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Glenda DiMuro On June - 26 - 2012

Todo ano é tudo sempre igual. Chega o verão na Espanha começam as reportagens na TV falando do calor, da tal massa de ar quente que vem da África, das dicas para não morrer desidratada ou torrada… (pensando bem, em tudo quanto é canto do mundo é igual. Ô jornalismo sem criatividade). E todo ano eu venho aqui no blog chorar as minhas penas. Se você AINDA não sabe, fique sabendo que Sevilla é in-su-por-tá-vel no verão. 40, 42, 43, 44 graus. Na SOMBRA. É mole ou quer mais?

Pois tem mais. Juro que já nem me preocupo com as temperaturas máximas. Nem vejo a previsão do tempo porque já sei que vai fazer sol e muito calor. CALOR e SOL. Chuva agora por estas bandas só em outubro e olhe lá (ai que saudade os temporais subtropicais). Um grau a mais ou a menos para quem está no inferno não faz a mais mínima diferença.

E falando em mínima, isto é a única coisa que me preocupa, a temperatura mínima.

Depois de alguns bons verões sevilhanos, aprendi uma coisa: existe uma temperatura máxima para que seu corpo consiga relaxar, ou seja, para uma boa noite de sono é necessário que a temperatura ambiente não ultrapasse certos limites, nem muito frio nem muito quente. Parece uma coisa óbvia, né? Nem tanto, principalmente para mim que detesto dormir com ar condicionado.

Dizem os entendidos, que a temperatura ideal para que você consiga dormir com os anjos está entre 17 e 21 graus. E numa cidade onde as mínimas noturnas (e digo madrugada) não baixam dos 26-28 graus, isso é uma missão impossível. A cada verão em Sevilla são registradas as mínimas máximas de toda Espanha.

Durante o dia me viro bem com o manual de sobrevivência que sigo a risca: saio de casa somente antes das 12hs, depois disso, janelas e persianas fechadas (penumbra total, admito), cancelo qualquer programação suicida de almoço na rua ou encontro antes das 20hs (prefiro marcar depois das 22hs) e pela noite, abro as janelas para pelo menos trocar um pouco o ar. Sim, eu sei, depressão total. Mas o verão em Sevilla é assim, de deixar louca qualquer pessoa mais sociável.

O legal de tudo isso é que a noite vira uma criança. Eu não sou a única pessoa que não sai de casa, quem pode só coloca o nariz para fora pela noite. Isso não é coincidência, é questão de lutar pela sobrevivência.

Parece que julho é o mês mais infernal de todos. Claro, isso porque em agosto a cidade fica vazia porque vai todo mundo para a praia (todos que podem e grande parte dos que não podem). Mas, como para variar sempre faço parte do timeco que não pode viajar mesmo (por questões de trabalho, por (falta de) dinheiro, por achar um absurdo os preços das viagens em agosto), me toca mais um verãozinho na frigideira da Andalucía.

E mais uma vez, aguentando as malditas mínimas máximas… Será que eu sobrevivo?

Categories: Cotidiano

23 comentários

  1. Glenda, te entendendo bem.
    Morei dois anos na Espanha, mas morei em Bilbao, no norte.
    No verão lá fazia bastante calor, normalmente os dias chegavam até 40°C, porém quase todos os dias, no fim da tarde sempre vinha aquela chuva de verão e 20 minutos depois um mega sol e calor novamente.
    Mas o bom mesmo era que a noite, a temperatura caia bastante e dava pra dormir tranquilamente.
    Já passei alguns verões em Sevilla e sei do que você está falando, é um calor insuportável mesmo! :S
    Enfim, como não há nada a fazer, boa sorte!
    Beijos =)

  2. antonia says:

    Hola Glenda quando vim morar na Espanha um dos motivos de escolher a Galicia foi o tempo, aqui faz calor tambem porem poucos dias, nosso verao nao passa muito de 27 graus, e de noite esfria,a galicia è terra de brumas, muita chuva e de frio, mas tem muita praia e muito so mas nada a ver com Sevilla, eu detesto o verao, minha casa tem ventilador de teto ate na cozinha, e ar condicionado em boa parte, nao suportava o calor do Brasil, e ainda nao suporto quando vou la reclamo o tempo todo.
    No verao do Brasil eu dormia com uma toalha molhada na cama, nao suporto mesmo, nao viajo no calor, nao saio, so vou no supermercado e na missa, deixo a casa na penumbra, e graças a Deus meu marido me entende . Te entendo perfeitamente e claro odeio praia. Um beijo.

  3. jesus pires says:

    Oi Glenda.Minha primeira impressão foi cruel:vindo de Lorca, que já é quente, no ar condicionado muitobom do onibus, desembarco em Sevilla em pleno agosto.Quando a porto do bus abriu, era como se o inferno estivesse no primeiro degrau.Mas é um calor suportável, pois é seco.Cheguei a fotografar 47º às 19hs, mas sei que as 15 hs,devia estar folgado uns 50º.Mas Sevilla é minha cidade favorita na Espanha.
    Abraço

    • Glenda DiMuro says:

      Sim, o choque térmico que a gente tem às vezes é pra matar! Acontece o mesmo quando entramos em centros comerciais como o Corte Inglés… lá dentro é o polo norte e fora o deserto do Sahara!

  4. Parece que algumas localidades brasileiras, especialmente Goiás e o Distrito Federal, também são muito secas no verão. Talvez não sejam tão quentes como o Rio de Janeiro (bem mais úmido, principalmente entre outubro e março) e o Nordeste, mas dá para imaginar que, em comparação com o calor do verão sevilhano, tais regiões parecem o paraíso.

    • Glenda DiMuro says:

      É verdade Paulo, um dos maiores calores que passei no Brasil foi em Brasilia, e pior de tudo que meu nariz até sangrou de tão seco. Mas nada se compara ao bafo sevilhano.

  5. wilma says:

    Bom saber, nunquinha quero ir pra esse lugar no verão, nunca podia imaginar um calor assim na Espanha, só espero que pelo menos tenha fartura de energia para que os aparelhos funcionem pra amenizar isso, não suporto calorão!! Já li que em algumas cidades da Europa estão com altas temperaturas no verão e não tem nenhuma infraestrutura para amenizar, é um verdadeiro forno!!

    • Glenda DiMuro says:

      Sim Wilma, aqui em Sevilla qualquer buteco tem ar condicionado. Se não fosse assim, não teria nenhum cliente! Os ônibus têm um ar bastante potente e a grande maioria (quase absoluta) das casas também. Se não fosse por isso, não existiria mais sevillanos no século XXI! Meu vizinho de 80 anos disse que antes não era tão forte o calor…coisas do cambio climático e de tanto asfalto!

  6. gabriel says:

    Ainda bem que você falou do lado bom de tudo isso: a noite vira uma criança. nada melhor do que caminhar nessa cidade 1h da manhã e ver a rua lotada. ê saudade! passei três meses ai e sempre que via a rua cheia uma hora dessas, ficava sempre impressionado.

    e depois o povo julga os andaluzes por dormirem suas siestas! impossível não sentir mole depois de comer sobre tanto calor.

    besos!

    • Glenda DiMuro says:

      Sim, sim, sim…Sevilla é linda pela noite…coisa boa caminhar pelas suas ruas…uma coisa que vou lembrar pela vida toda.

  7. Mile says:

    Afff aqui tá um horror tb, as vezes dá vontade de chorar de desespero…eu simplesmente ODEIO calor. Sevilha é realmente um inferno na terra, fui uma vez no verao aí pra nunca mais, peguei 48 graus, isso há 7 anos.
    Bjoks e beba muuuuuuita agua

    • Glenda DiMuro says:

      Hoje passei por Jerez! De trem…aliás, tenho uma super amiga brasileira, casada com um espanhol, que tá indo viver ai em Jerez em setembro. Certamente ela “precisará” de amizades… quero apresentar vcs!

  8. Fernanda says:

    Ai Glenda vc disse tudo..todo verão fico deprê..isso de ficar no escuro durante o dia e não sair em certas horas é o fimmm…eu até fujo pra algum shopping mas quem aguenta ir todo dia aos mesmos lugares fechados?Menos mal que é somente 3 meses por ano..que venha o inverno!kkk

    • Glenda DiMuro says:

      3 meses? Que nada, aqui o calor começa em junho e vai até setembro… outubro ainda rola uns dias bem quentes. Os meses de inverno, inverno mesmo são só dezembro, janeiro e fevereiro.

  9. Beth says:

    Caramba Glenda! Calorão de matar hein? E o povo aqui na Holanda só sonhando com férias de verão no sul da Europa! Eu prefiro temperaturas mais amenas, e por essas e outras que irei ao Brasil em julho com meu filho. 20 a 25 graus no Rio é tempo de praia pra nós que moramos aqui na Holanda, rsrsrsr.

    Você reclamando do calor e aqui só chove…verão ainda não deu o ar da sua graça 🙁

  10. E aí Glenda, qué tal estás??
    Bom, eu morei só 6 meses em Sevilla então não experimentei esse calorzão que todo mundo fala de junho, julho… Cheguei em setembro, mas peguei só umas 3 semanas de calor. Quando pisei no hostel em Sevilla achei que ia derreter! Mas o frio chegou muito rápido aí já em Novembro eu reclamava da falta de sol. E dezembro foi frio e chuva o mês inteiro! Ter que ir pra Facultad de Comunicación às 8h era o fim hahah!
    E quando vim embora p/o Brasil, na última semana de fevereiro deste ano, o frio ia desaparecendo, o pessoal voltava ao Guadalqvir e o sol voltava à reinar nessa cidade maravilhosa! Aí justo nessa hora meu período aí acabava!
    Um brasileiro da minha cidade que mora aí há 11 anos me dizia que o frio era tranquilo e que só fazia umas 2 semanas de tempo ruim…Mas pra um brasileiro desacostumado como eu, era um saco ficar meses sem ver o sol! O pessoal de Pernambuco que vivia em Sevilla não aguentava mais!
    Às vezes bate um pequeno arrependimento de não ter ido fazer intercâmbio aí no 1º semestre, mas quando penso nos 6 melhores meses da minha vida na Europa,,, só dá alegria!
    Agora no Facebook eu vejo as fotos dos Erasmus que permaneceram aí, dá uma saudade insuportável!! Quem sabe um dia eu volte a me perder nessas ruas apertadas à 1h da manhã sem preocupação por nada…que paz!
    Beijão!

    • Glenda DiMuro says:

      Seu amigo tem toda a razão, o inverno em Sevilla é bem menos rigoroso que na maioria das cidades da Europa. É verdade que nos últimos dois, tres anos os invernos foram bastantes chuvosos, mas segundo os expertos, aqui é assim, ciclos de 3 a 4 anos de chuva e seca no inverno. Meus dois primeiros invernos foram lindos, frio e sol a pino… maravilhoso! Espero que o próximo seja igual.
      Realmente vida de Erasmus é só festa… mas como nunca fui um deles…
      Beijos.

  11. Juliana Bang says:

    Eo morei até o começo desse ano no litoral de Murcia, e mesmo assim nao dava muita coragem de ir na praia durante a tarde…o caminho para chegar até lá era um inferninho, literalmente!!!

  12. U says:

    Glenda,

    Como se diz aqui: “Mal de muchos, consuelo de tontos”. Eu moro em Sevilha e normalmente passo quase todo o tempo aqui, embora vá pras praias andaluzas e portuguesas nos finais de semana.

    Ânimo, que a gente pode superá-lo um ano a mais!

    Minha mulher é nordestina (São Luís do Maranhão). Quando tava se preparando para vir morar comigo, eu lhe avisava sobre o infernal calor desta terra. Ela respondia: ah, calorrr…que maravilha! Aí eu falava: não, não, você não está entendendo, faz MUITO calor. E ela: mas não tem ventilador? Se tiver, tá tudo legal. Eu: Não, carinho, você não sabe do que eu estou falando. É calor meeeeesssmo!

    Agora ela até passa mal nos verões. E pior. Ela cobra de mim por não ter lhe avisado desde inferno! Pode uma coisa dessas? 🙂

  13. Leti says:

    Olá Glenda,
    Legal o post. Todo mundo aqui reclamando do calor e eu tentando imaginar que delícia ter um verão assim tão longo e quente, com passeios pelas ruas a 1h da manhã. Tá certo, td que é demais, cansa, mas um verão tão curto como o suíço, com temperaturas médias de 20, 25 graus e que nos dias mais quentes do ano chega no máximo a 33 graus (uns três dias por ano) não anima, não… E tudo isso só dura uns 2 ou 3 meses com muita sorte.
    Sem falar no inverno que, este sim, é looongo, escuuuro e beeem frio. Parece o bicho papão.
    Fazer o que, parece que a gente quer ter sempre o que falta. 🙂
    Abraço

  14. Lidi says:

    Oi Glenda! Sou gaúcha tbm e encontrei seu blog a algum tempo atrás, bem por acaso. Quero te dizer que gosto muito de ler seus posts. Que pena que sempre entro e não tem um post novo 🙁
    Espero ler um novo em breve, não deixa esse blog morrer ou eu e outros leitores ficaremos órfãos =)
    Bjs

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Glenda Dimuro