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Glenda DiMuro On April - 27 - 2012

Obvio que em 6 anos de blog já tive altos e baixos, mas confesso que nunca estive tão em baixa. Não eu, eu estou ótima, digo em baixa de postagens. Odeio textos daquelas pessoas que ficam se lamentando e pedindo desculpas porque estão escrevendo pouco. Desculpas por desaparecer, por «abandonar» as leitoras.

Eu nem tenho tantas leitoras, já que o Google mandou pro bebeléu minhas seguidoras. Tenho poucas leitoras fiéis, mas a grande maioria chega aqui por acaso quando está buscando informações sobre a Espanha. E no mesmo Google (cretino). Quando a Espanha perde a graça, o blog e eu também acabamos esquecidos.

Claro que tem gente que não me esquece. Já fiz amizades e conheci muita gente legal através da internet. Podem falar mal da internet, mas na mesma medida que ela separa as pessoas, ela aproxima. Me sinto próxima de gente que nem conheço e longe de muitas conhecidas.

As conhecidas daquele tipo que às vezes esquecem que você existe. Esquecer que alguém existe é foda. Não, foda mesmo é sentir-se e/ou sentir a indiferença. Perceber e respeitar as diferenças é importante, mas não tem nada a ver com neutralidade. Ou você é isso ou aquilo, ou é daqui ou dali, ou está cheio ou está vazio.

Ou vai pra lá ou pra cá… E ainda dizem que o caminho do meio é importante. A idade me mostra a cada dia que a felicidade não está nos extremos. Vivendo e aprendendo, sem pausa, mas sem pressa.

A pessoa que acorda todos os dias ao meu lado descobriu que não tenho paciência. Oras, logo eu que sempre me considerei uma pessoa, além de prestativa e organizada, calma. Mas uma coisa é o que você se considera e outra é como consideram você. E pelo visto não sei esperar.

Falando assim parece que quero tudo pra já, pra ontem. Não é verdade, quero alguma coisa para hoje e muitas para amanhã. Minha vida atual se resume a plantar e regar (literalmente). Me divirto enquanto espero a colheita.

E tenho certeza que ela chegará. Porque se tem uma coisa que estou é (quase) sempre certa. E normalmente acerto, mas (quase) ninguém concorda. Dizem que sou péssima conselheira.

Deve ser porque eu digo o que a outra pessoa não quer ouvir. Quem sabe eu não sei falar. Comunicação, pasmem, nunca foi meu forte. Já perdi boas oportunidades por não manter a boca aberta.

E outras tantas por não manter a boca fechada. Sinceridade nem sempre é bem vinda, ainda mais de seres insensíveis. Sensibilidade é uma virtude daquelas que poucas pessoas sabem usar. Uma pessoa tem que ser sensível na medida certa, se não estraga.

Melodrama é um saco. E grosseria também. Maldito caminho do meio. Como dizem que não tenho paciência, me qualificam no ultimo grupo.

A gente (eu estou incluindo você também) gosta de qualificar as pessoas. Qualificamos inclusive sem conhecer. Hoje qualifiquei a namorada de um amigo de chata. Nunca troquei uma palavra pessoalmente com a chata.

É chata só de olhar. Além de chata, é metida. A que, não sei, mas é metida. Deve ser porque não come carne.

Tem muita gente que não come carne que se acha superior. E são mesmo, não comer carne é coisa de sábias. Sábia decisão e sábia força de vontade. Quem dera eu conseguisse não ter vontade de comer um assado de tiras.

É a velha história, o que os olhos não vêm o coração não sente. Típica desculpa de corno. Amo a gata Lola, mas não estou nem ai para o vídeo da fábrica de pintinhos. Embora ovos aqui em casa só entrem se forem ecológicos, de preferência sem nenhum carimbo.

Já estou cansada de tanta etiqueta e qualificação. Tudo está selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado e não nos permite sair da linha. Está difícil mudar o cenário do patético (e irreal) céu azul. Parecer feliz e bem sucedida é mais importante que ser.

Pois eu sou. Sou em pensamento e em ações desde a minha própria perspectiva. Para mim o pensamento é a coisa mais fantástica que já foi inventado. Acho até que ganha das realizações, que sempre vêm acompanhadas de tantas frustações…

Há quem diga que isso é viver. E digam o que disserem, sou apaixonada pela vida, mesmo que às vezes doa (porque doi). Voando vou e voando venho. Pelo caminho eu me divirto.

Categories: Cotidiano

15 comentários

  1. ah, eu sou do time que não te abandona. leio leio leio e não me canso. o seu blog é um dos meus preferidos, você sabe.

    gostei muito das suas reflexões de hoje. parecem um pouco desconexas a principio mas basta logica para ver que elas estão ligadas. acho que somos parecidas em muitas coisas, embora diferentes em tantas outras.

    vc podia morar mais perto pra gente tomar uma xicara de café de vez em quando…

    • Glenda DiMuro says:

      Poxa, é verdade Mi. Pode ter certeza que eu não ia marcar o nosso café na agenda com um mês de antecedência!

  2. Lucas says:

    Etiquetar e pré-conceituar pessoas é um dos grandes males do ser humano. Duvido que alguém nunc atenha feito isso, faz parte da nossa natureza falar mal do outro.

  3. Mariane says:

    Oi Glenda! Eu sou uma das leitoras fiéis! Achei estranho que já não recebia noticias do seu blog, quando vi que o google tinha feito essa sacanagem com um monte de gente. Gosto muito dos seus textos, mas quase nunca comento. Falha minha, né? kikikikiki…

  4. Só Zinha says:

    Essa história de caminho do meio é muito budista pro meu gosto. Você tem que ser feliz do jeito que consegue, não seguindo doutrinas. Gostei do blog, indicação de uma amiga que também está indo para a Espanha. Chegamos em setembro, mas vamos para Madrid. Alguma dica especial?

    • Glenda DiMuro says:

      Olá, esse blog tá cheio de dicas. Aqui só tem dicas…hahaha… Mas cada cabeça, uma sentença. Tudo o que eu conto aqui pode servir para você, ou não. Experimente buscar as postagens antigas, falo bastante de Sevilla, mas muita coisa serve pra Espanha de um modo geral. Boa sorte!

  5. Renilse says:

    Glenda,

    Te parabenizo pelos 6 anos de postagens qualidade demonstrados aqui no blog.

    Um grande abraço!!

  6. ernani says:

    Belo desabafo! Parece que vc tava com a cabeça pensando mil coisas e precisava desesperadamente colocar pra fora e saiu tudo na forma de um texto bacana. Não sei o que quer dizer realizar, mas também vejo o pensamento como uma grande conquista. Longa vida aos que têm opinião!
    Bjo, vizinha!

  7. Sério, eu já estava sentindo sua falta por aqui. Este blog foi muito útil – eu diria até imprescindível em alguns casos – para a viagem que eu e minha esposa fizemos em janeiro do ano passado. E creio que ele ainda será muito útil não só para mim, mas para muitas outras pessoas.
    Conhecer você e seu marido, tanto pela Internet como pessoalmente (eu me lembro até hoje da descrição da morte do touro que o Paulo Ramalho fez em frente à cafeteria La Ibense Bornay), me ajudou a investir num projeto que certamente será muito útil não só para seus conterrâneos, mas para a literatura brasileira de um modo geral. Se Deus quiser, lançarei um romance de ficção ambientado no Rio Grande do Sul no dia 20 de setembro deste ano, coincidindo com o feriado da Revolução Farroupilha. E eu e minha esposa estaremos, permitindo Deus, em Porto Alegre na primeira quinzena de julho de 2012, distribuindo convites para os gaúchos acessarem a página do Clube de Autores e acompanharem o lançamento de meu quarto livro. Vocês também estão convidados.
    Que Deus continue a ampará-los tanto em Sevilha como em qualquer outro lugar onde estiverem. Aprendi a amar vocês dois como irmãos e desejo que sejam cada vez mais felizes, seja do lado de lá ou do lado de cá do Atlântico.

  8. jesus pires says:

    Oi Glenda, não dá mesmo pra ficar no meio.Seria como ficar entre Pelotas e Rio Grande, ou seja em lugar nenhum.Ter opinião , mesmo que não agrade sempre, é o melhor que as pessoas podem levar de ti, de mim e de quem se expressa desta forma.

  9. Luiz Peter says:

    tu, pertinente como sempre e eu persistente nas leituras. quanto ao google ele cria a expectativa (porque é de graça, acho) e depois se julga no direito de tirar – é sacanagem né?

  10. Luiz Peter says:

    será que o engenheiro Paul Bucheitt morreu? “Don’t be evil” era o slogan quando o google foi criado. Ou será que somente os usuários “não podem ser maus”? acho que deverias representar uma queixa contra o google…

  11. Beth Blue says:

    Que texto inspirado, hein? Tão cheio de qestionamentos e certezas e enfim, tão humano, O ser humano é mesmo esquisito e tem necessidade de rotular tudo para ter a ilusão de que entende. Mas quem entende mesmo sabe que o rótulo mais limita do que define. Eu sou muito mais do que um rótulo.

    No mais, entendo a sua impaciência! E confesso que eu mesma ando sem paciência para as pessoas. As relações humanas em tempos de redes sociais às vezes me cansam…eu às vezes simplesmente me esqueço dos códigos…e vem logo alguém rotular.

    Quanto a esquecer, não fique chateada. Amigo mesmo nunca te esquece, mesmo aquele que talvez não visite seu blog com tanta regularidade. Eu mesma gosto muito do que você escreve (embora nunca tenha dito isso antes). Gosto de gente inteligente, bem-informada e com opiniào própria. Porque o mundo está cheio de Maria-vai-com-as-outras. Gente que não fala, mas repete. Que não pàra pra pensar mas simplesmente repete opiniões sem questionar nada. Eu nào sei viver assim (e acho que você também nào, né?).

    beijos e siga escrevendo!

  12. Camila says:

    Glenda, concordo em gênero, número e grau.
    Sinceridade é só para quem tem muita coragem!

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Glenda Dimuro