bookmark bookmark  
Glenda DiMuro On June - 19 - 2012

Que na Espanha se fala espanhol, isso todo mundo sabe. O que muitos não sabem é que, ainda que o castelhano seja a língua predominante em quase todas as comunidades autônomas do país, o bilinguismo é uma prática bastante habitual entre os espanhóis.

Além do “castellano”, que é a língua oficial, existem outras co oficiais, que são o “catalán” (com as variações chamadas de “valenciano” e “balear”), o “gallego”, o “euskera” e o “aranés”. Todas, exceto o euskera, são originárias do latim e pertencem ao subgrupo das línguas ibero-românicas.

Segundo uma pesquisa realizada em 2005, o castelhano é a língua materna de 89% da população, o catalão/valenciano/balear é de 9%, o galego de 5% e o euskera de 1%, e ainda 3% tem uma língua de outras origens, fruto da imigração. A soma não é de 100% porque muita gente considera duas línguas como maternas…

O “catalán” é falado na Cataluña, onde fica Barcelona. O “balear” é falado nas Ilhas Baleares, onde estão Ibiza e Palma de Mallorca, por exemplo. Na comunidade Valenciana (onde obviamente se encontra a cidade de Valencia), se fala o “valencià”. Na Galícia, onde estão A Coruña e Santiago de Compostela, o idioma co oficial é o “gallego”, uma língua que mistura espanhol com português. Já no País Vasco, se fala o “euskera”, que é considerada uma língua “ilhada”, pois não se parece com nenhum idioma falado hoje em dia. Ainda existe o “aranés”, falada no Valle de Arán. O castelhano é a única ligua oficial em Asturias, Cantabria, La Rioja, Aragón, Castilla y León, Madrid, Castilla-La Mancha, Extremadura, Andalucía, Canárias, Murcia, Celta, Melilla e grande parte de Navarra.

 

Além dos idiomas co oficiais, ainda existem aqueles que são considerados simplesmente como “sotaques”, ou dialetos, que é o caso do andaluz (falado na Andalucía) e da língua falada nas Ilhas Canárias, por exemplo. Existe inclusive um grupo de pessoas que defende a regulamentação do “andalú”, com a criação de uma nova ortografia que permita aos povos do sul da Espanha “konzerbá nuehtro legao kurturá” (consevar nosso legado cultural).

Na Andalucía ainda tem gente que “sesea” e “cecea”… Isso é muito complicado de explicar e principalmente de falar! São os chamados fenômenos fonéticos (que para mim é igual como se falassem com a língua presa), mas na prática é trocar os sons de “z” e o “c” por “s” (zapato, normalmente se pronuncia “sapato”, mas quem sesea diz “ssapato”…)

Quem, como eu, aprendeu espanhol com nativos americanos ou inclusive com professores brasileiros, pode ter algumas dificuldades no início, mas logo vai pegando o ritmo. E em cidades tão cosmopolitas como Barcelona, muitos brasileiros dizem que sobrevivem bem só com o castelhano. Eu sou sempre a favor de falar a língua local, afinal de contas, meu castelhano está mais para “andalú” que outra coisa.

Dá para perceber o tamanho da diversidade cultural que existe num país de menos de 50 mil habitantes. Em cada canto se escuta um sotaque diferente, mas é claro que em todos estes lugares o espanhol “de toda a vida” também é compreendido e falado.

*****

Andaluz não é mole

No entando, em cidades da Espanha profunda (interior do interior) algumas vezes é mais difícil comunicar-se em castelhano limpo e claro. Isso não é lenda, é verdade. Um ótimo exemplo disso é esse video muito engraçado, de um pai que liga para o filho pedindo que ele lhe ajude com uma cabra. Óbvio que é da Andalucía profunda mesmo, mas o sotaque falado nas zonas urbanas algumas vezes não é muito diferente.

Escute com seus próprios ouvidos (primeira parte sem legenda e a segunda tem uma legenda em andalú):

Quem precisar de ajuda para entender, posso ver o que consigo fazer!

 

Categories: Espanha

6 comentários

  1. U says:

    ha ha ha

    Sim, eu me lembro desse video. Muito bom.

    Esses links aqui são de cursos dandalú:

    http://www.youtube.com/watch?v=kJyTXevQrtQ
    http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=-d9uENfaxp8

  2. Marina says:

    Que coisa mais engraçada esse diálogo!

    Glenda, teu post me lembrou do dia E, que será comemorado em todo o mundo este sábado. http://www.eldiae.es

    bjo!

  3. Os dois sujeitos do vídeo parecem estar brigando, ou mesmo xingando um ao outro, kkkkkkkkkkk…
    É incrível como não somente a Espanha, mas também como a Europa como um todo, apesar de ter quase o tamanho do Brasil, ter tantos idiomas num espaço territorial tão pequeno… O Reino Unido também tem vários idiomas e dialetos, mesmo sendo ainda menor que a Espanha, somando-se os territórios da Inglaterra (cujo inglês é muito mais bonito de ouvir e de falar que o dos Estados Unidos), da Escócia (que possui um sotaque próprio, principalmente em palavras com “ch” mudo), do País de Gales (onde se fala o galês, que não tem nada a ver com o inglês) e da Irlanda do Norte (onde, além do inglês, fala-se também o gaélico). Já nosso Brasil, apesar das grandes diferenças entre os sotaques regionais, é possível entender e ser entendido do Oiapoque ao Chuí.
    Confesso que não tive dificuldade em minha passagem pela Espanha, talvez porque todos os espanhóis nativos com os quais eu conversei não falavam “andalú”.

  4. GEOLINGUA – ver no google o que significa esta palavra. – Será, sem duvida, a língua que irá unir, o mundo! – É, para esta missão que nasceu a Fundação Geolíngua.

  5. Eraldo says:

    Já falam criptografado.
    Imagina o que sofre a gente da NSA, e com o árabe que tem uma entonação parecida?
    As vezes não entendo algumas pessoas ao telefone pelo sotaque (em PT-BR) e culpo a operadora.

Deixe o seu comentário

Glenda Dimuro