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Glenda DiMuro On February - 15 - 2012

Uma nova forma de olhar. As imagens já não são apenas para serem vistas. As mãos já não são apenas para tocar. Uma nova dimensão da fotografia.

Aproveitando a temporada “mamãe em Sevilla”, estou fazendo um circuito de programações culturais como nunca. Impressionante como alguém de fora consegue saber mais sobre o que acontece na sua própria cidade que você mesmo. Acho que é normal, conheço sevilhanos que nunca subiram na Giralda, monumento mais emblemático do reduto.

E foi assim que coloquei meus pés pela primeira vez na Casa de la Província, um edifício histórico que está bem do lado da Catedral e abriga umas quantas exposições durante todo o ano.

O objetivo era ver uma exposição de fotografias, China: Cara a Cara. Mas acabamos nos encontrando com outra que não chama a atenção pela beleza tanto das fotos em preto e branco (que também são lindas), mas pelo tato. Isso mesmo, uma exposição fotográfica realizada toda em relevo, que se toca, ou seja, feita para pessoas cegas.

Nunca tinha visto algo assim e fiquei impressionada com a riqueza de detalhes que a textura das fotos pode ter. Infelizmente, não tinha nenhuma deficiente visual no recinto naquele momento, mas para mim que não tenho desenvolvido o sentido do tato, foi genial!

E o mais interessante: Juan Torre, autor das fotos, era fotógrafo de imprensa e em 1986 teve uma doença que afetou a sua visão. Ao invés de deixar-se abater, resolveu se dedicar a fotografia artística. E em minha opinião, realizou um belo trabalho com Imágenes para tocar.

Acho que ai se encontra um amplo espaço para a pesquisa e procura de novos materiais que se adaptem melhor a diferentes texturas, para transmitir mais sensações como frio, calor, rugosidade, aspereza, enfim, uma série de coisas que só que não vem o mundo com os olhos da maioria podem sentir. As fotos de Torre são resultado de um projeto de pesquisa e inovação tecnológica, já que são aplicadas nas imagens diferentes técnicas para descompor cada detalhe e sobrepor elementos, utilizando um processo de impressão que inclui tintas UV (veja os detalhes aqui).

Fica a dia para quem está em Sevilla. A exposição vai até dia 26 de fevereiro e é grátis. Proibido não tocar.

Categories: Espanha, sevilla

3 comentários

  1. Muito lindo! Eu achava que não existia essa tecnologia. Então logo os cegos também poderão “ver” a si mesmos e a outras pessoas nas fotos em relevo! Creio que no começo as revelações de fotos em relevo serão caras (como toda nova tecnologia), mas logo estarão acessíveis ao maior número possível de pessoas.

  2. mirelle says:

    Ai, que demais! Otima a ideia dele, otimas as fotos, otimo ver alguem que não se deixa abater e segue lutando diante das dificuldades. Tenho recolhido exemplos assim ultimamente pq ando precisando.

    Sobre não conhecer a cidade onde moramos, tenho a mesma sensação que você. Apesar de explorar bastante Lyon de bicicleta, ainda não conheço alguns dos principais museus e galerias (que todo turista que vem aqui ja deve ter visto). Preciso ficar em dia com as coisas lindas dessa cidade tb.

    beijos!

  3. Glenda, que maravilha de post! Fiquei emocionada só em pensar em um dia ver/tocar essas fotos. Minha mãe tem baixíssimo visão e, tenho certeza, que ela adoraria algo assim, logo que muitas coisas ela já “vê” com alma. Vou procurar os trabalhos desse fotógrafo e torcer para haver alguma exposição dele aqui em São Paulo. Ah, sobre não conhecer a própria cidade, puxa vida, nem me diga! Comecei a conhecer mais a minha cidade, depois que comecei a viajar por outras fora do Brasil. Sempre quando volto, quero conhecer a minha terra da garoa com mais benevolência. Ainda bem que isso acontece! Um forte abraço!

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Glenda Dimuro