, minha prima foi quase estuprada tb fora e no brasil nao fui assaltada nem mesmo 1vez e ando muito a pe. Claro que temos problemas, mas viver no brasil eh tao gratificante como viver fora, depende do seu olhar. Somente gostaria de deixar esta minha vivencia,..

  109. Anna says:

    Olá Glenda,

    confesso que li seu texto e todos os demais comentarios e me identifiquei, em partes, com muitas de suas opiniões e dos demais. É claro que não vou listar os problemas do Brasil e qualidades da Europa, que já foram tão exaustivamente aqui relatados. Gostaria apenas de compartilhar o momento que eu vivi e passei.
    Morei na Alemanha dois anos, saí de casa aos 17 pois ganhei uma bolsa de estudos em uma escola de dança em Munique. Por muitas razões, acabei retornando e, ao invés de morar com meus pais na minha cidade, decidi morar em Belo Horizonte para fazer faculdade e continuar em uma cia de dança daqui. Durante a faculdade (estudo Relações Internacionais) tive a oportunidade de morar seis meses na Holanda com uma bolsa de estudos da universidade. Enfim, só pra esclarecer que não estou falando da boca pra fora, mas sim porque passei tanto pela experiência de não querer voltar como do processo (doloroso até) de readaptação no Brasil. Realmente, a qualidade de vida na Europa não se compara á brasileira. Mas, apesar de morar numa cidade GRANDE, com um trânsito caótico e relativamente perigosa eu não trocaria minha vida aqui por nada na Europa… para mim não tem preço ouvir o “bom dia, ta jooiaa?” dos mineiros, a hospitalidade com estrangeiros (e sim, vivi o lado de ser estrangeira e receber estrangeiros)… a facilidade de entrosar, a cumplicidade das amizades, as rodas de violão de MPB e bossa nova com os amigos, a família coruja sempre por perto. Depois te morar fora, voltar, morar fora de novo, voltar novamente cheguei à conclusão que não importa aonde você esteja, o que realmente vale a pena é estar cercado das pessoas que voce ama. O tempo é curto e sim, pode ser que aqui voce passe o dia inteiro trabalhando e/ou estudando e volte pra casa cansado e estressado… Mas ai vem a sua tia com pao de queijo quentinho e seus priminhos, e quando voce menos ve, plena quarta feira vira uma festa de familia. Não estou dizendo que nunca moraria fora, acho que eu seguiria o que melhor for para o meu profissional, e se fosse o caso moraria de novo um tempo fora sim. Mas eu acho que nao gostaria de privar meus filhos da experiencia de crescer nesse nosso país!
    beijos e boa sorte

  110. José Adauto Resende says:

    Bom Dia! Eu respeito e concordo com a maioria das observações que se fazem sobre as dificuldades para conseguir as coisas no Brasil. E o tanto de coisas erradas que existem eu sou o primeiro a criticar. Mas o que eu vejo é que sair tem sido para um monte de gente a solução mais fácil. Eu tive muita dificuldade para estudar comecei a faculdade por minha conta (federal) aos 24 anos de idade. E ralei até os 28, muito, para passar em concurso público que, concordo, é uma das poucas chances por aqui. Acho que escolhi um dos caminhos mais difíceis pois não tinha muito ímpeto de sair. Quando realmente resolvi sair, o povo tava indo pra fora prá ganhar menos do que eu já ganhava aqui. Pagamos mais caro, somos roubados, mas cada um tenta aquilo que pode fazer. E foi o meu caso e de muitos colegas, inclusive gente que já morou fora. Eu acho que o que prevalece é o esforço que a pessoa faz para se desenvolver, não necessariamente trabalhar, mas aumentar suas perspectivas. Felicidades a Todos!!!

  111. Carina says:

    Menina, Parabens! Estou morando na Australia e e muito parecido o que passamOs e pensamos aqui! O seu texto Mostra exatamente o que sentimos aqui! Como vivemos e Como e ver e viver a vida con outro pensamento a nao ser o material!! Parabens

  112. Gabriela says:

    Oi Glenda, tb moro na Espanha (só que em Barcelona). Concordo com tudo que vc escreveu e me sinto com as mesmas dúvidas. Embora tenha filhos e seja casada com Espanhol, nada me prende aqui mas me preocupo em voltar e ter que lidar com tudo isso que vc citou… Meu marido quer ir pro Brasil, ao contrário de mim, ele tem o “sonho espanhol” de viver no país tropical… Enfim, adorei seu texto. Excelente!

  113. Mob says:

    Sou muito grata à oportunidade de viver fora do Brasil por algum tempo (a gente aprende muito, é verdade!), mas decidi voltar pra nossa terra! Acredito que todo lugar tem seus encantos e desencantos, assim como todo povo, e a maneira de lidar com isso só depende do nosso ponto de vista pessoal. Como diz o ditado: “vemos o mundo não como ele é, mas como somos”. 

    Eu resolvi voltar porque sinto muitas saudades da praia (nasci e cresci no litoral, mas percebi que pra muita gente da Europa, praia é um luxo só), e pra mim, clima conta muito como qualidade de vida. Eu particularmente me sinto muito mal no inverno europeu (apesar de gostar de muitas coisas na Europa), por isso não me imagino passando muito tempo nessa situação. Também admito que adoro o povo brasileiro, o jeitão desencanado, a descontração, a maneira de brincar com as adversidades da vida… Muitos amigos meus europeus voltam do Brasil com essa impressão: as pessoas no Brasil sorriem mais e são mais espontâneas! Reconheço os defeitos do nosso povo, claro (povo perfeito não existe), mas em muitos aspectos, me identifico mais com o jeito brasileiro de ser. Às vezes eu me sinto meio “peixe fora d’água” quando tento brincar com o pessoal da Europa, haha!

    Enfim, cada um tem que buscar o seu caminho onde se sente mais feliz. No meu caso, é na beira do mar! ;-)

  114. Marlene says:

    Glenda, moro há muitos anos fora do Brasil e me identifiquei totalmente com o seu texto. Vivi a maior parte da minha vida no Brasil, fiz universidade, tive carreira profissional de sucesso, ganhava bem, viajava, vivia muito confortavelmente e, confesso, gostava da vida que levava em SP. Até que vim passar umas férias longas na Austrália e conheci essa liberdade de viver que você tem em Sevilha. No Brasil há uma pressão social para você “dar certo”. E dar certo significa ter um cargo alto numa empresa, morar no bairro considerado de classe A, ter o carro do ano, usar roupas, sapatos e bolsas de marca famosa, etc etc. Aqui na Austrália, dar certo é ser feliz…. E para isso não se precisa ter salários milionários, nem carro do ano, nem casa na praia. E nem trabalhar 50 horas por semana para pagar as prestações de todas aquelas coisas superficiais que você comprou para ser considerado um bem sucedido. Você precisa sim trabalhar, mas qualquer trabalho é respeitado e bem pago, e isto lhe permite viver uma vida decente e confortável. E ainda ter tempo para sair, ver os amigos e participar de um monte de coisas que estão sempre acontecendo na cidade, muitas delas gratuitas. Ano passado fiz uma experiência para ver se dava para voltar a viver no Brasil. Não dá mais. E sabe o que mais me chocou? O desrespeito com que o cidadão é tratado por todos e em todos os lugares. As mentiras deslavadas de um governo corrupto que a imprensa reproduz bajulando, para não perder os anúncios desse governo. E a letargia do povo em geral, que de tão acostumado a ser mal tratado não reclama. E se você reclama, você é que está errada. Tenho uma família grande e muitos bons amigos ainda no Brasil e isto é a única razão pela qual ainda visito o Brasil. Porém não romantizo esses relacionamentos, pois afinal cada um tem sua vida para cuidar. Não quero dizer que sou a dona da verdade e nem que encontrei a receita da felicidade, mas me sinto abençoada por viver em Sydney e meu sonho é trazer pra cá os meus sobrinhos, para que os filhos deles possam nascer e viver numa sociedade com muito menos violência, mais justa, e onde o cidadão é respeitado, não importa quem ele seja.

    • Felipe says:

      Ola, concordo con vc, tambem vivo em Sydney, ha 5 anos, acabei de pegar minha cidadania Australiana, mas agora estou pensando em tentar voltar a morar no Brasil…sei q se eu nao acostumar sempre poderei voltar pra ca. Mas ainda nao desisti do Brasil. Vamos ver no q da!

  115. Juliane says:

    concordo com você em muita coisa sobre o Brasil, e entendo quase tudo do que você fala, já que moro há 12 anos na Alemanha. Mas acho que ainda existem muitas razões pra se viver no Brasil, em que pese achar que a felicidade não depende mesmo de estarmos aqui. Muitíssimo pertinente é a sua colocação sobre o Brasil ser lindo o horrível ao mesmo tempo… é tão verdadeiro isso…talvez você ainda faça uma outra descoberta ao longo da sua estadia aí…: a de que o macracosmo se repete e se reflete em microcosmos em todo canto, que o ser humano é o mesmo, e que quase sempre a gente vai encontrar o mesmo tipo de fenomeno social… as pessoas são as mesmas em todo lado: há gente boa, há gente má, a gente que quer fazer um mundo melhor todos os dias, e há os que só se importam consigo mesmos… de fato a maioria aqui nem dimensiona o que é essa qualidade de vida da qual você fala que existe em toda a Europa, e a violência aqui é banalizada e tida por todos como uma normalidade… sem falar na ladroagem que impera deixando no poder e na política gente ruim que devia estar atrás das grades… mas por outro lado, espero que você não venha a descobrir que essas coisas também existem por aí, e que de fato nem tudo são flores… aprendi muitas das coisas que você também aprendeu, e de fato também não sei se o nosso ufanismo de crer que isso aqui é o que há de melhor poderá prosperar por muito tempo… mas há ainda aqui muita coisa linda, sem falar de que “background cultural” é quase que insubistituível, e é simplesmente muito duro ignorar a saudade… saudade das nossas coisas, da informalidade do brasileiro, da descontração, e da alegria que as pessoas conseguem ter aqui, apesar de tantos pesares! Talvez a minha referência seja um pouco diferente, por eu viver na Alemanha, e sentir que a alegria e o calor humano fazem uma falta enorme… por isso eu ainda não abandonei a idéia de voltar a viver no Brasil, apesar de tantos pesares também! mas de fato, os valores aqui andam muito deturpados, e as pessoas não sabem mesmo o que é qualidade de vida, o que realmente faz feliz… enfim, o que aprendi: que a vida é de hoje pra frente, que os nossos amigos são os que estão aqui e agora na nossa vida, em que pese deixarmos tantos outros pelo caminho, e que a família a gente pode encontrar tanta gente que poderia ser a nossa família e que até passa a ser, e que em todo canto tem coisas boas e coisas ruins! Vale dizer – viver no presente é o mais importante, e tentar sempre tirar o melhor de todas as situações! Quanto a tentar mudar o Brasil e fazer dele um lugar melhor pra se viver… também é algo a se pensar, guardadas as proporções de realidade e do viável e possível. A gente tem que tentar fazer um mundo melhor sempre, onde quer que a gente esteja!

  116. Fabio Depetris says:

    … Discordo, você deve ter vivido no Rio ou São paulo para ter esse desprezo pelo País, desconhece inúmeras cidades brasileiras ( pequenas ) que ainda disfrutam de qualidade de vida ;)

    • Glenda DiMuro says:

      Fábio, não tenho desprezo pelo Brasil. Acaso alguma cas coisas que eu falei é mentira em qualquer cidade de porte médio?

  117. monica says:

    Lindo o texto! me identifiquei em varios pontos! o q mais me chamou a atencao na europa (fiquei em Toulouse – França por 4 meses)foi o modo que as pessoas criam seus filhos! fantastico!! sem medo, sem pressao,eles sao livres e desde cedo comecam a pensar! dificilmente via crianças nos parques com celulares ou joguinhos na maos, eles gostam de correr, jogar freesbe com os pais, ou ficar lendo um livro… mas isso é em cidades pequenas, em Paris as coisas nao sao assim! a cidade é caotica = SP. Bom, de certa forma, nao via morando eterno por la! E acho q temos que trazer o que aprendemos nessas experiencias para cá.. quero e vou criar meu bebê dessa forma. O meu problema é que eu AMO meu Brasil! com todos os defeitos! eu ainda sou uma entusiasta que acredito que podemos fazer um Brasil diferente!

  118. Amanda says:

    Aos imigrantes que estão em países com uma situação economica dificil, lanço outra pergunta: Porque ficar???

    • B.A.C. says:

      Amanda, pelo que observo de amigos e conhecidos meus, muitos não voltam para o Brasil por medo, mas não por falta de vontade (claro, há os que optam por não voltar, mas não é o que vejo em boa parte dos casos). Depois de tantos anos fora, as pessoas temem largar o certo pelo duvidoso, ainda mais se tiverem filhos. É mais fácil, a curto prazo, se acomodar na situação de imigrante (que é bem dura, realmente) e arrumar todos os tipos de argumento que romantizem a vida na Europa, do que retornar ao Brasil e fazer sua parte. Toda mudança envolve riscos e perdas, e nem todos estão preparados para isso.

      Para mim a decisão também não foi fácil, pois apesar de sentir falta do Brasil, também gosto da Alemanha (não tanto quanto da nossa terra, mas gosto), e tenho uma estabilidade aqui (pois, como falei, sou casada com um alemão, falo o idioma fluentemente e tenho um bom emprego em uma firma local, que garante o sustento dos meus filhos, juntamente com a renda do meu parceiro). Mas tanto eu quanto meu companheiro queremos retornar. Conversamos longamente com nossos meninos, e eles também estão bastante entusiasmados com a vida nova, pois mesmo morando na Alemanha, eles tem vínculo com o Brasil (viajamos uma vez por ano para ver a família).

      Sinceramente, há muito tempo deixei de acreditar na chavão “Europa = qualidade de vida; Brasil = vida dura”. Na atual situação, vejo maiores dificuldades entre europeus do que entre muitos brasileiros. Minhas irmãs estão muito bem no Brasil, sem precisar ostentar nada. Dois de meus sobrinhos, inclusive, estudam em um excelente colégio público (o da base militar da cidade onde residem), enquanto eu, residindo na sonhada Europa, optei por bancar colégio privado para os meus dois filhos – pois o governo não mistura filhos de imigrantes com “alemães legítimos”, apesar de toda a propaganda da política de integração. Infelizmente, em muitos estados da Alemanha a qualidade de ensino público para estrangeiros é inferior. A segregação é real; estrangeiros aqui não são bem-vindos (no dia-a-dia, entre amigos, sim; mas politicamente falando, não). Aos 11 anos, quando a criança precisa fazer uma prova decisiva para a vida profissional, os nativos sem sangue estrangeiro ou segundo idioma materno se saem melhor em disparada. Isso porque meus garotos tem a sorte de ter um pai alemão, e uma mãe bem integrada na sociedade.

      Já caí muito nessa armadilha de “vamos ficar por aqui mesmo”, de só enxergar os defeitos do Brasil… Respeito quem se identifica com outra cultura e opta por nunca retornar, mas continuo achando radical demais afirmar como verdade absoluta que a vida no Brasil é “melhor” ou “pior”. Para minha família, há de ser melhor (o que não significa que não esteja boa na Alemanha; vai apenas ser diferente).

  119. Marcos says:

    Ola Glenda

    Bom texto. Esse e um assunto longo que ja passei madrugadas com companheiros ao redor do planeta dissertando sobre o assunto. Ja vivo ha 16 anos fora da mãe patria (4 em Cambridge-UK, 10 nos States e agora vivo em Lisboa a 2 anos). Concordo com alguns aspectos de seus pensamentos mas tenho que dizer que com o tempo muitas de nossas opiniões e valores tomam outras dimensões. Sou muito interessado em história global a qual me faz entender a origem de muitos acontecimentos que vivemos na atualidade. Como desigualdades sociais, desemprego, guerras, etc. Apos ter vivido em diversos lugares, viajado (a passeio) por 13 paises, lido e conversado com pessoas de diversas partes do planeta sou da opinião que o melhor lugar no planeta é onde você sente-se em paz consigo mesmo(a). Tricky, but possible!!
    Para não me estender muito meu comentário é que se no momento sente-se feliz, 100% feliz, onde esta, permaneça e viva a vida intensamente em Sevilha. Quem sabe “amanhã” Sevilha já não será vista com os mesmos olhos que voce `a vê hoje. A vida da voltas, não é mesmo? Boa sorte

  120. Jorge says:

    Pois é, conheço um Galês/Norte Americano (ele tem duas nacionalidades) que disse que o sonho dele é um dizer que é brasileiro, mora no Brasil faz uns 10 anos e nem pensa em voltar para o EUA (onde mora os familiares) e nem a Europa, onde nasceu, me disse que se sente confortável morando no Brasil e que vai ficar aqui para sempre!Eu morei na Austrália por quase tres anos e voltei, acho que é muito pessoal, muito intimo, cada um sabe onde a “coisa pega” Se quiser ficar fique, se quiser voltar volte!

  121. Jorge says:

    Existem alguns aspectos que eu acho que merece uma reflexão:
    Quando moramos num pais estrangeiro (principalmente os chamados “de primeiro mundo”) e se decidirmos ficar neste pais escolhido, sempre seremos um cidadão de “segunda classe”, aos olhos, mentes e corações dos nativos, sempre seremos “aquele” que veio de fora, “aquele” que não é daqui. Enfim, sinto que isso acontece, mas, que tambem cabe a cada um avaliar o quanto isso incomoda, ou não!
    O Brasil é sim o “paraiso e o inferno” ao mesmo tempo, como disse um vez Chico Buarque, mas, é aqui que estão morando as pessoas que amo e que tambem me amam, e para mim, isso é muito importante. Não digo que nunca vou me mudar para um outro pais, mas, no presente, é aqui que quero ficar!

  122. Rosa says:

    10 anos depois de morar cinco nos EUA e cinco na Espanha voltei ao Brasil, por motivos familiares, e foi muito difícil me adaptar novamente. A única coisa na Europa de que eu nunca consegui gostar é o inverno, o que é um problema, porque são cinco meses de frio por ano, e eu sofria com isso.
    Mesmo assim, o que me incomoda no Brasil não é a violência (porque na Europa e nos EUA há outros tipos de violência e algumas vezes muito mais elaboradas), não é a desigualdade social (porque na Europa há sim desigualdade, em menor escala e muito mais disfarçada mas tão real e cruel quanto aqui, alô Gallinero!), o que me incomoda mais no Brasil é que nós somos um país onde quase não se anda a pé, o transporte público funciona mal, os parques não servem à população.
    Aqui também tem outros modelos de família, e lá estas outras famílias também passam por preconceitos, machismo, misoginia. Na Espanha tem até vários equivalentes ao Bolsonaro. Na Espanha tem xenofobia e no Brasil tem homofobia (ah, eles tem homofobia também, mas a lei funciona melhor que aqui). Os dois países são machistas e cada país tem seu Paulo Maluf, mas o que na Europa realmente faz diferença é a vida como um objetivo em si mesma. Vivo porque estou viva. Trabalho pra pagar minhas contas e comprar um sapato de vez em quando. Velhos existem, saem na rua, tomam cerveja (com alcool, não seja ingênua!). Calçadas, a cidade pode ser vista com os dois pés no chão. Essa parte é o que me faz suspirar por Madrid. De todas as formas a gente se adapta a tudo. Um ano depois eu sinto falta de minha casa e de minha vida lá mas vou criando outras coisas aqui e pode ser que afinal em um ano eu já pense diferente.
    Lembre-se que vc é estudante e tá a maior parte do tempo protegida por seus companheiros, sua escola, sua condição de estudante, mas ser magreb na Espanha, ser paki na Inglaterra, ser argelino na França… não tem graça nenhuma. E eu que trabalhei com essas pessoas na Espanha não posso nunca esquecer disso: ser estudante, ser europeu (eu sou) te protege muito de coisas que a gente nem imagina.
    Todos os lugares tem imensas vantagens e desvantagens. É simples e é fato.

  123. Cristiani says:

    Se todos os que moraram fora e viram tantas coisas boas voltassem e colocassem em prática aqui o que aprenderam no exterior, tenho certeza que o Brasil melhoraria… o problema é que na verdade ninguém quer fazer a sua parte para mudar…. As mudanças ocorrem de baixo pra cima e não o contrário, cabe a nós mudarmos o Brasil pra nossos filhos terem aqui o q vcs tem no exterior…

    • Igor says:

      Moro na Australia a 7 anos, vim como estudante, peguei um visto de trabalho e agora acabei de receber meu visto de residente permanente, posso entrar e sair do pais quando quiser e fazer o que quizer da minha vida, e ano que vem pego dupla nacionalidade, longos 7 anos, mas bem estudados, trabalhados e muito muito bem curtidos…

      Agora acabei de receber uma proposta para trabalhar no Canada, e acho q vou… Tudo isso que todo mundo falou e realmente o motivo pra nao voltar para o Brasil.

      Mas tenho que concordar com Voce, se todo mundo q mora fora voltasse pro Brasil e fizesse a sua parte, falar de barriga cheia eh facil…
      E o problema no Brasil nao sao os politicos, mas nos mesmo, brasileiros que votam, e os politicos sao apenas o nosso reflexo…

      Porem tenho sim varios amigos brasileiros que voltaram e estao super bem no Brasil, fico feliz pois eles sim estao fazendo um pais melhor!

      Me sinto mal? Nao pois sei quando eu tiver que voltar, e se tiver… Mas como Brasileiro, amo meu pais, amo meu futebol, amo minha F1, odeio funk carioca e axe/suingueira… mas nunca deixo de falar soh bem do meu Brasil!

  124. tai says:

    de donde eres de brasil maja…q eres feliz en sevilla me alegro por ti…por si estuvieras viviendo en madrid en la capital seguramente no dirias lo mismo…jjajajajajjajaja Brazil es lo mejor k hay!!!

  125. tai says:

    encima con la crises q hay…seguramente en andalucia casi no se nota..sendo q es una de las provincias mas pobres y realmente las q menos necesitan para vivir…europa…los unicos paises q estan todavia q se puede decir q en europa…londres luxemburgo y alemanha…brasil hija ,,,fomentando el mundo…cresciendo como XUXU…brasileiros pringaos…nao dao valor ao pais lindisimo q temos…corrupcao tem en cualker lugar do mundo…brasil sen duvida lo mejor …y yo vivo a 10 anos en europa—-digamos q ja pasei vacas gordas y vacas magras …nunca nunca mudei a minha opniao q o país tropical e luxo para bem poucous….vazemmmmm

  126. Antonio Harres says:

    A riqueza que possibilita á Europa oferecer segurança se origina da espoliação da América Latina, principalmente pelos espanhóis. A violência urbana, desigualdade, discriminação e corrupção são efeitos ainda hoje da cultura predatória e escravagista européia. Leia ” Veias abertas da América Latina” de Eduardo Galeano e talvez adquira uma visão ainda maior sobre as origens destes contrastes.
    http://copyfight.noblogs.org/gallery/5220/Veias_Abertas_da_Am%C3%83%C2%A9rica_Latina(EduardoGaleano).pdf

    • Cristiani says:

      No colégio meu professor de história obrigou a todos ler e fazer uma resenha sobre esse livro… realmente valeu a pena, pelo menos eu passei a ter uma visão melhor do Brasil e da América Latina…. Um povo que não conhece seu passado não pode construir um futuro melhor!!!

  127. Luciano G. says:

    Olá Glenda,
    Entendo perfeitamente os teus sentimentos, porém me pergunto se o fato de tu não ter expectativas de futuro – seja profissional ou pessoal – não deveria te fazer pensar melhor nesta tua escolha ?
    O Brasil é um pais de dimensões continentais, digo isso porque sou gaúcho de Porto Alegre, mas moro em Uberlândia/MG à 5 anos e me sinto realizado aqui – coisa que eu jamais pensei que sentiria -.
    Talvez fosse o caso de você ampliar o seu network por aqui mesmo, afinal, mesmo sendo interior e uma cidade de 600mil habitantes, Uberlândia me conquista e surpreende a cada dia. Falta gente capacitada para ocupar as vagas de emprego aqui, pode faltar praia também….mas à poucas horas de carro (umas 2h) você chega ao Rio Quente Resort, lá eles tem a maior praia artificial da américa latina. Sem contar que aqui você está perto de tudo, e todos os estados.
    Sei lá, talvez eu possa ter contribuido para o início de um novo ponto de vista sobre o brasil.
    Um big beijo e fica com Deus.

  128. FELL says:

    BOM, SO QRIA DEIXAR AKI MINHA MSGM… MOREI FORA POR 4 ANOS…
    SUPRI EXPERIENCIAS MARAVILHOSAS E OPORTUNIDADE SENCASIONAIS….
    MAIS SOU BRASILEIRO E MEU LUGAR E D TODOS OS BRASILEIROS E AQUI…
    MORAR FORAR .. POR MTO TEMPO, E NAUM QRER VOLTAR PARA O BRASIL …
    EU DIRIA Q ESSAS PESSOAS Q PENSAM NISSO .. SAO PRESSOAS PREGUICOSAS..!! E SEM ITUITO E VONTADE NA VIDA…
    PQ C A VIDA INTEIRA VC MORO AQUI.. OQ SAO 4 5 6 ANOS FORA!!
    ISSO CHAMA MEDO D VENCER!!!
    AMO VIAJAR …. MAS APRENDI Q MEU LUGAR E NO BRASIL.

  129. Júlia says:

    Texto incrível! Descreveu exatamente a sensação nos pequenos detalhes… eu morava em Sydney e lembro que uma vez vi uma mulher pelada, isso mesmo, pelada na estação de Bondi Junction e as pessoas passando por ela, neeeem aí, eu a princípio achei graça e pensei que mulher louca, até que vi uma australia se aproximar da mulher e dizer “minha filha, pq vc está fazendo isso? vem cá, vamos colocar uma roupa”. Nessa hora eu senti vergonha de mim por ter achado graça, é claro que era uma mulher doente e precisava de atenção e ajuda… imagina uma situação dessas no Brasil!!! Sem contar tudo que vc descreveu, andar a pé, fazer compras no mercado de mochila hehehe ahhh era mt bom mesmo, mas eu voltei, sinto falta até hj, mas prendo à família basicamente.
    É isso, não tem mt receita hehe volte com um dinheirinho guardado que se bater o desespero vc volta pra aí.
    Boa sorte, beijos.

    • Igor says:

      Moro em Brisbane e morei em Perth… ta ai, vc falou tudo… porem acho q o povo brasileiro ajuda bastante quem precisa, mas no mesmo tempo e um povo bem interesseiro. Costumo dizer, o problema no Brasil sao os propios brasileiros, ate evito a sair com muito brasileiro, um povo fofoqueiro e invejoso…

      Porem quando eu quero sair, pra balada, nao tem povo mais feliz e que sabe fazer uma besta boa como nos brasileiros…Tambem somos super carismaticos, sempre alegres e trabalhamos muito pesado…

      Um povo de contrastes… como resolver!?… boa pergunta! haha
      Sucesso a vc que voltou para o Brasil! e ensina a esse povo a respeitar o proximo… :)

  130. Júlia says:

    correção: uma australiana*

    • Flavia says:

      Muito bom!!! Eu também acabei me afastando e evitando de me relacionar com muitos brasileiros aí por esse motivo…o melhor e o pior do Brasil é o povo. E fora do Brasil infelizmente você encontra muitos que o Brasil tem sorte de ter se livrado hehe…fofoqueiros e invejosos realmente, que saíram do Brasil pra viver a vida fora com a mesma cabecilha de mexerica que tinham aqui. Isso é triste também…

      • Felipe Ribeiro says:

        Oi Flávia,

        Eu morei dois anos em Madri e hoje moro em Estocolmo. E comigo aparentemente aconteceu o mesmo que com você, fui conhecer uns brasileiros logo que cheguei em Madrid e foi a única vez que me senti discriminado na Europa.

        Eu era o único nordestino (paraibano) entre as pessoas, mas também o único com um contrato de trabalho permanente e que pagava bem (como engenheiro de software) numa das empresas de mais sucesso na Espanha (chamada Tuenti) e as pessoas demonstraram bastante inveja e um certo preconceito por eu ser um “Paraíba” e estar melhor que eles (eram na maioria gaúchos e paulistas) ficaram fazendo comentários e coisas típicas de gente pequena que fez com que eu nunca mais me encontrasse com eles.

        É realmente bem triste, mas como você bem disse, o melhor e o pior do Brasil é o povo.

  131. Vitor says:

    Eu morei no USA 3 meses, talvez eu seja um daqueles que acredita que podemos mudar o brasil, apesar de não termos a segurança e a riqueza que achamos por lá, temos um povo feliz e amigável que contrasta com os americanos, talvez ai na Europa o povo seja melhor..

  132. Lu says:

    Nossa gostaria de parabenizá-la pelo post !! Vc falou tudo !! Moro há 10 meses em Londres e não me vejo mais parte da cultura brasileira. Estou aqui com visto de estudante, trabalho como Nanny nos fds e sou muito feliz. Deixei para tras os pais e o namorado ( como Natasha do capital inicial) e não me arrependo de absolutamente nada. Gastarei todas as minhas economias brasileiras para prorrogar o meu visto por mais um ano e vou ficando até o governo britânico me mandar de volta !! Fico muito em poder achar pessoas que pesam igual a mim !!! Felicidades a todos nós expatriados !!!

  133. Bruno says:

    Glenda, seu texto realmente está muito expressivo. Também tenho muita vontade de ir morar fora, porém acho que o meu motivo seja diferente do seu.

    O Brasil com certeza tem suas mazelas, qualidades etc. Pois bem, questão de segurança realmente aqui pode faltar, mas posso dizer do Rio, moro aqui desde que nasci e posso te dizer que já foi pior, em questão de segurança melhoramos muito. Tá certo que temos um caminho ainda longo pra percorrer, mas temos que fazer a nossa parte.

    Outro ponto que você posicionou em seu texto foi a relação de viver bem com pouco dinheiro. Enfim, isso é muito relativo, pois se baseia nos padrões que você deseja para sua vida. Na verdade é tudo questão de planejamento se você quer um carro, casa ou viajar, nada é de repente, acho que com um pouco de planejamento todo mundo consegue.

    Agora, corrupção, saúde pública, educação realmente não tenho como dizer muita coisa, só que precisamos melhorar e muito.

    Voltando dizendo o porque de eu querer morar fora, na verdade seria mesmo porq questões de conhecer outra cultura, viver de forma diferente, conhecer pessoas me gabaritar mais. Não porque eu queira fugir disso aqui, mas porque eu quero crescer como pessoa e nada mais que isso. Se isso um dia acontecer ficarei muito feliz. Num todo gostei do seu texto e se vc voltar ou não te desejo muita sorte e felicidade desse mundo.

    Obrigado por compartilhar isso conosco!

    • Glenda DiMuro says:

      Bruno! Eu nunca disse que queria fugir do Brasil! Vim pra Espanha para vivenciar outras culturas. Vira seguidor do blog que vc vai ver que não é nada disso! :)

  134. Ellen says:

    Bela e crua reflexão a respeito da vida aí em Sevilla, Glenda! Fui Au Pair por um ano em Munique, na Alemanha, e tinha esse mesmo padrão de vida que vc. tem por aí. Sinto muita falta disso, ainda mais morando nesse inferno que é São Paulo (projeto de vida: mudar para uma cidade média/pequena e dar aulas em alguma universidade federal). Claro que não senti totalmente na pele a vida de um imigrante fora de seu país – lutar para morar, trabalhar, estudar etc., pois a família para a qual trabalhei era tão bacana que ela sempre me deu muito respaldo. Falar alemão foi um diferencial tremendo, pois percebi que eles valorizam demais quem estuda a língua deles. Tive a oportunidade de ter ficado, mas tinha de terminar minha graduação e havia deixado meu marido por aqui (na época, rolo), duas coisas que pesaram demais na minha decisão de voltar. Nunca pensei em fixar residência por lá, mas, quem sabe, um dia, volto para fazer um doutorado sanduíche? Seria a minha realização profissional! E levar o marido a tiracolo para ele ter uma noção do que eu tanto falo para ele e confirmado pelo que vc. escreveu aqui.
    Crises passam, mas essa está bem complicada de ser resolvida, principalmente aí na Espanha. Estive na Europa no início da crise, no começo de 2009, e deu para perceber algumas mudanças no comportamento das pessoas; contudo, a Alemanha ainda está se segurando e não doeu muito, rs!
    Quanto a voltar, cada um sabe qual o melhor momento, independentemente do momento da Europa ou do Brasil. Mas devo dizer que estamos muito bem (digo economicamente)em comparação a alguns anos. Vamos ver quanto tempo isso dura!
    Novamente, ótima reflexão!

  135. Anderson says:

    Seu post é perfeito, e exprime exatamente a sensação de “sair da bolha”. O brasileiro sabe que o maior problema dele é a desigualdade social, mas ele faz de tudo para subir na pirâmide e ter mais que os outros. É essa ganância que está tirando a felicidades da vida das pessoas. Em países mais igualitários as pessoas se preocupam mais com a vida pessoal dela mesma e consequentemente é mais realizada. Também morei durante um período na europa. A volta para mim foi deprimente, mas necessária para prosseguir com minha vida profissional. Hoje tenho um bom emprego e um bom salário mas estou “chutando o balde” para imigrar para Canada. muitos acham que eu sou louco, mas esse é meu desafio!

  136. Pérola Dinis says:

    Então fica aí. Pra que voltar?

  137. Gustavo says:

    Só quem morou fora para entender esse texto…
    Palavras de quem realmente sabe aproveitar a essência da vida…
    É claro que cada um tem sua opinião e sua experiência de vida, muitos que moraram fora podem até dizer que Brasil é melhor apesar dos problemas. Mas o que conta no final é o objetivo que cada um tem em suas vidas e a razão da vida que cada um leva dentro de si.
    Por exemplo, a minha é ter essa qualidade de vida citado no texto, viver outras culturas, outras linguas, viver nesse mundo tão grande e tentar levar amor e paz a todos…
    Glenda, parabéns pelo texto…paz

  138. vinicius says:

    Comparar o velho mundo com o novo mundo as vezes fica estranho.

    Agradecer… tem que agradecer mesmo é por não ter nascido a uns 500 anos atrás e ver o tanto de crueldade que espanhóis e tantos outros mais colonizadores levaram aos nativos de terras sul-americanas naquela época. Roubando todas as riquezas que por lá existia e que hoje com certeza se reflete nessa calmaria e nessa qualidade de vida que tanto admira.

    Hoje o Brasil é o novo mundo pra peruanos, bolivianos, haitianos, e muitos outros que encontram lá um lugar ao sol. É só uma questão de reflexão.

    O Brasil precisa de pessoas qualificadas pra fazer do país cada vez mais um lugar melhor. Talvez você com todo esse conhecimento e o que chama de “cultura” que adquiriu aqui na europa poderia ajudar de alguma maneira esse que é o lugar que permitiu a você ter essas noções de mundo e de qualidades.

    • B.A.C. says:

      Vinicius, concordo. Não digo que seja esse o caso da autora do blog, mas infelizmente há sim, muitos brasileiros que “cospem no prato onde comeram”. Queiram eles ou não, eles SÃO brasileiros, o Brasil pertence a eles, e boa parte da formação deles como pessoas (laços de sangue, primeiros valores culturais, primeiras palavras) são reflexo do nosso país. Também acho que, em vez de dar as costas e florear outras terras, eles poderiam ajudar fazendo algo para melhorar o próprio local de origem.

  139. Cristiano says:

    Parabens, excelente reflexao, tenho certeza que conseguiu repassar a opiniao de muitos, assim como eu, que vivem situacao muito parecida.

  140. Lucas says:

    “Queria viver entre os meus, mas a cada dia que passa me sinto menos parte dos que ficaram.”

    Sensacional

  141. Priscila says:

    Me emocionei muito ao ler seu texto, pois tem muito em comum com a situação em que vivo no momento. Tantas vezes tentei explicar para familiares e amigos essa dificil decisão em “voltar a viver no Brasil” e aqui você conseguiu colocar todo esse sentimento em palavras. Parabéns!

  142. Carlos says:

    Soy de Sevilla, y desde hace tiempo me planteo irme a Brasil.
    Tu articulo me ha encantado.

  143. alejandro reed doniz y soto says:

    Ola Glenda, descobri acidentalmente seu blog através de um amigo que estava repercutindo este seu POST.

    Bom, é uma pena que infelizmente você esteja encontrando todas essas dificuldades de ser uma estrangeira tentando exercer sua profissão fora do Brasil. Eu gozo de uma condição que provavelmente vai te deixar com um pouco de inveja. Sou nascido na Euskadi (País Vasco), mas vivo no Brasil desde os meus 8 anos. Hoje teño 29 anos. Teño muita vontade de voltar, ñ vou negar, por exatamente todos os motivos que você pontuou sobre o cenário brasileiro. Porém, miña única vantagem é poder entrar e sair quando quiser, fora isso sei q ñ serei tratado como um español, pois são mtos anos fora daí, e sei q a dificuldade q encontrarei pra trabalhar em miña área, alias, em qqer uma, será enorme pq no fim das contas eu sou alguém q chegará d fora e tentará disputar a escassa oferta de emprego q assombra a España. Eu sei q isso é só o começo, as coisas poraí ainda devem ficar mto mais complicadas, e acabo deixando essa vontade de lado, pois se os milhares de jovens españois formados e graduados ñ estão conseguindo ingressar no mercado de trabalho, qm dirá eu, um español q ñ vive no país há 21 anos. Vivo em um país, Brasil, q confesso ñ me agradar ha mto tempo, os motivos são exatamente todos os levantados por você, porém me sinto cada vez mais preso e enraizado aqui, já que hoje o mundo ñ apresenta um cenário econômico mto seguro para se lançar em outras terras. No fundo eu sou tão estraño pros españóis como qqer imigrante. Nasci no lugar, mas são tantos anos longe q miña única diferença é poder e entrar a hora q quiser, e usufruir d alguns benefícios sociais, fora isso isso sei q enfrentarei as mesmas dificuldades q todos enfrentam.

    Espero q de alguma forma consiga equacionar sua dificuldade de forma a poder permanecer em Sevilha, exercendo dua profissão.

    Gostaria q mtas pessoas aqui em São Paulo experimentassem a vida em um país estrangeiro, para abrirem suas mentes sobre mta coisa, e principalmente abandonarem uma atitude mercenária cd vez mais crescente por aqui, em vista desse BOOM econômico vivido pelo país. Aqui o pessoal ta perdendo a noção, tds cd vez mais deslumbrados, vivendo a efervescência de uma economia em ascensão. Precisam descobrir o que você já descobriu… DIÑEIRO Ñ É TUDO NA VIDA E Ñ É SINÔNIMO DE FELICIDADE!

    Desejo que consiga resolver essas dificuldades logo.

  144. Marcela says:

    Oi Glenda! Adorei seu post! Tenho vários amigos que já moraram em diversos países pela Europa, e eu mesma moro em Paris há quase 2 anos. Meu pai também mora aqui há mais de 10 e vejo como depende de cada um essa relação de achar melhor ou pior morar aqui. Meu pai não pensa em voltar, nem nunca pensou, porque se adaptou muito bem aqui. Eu pelo contrário venho sofrendo e bastante. Já passei pela Espanha e senti muito a diferença pra Fança e principalmente Paris. É estranho ver tanta gente dizer: ai que chique, mora em Paris! e ver que as pessoas não fazem a minima ideia do que se passa por aqui… Pra mim, Paris só é um tapete bonito, que esconde toda a sujeira da casa.
    Bom, que você tenha bastante sorte por aí!
    Bjoooss

  145. Felipe says:

    Parabéns pela reflexão, Glenda. Muito me identifiquei com ela. Aproveito e compartilho este texto da Adriana Setti, que aborda uma perspectiva muito parecida com a sua: http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2010/10/30/como-a-classe-media-alta-brasileira-e-escrava-do-alto-padrao-dos-superfluos/
    Abs

  146. Tainan says:

    Eita gente! Resolvi dar minha opinião aqui, porque sou palpiteira… baseada em experiência de quem teve um emprego de verdade e tudo de bom que outro país poderia oferecer: estabilidade, qualidade de vida e amigos muito queridos. Porque voltei? Porque o tempo passa e a gente perde o pouco tempo que tem, nessa vida, para estar com os entes queridos e com os amigos do peito. Ver seu paizinho ficando careca, sua mãezinha ficando esquecida, ver seu irmão virar um homem de verdade e principalmente, ajudá-los quando precisam. Tive muito medo de voltar e hoje não me vejo mais morando em outro país para sempre. Sou Brasileira, ué!
    O texto é bem escrito, mas um tanto surreal! Quem, em sã consciência, atravessa uma rua sem olhar pros lados? Só o suicida! Eu aqui nesse Brasil com “Z” que os expatriados esquecem e que acham que lembram por terem sido assaltados, por ter corrupção, etc., volto pra casa a pé depois da minha cervejinha, andando pela rua rodeada de árvores imponentes, nativas do meu Brasil, e que eu costumava subir quando pequeninha, cheias de pássaros coloridos e de macacos. Faço tudo de bike, irritada também, com as crianças do bairro brincando pela rua e pela ciclovia aos berros… Sim, porque brasileiro fala alto, ri alto, joga dominó falando alto. Aqui também tem velhinhos aposentados que se divertem na praça, e é com cerveja com álcool no boteco do seu Zé, pra relaxar num dia úmido e de calor intenso. Tenho um salário médio, onde me dou um luxo ou outro de vez em quando (pago em parcelas uai!!!), mas tenho tudo que preciso e mais importante de tudo, votando de 4 em 4 anos num Brasil (com “S”) melhor, dividindo as aflições e comemorações cotidianas e principalmente, fazendo parte desse mundo onde sou cidadã e também por isso, tento fazer dele mais justo e mais respeitoso possível. Tive que sair daqui para aprender a dar valor, para enxergar os traços culturais do meu povo, afinal de contas, o belo está no olho de quem vê, e eu vejo um Brasil lindo e cheio de defeitos, mas também cheio de oportunidades e de solidariedade.

  147. cássio says:

    Passei 3 semanas nos Estados Unidos e pude perceber o quanto ainda estamos atrasados. O setor de serviços deles são muito bons, as coisas funcionam super rápidas e se você chega num restaurante, é muito bem atendido, diferentemente do Brasil, em que você paga e ainda parece que está pedindo um favor.

    Amo o Brasil, mas acho que muito mais por nascido, me criado e ter família aqui, mas ainda temos muito a aprender com os países do primeiro mundo, mais do que eles com a gente.

    Sem contar que na Europa e nos Estados Unidos, comida, roupa, diversão é muito mais barato que no Brasil. Aqui em nosso país, quem tem um pouquindo de dinheiro já se acha, fica com o nariz empinado. Infelizmente é assim, mas como otimista que sou, acredito no Brasil, e de suas novas perspectivas pro futuro, ainda que leve algum tempo.

  148. ursa says:

    …QUe lindo o discurso de alguem que provavelmente é muito jovem, se ela conseguir manter com pouco dinheiro uma velhice sem amigos sem familia sem uma bicicleta, poder caminhar a qualquer hora sentindo o cheiro da natureza e com pouca estabilidade social e finaceira … LA felicito! porque eu tenho medo…hehehheh eu penso em voltar e morrer e casa..

  149. Oi, Glenda!

    Achei sua reflexão muito interessante, principalmente porque vai além das diferenças geográficas. Você demonstra que a mudança de país significou também (e principalmente) mudança de valores. E isso é muito bacana.

    Há 3 anos eu também mudei da cidade onde nasci (Rio de Janeiro) e, embora não tenho ido para tão longe, pelo contrário, busquei uma cidadezinha do interior, me identifico muito com o que você falou sobre como as pequenas coisas e as mais simples se sobressaem e somos mais felizes, com menos grana, menos badalação, menos nariz em pé, e tudo o mais.

    Tenho certeza de que voltando ao Brasil você contribuirá muito para os que a cercam e poderá sim encontrar um lugar em que possa unir a paz que encontrou aí com a proximidade com tudo o que você gosta daqui.

    Caso opte por ficar na Espanha, também saberá desfrutar do melhor e ainda manter os vínculos que interessam no Brasil

    Sabe por que?

    Porque eu acredito que nós somos o que desejamos, sonhamos e vivemos e não ONDE ESTAMOS e O QUE TEMOS. E acho que você também pensa assim.

    Um beijo!

  150. Fernanda says:

    Eu estou morando na Argentina há 2 anos e 2 meses. Meu marido está trabalhando por uma empresa e eu não. Aqui, por não ser 1º mundo, é muito diferente que qualquer vivência na Europa, por exemplo.
    Meu marido ganha bem, mas eu ainda sinto dificuldades de conseguir emprego na minha área. Levamos 1 hora de carro para chegar ao trabalho dele e eu para onde devo ir para resolver meus problemas do dia-a-dia.
    Ou seja, a nossa qualidade de vida como casal está super desgastada, mal temos tempo um para o outro.
    No Brasil tínhamos amigos, família, em poucos minutos cruzávamos a cidade que morávamos. Éramos felizes com tudo o que um casal de classe média tem no Brasil. Aqui na Argentina não temos NENHUM amigo! Os argentinos gostam dos brasileiros, mas em relação à amizade são muito superficiais. É cada um na sua e pronto!
    Eu não vejo a hora de voltar a ter a minha vidinha de classe média no nosso Brasil maravilhoso, ao lado do meu marido… se o casamento aguentar a solidão que encontramos na Argentina.

  151. O texto que sempre quis escrever e a atitude que nunca tive, por ter seguido demais os conselhos alheios (e sim, não tenho vergonha alguma de admitir isso).

    FANTÁSTICO!!! Parabéns…

  152. Rogério says:

    Por razões históricas países europeus atingiram uma maturidade social antes de nós. Óbvio, eles são mais velhos (daí a expressão “velho mundo”). Já o Brasil, país do “novo mundo” que teve colonização exploratória (diferente da norte americana) ainda pena para alcançar tal maturidade. Principalmente pela indolência apresentada pela população (também culpa do clima). Mas a diferença acaba aí. Mesmo pelo texto da Glenda fica claro que as coisas são bastante semelhantes. Talvez, a maior diferença sejam os olhos de quem está experienciando o novo (no caso, o velho que é novo pra ela). Tudo parece diferente, e quando tudo é diferente a mente precisa estar mais ativa e isso dá uma sensação de tempo diferente o que traz um certo bem-estar. Mas, até onde consigo perceber, é tudo ilusão. A Glenda tá tão fudida lá como estaria aqui. Talvez, ainda mais lá. De qualquer jeito, há sempre a possibilidade de se casar com um gringo rico. A cenourinha de lá parece mais atraente. Quem sabe a maré muda? Há sempre a possibilidade!

    • Glenda DiMuro says:

      Rogério, que pensamento mais machista, hein? Desculpa, mas acabas colaborando com a afirmação do texto sobre a mentalidade de muitos brasileiros…

      • B.A.C. says:

        Desculpe te desanimar, Glenda, mas muitos estrangeiros pensam e dizem coisas ainda piores a respeito de nós, mulheres latinas.

    • B.A.C. says:

      E Rogério, concordo com o seu texto até a parte “um certo bem-estar”. A partir daí, acho que vc não precisava ter sido grosseiro. Eu discordo da Glenda em vários pontos, também acho a visão dela muito romantizada, mas daí a ofender a moça? Pra quê? Vamos nos controlar, pessoal, descer o nível não eleva o debate em nada.

  153. Augusto says:

    depois de ler o que tu escrevestes, posso concluir que teve uma vida muito pobre espiritualmente no brasil, e teve que fugir de tudos e todos para poder ver diferente. uma brasileira que negligenciou a sua evoluçao a seus pares, resolvendo viver depois do qeu aprendeu longe.
    vvives uma ilusao, uma brincadeira, uma bolha.
    fugistes, amedrontada, da dificuldade que é a vida.
    mas agora teus pares, assim como os estrangeiros, virão aqui buscar emprego, porque este teu mundo de fantasia construido acima de pilhagem e saque desde as grandes navegaçoes ta acabando, e a tua vida de maravilhas, custeada pelo suor de latinos, africanos e asiticos. ta acabadno,
    meus pesames

    • Gabriel says:

      Perfeito seu comentário Augusto.

      Para quem nasceu/vive com a “dificuldade” que você aparentemente, Glenda, não teve “viver no mesmo edifício que o motorista do caminhão de lixo e comer no mesmo restaurante da faxineira da piscina…”

      realmente é uma coisa absolutamente normal.

      Você não sabe se volta ?!?!.. Eu te peço, por favor, fique por ai, agora e sempre. O BRASIL não precisa de pessoas como você aqui.

      essa é opinião de um simples brasileiro

      • bruna says:

        simples brasileiro mesmo…sou brasileira e temos que admitir pq isso é fato: empregada nao mora no mesmo edificio que patrao? Ou mora?? pq na minha cidade nunca vi isso….no brasil a sociedade ébem dividida sim….tem bairros finos onde cada apartamento custa mais de 500 mil como tem bairros simples onde é chao batido e uma casa custa 30 mil reais..entao por favor…nao vem dizer que ela que nao esta acostumada, porque esse ABISMO SOCIAL EXISTE SIM NO BRASIL e aqui na EUROPA GRACAS A DEUS AIIINDA NAO EXISTE! Aqui graças a deus nao existe tantas desigualdades sociais, que eh o motivo que mais me faz gostar de estar aqui!