bookmark bookmark  
Glenda DiMuro On September - 14 - 2012

Tenho visitado muitos blogs amigos e lido muita gente reclamar da falta de comentários nos seus posts. É engraçado como a gente que escreve sente a necessidade de sentir-se ouvida, e se quem lê não dá seu feedback, é praticamente como se estivéssemos falando com as paredes.

Concordar, discordar, falar qualquer coisa, mas expressar alguma opinião é importante. Sempre digo que pior que o amor ou o ódio é a indiferença, e a falta de comentários pode ser a prova viva disso.

No caso desse blog que você está lendo, ocorre uma situação curiosa. Embora as visitas venham aumentando a cada dia, o número de interações não sobe na mesma proporção.

Pensando bem, não é tão difícil de entender esse fenômeno. Num mundo de «imediateses» e de 140 caracteres, que chega ao final de um post com mais de 400 palavras? Todo mundo tem pressa, quer informação mastigada, e nem sempre sua vida consegue ser tão cor de rosa ou tão negra a ponto de chamar a atenção dos curiosos de plantão, dispostos a ler posts intermináveis.

Tem uma coisa que eu nunca esqueci na vida e que me foi ensinada nas minhas primeiras aulas, logo que entrei na faculdade. A Rita, minha professora de História da Arquitetura (acho que era isso) mandou a gente escrever em poucas linhas sobre um tema que eu agora nem lembro qual era. Mas isso é irrelevante, o que importa é que eu achava impossível escrever sobre o assunto que ela propunha em menos de uma página. E então ela disse: vocês tem que ter capacidade de síntese.

Capacidade de síntese. Desde então nunca mais esqueci essa frase. A Rita provavelmente nem se lembre disso, mas eu sempre me recordo cada vez que escrevo um texto longo e sem fim (e muitas vezes que termina sendo desinteressante). Tudo o que você escreve fica muito mais interessante se puder ser diminuído pela metade.

É fato. Esse texto mesmo, já está ficando chato de ler. Mas quem disse que eu consegui desenvolver esta tal capacidade. Já se vão 9 anos que ela me disse isso e volta e meia ainda caio na lenga-lenga.

Agora mesmo, já cheguei nas 363 palavras, falei, falei e não disse nada. Acho que vou deixando por aqui. Quem sabe um dia eu consiga tocar os corações indiferentes e fazer com que soltem a língua aqui neste blog.

Quem sabe se eu conseguir ser «sintética» não fico mais interessante…

Categories: Cotidiano

22 comentários

  1. Teo says:

    Ok, Glenda, aqui fica um comentário! 🙂 Eu achei o teu blog por acaso e vou seguindo no Google Reader sempre que aparece um post novo. Identifiquei-me contigo por ter morado 14 anos em Porto Alegre e trabalhado com gente de Pelotas (Capão do Leão – Frigo Extremo Sul) alguns anos. Leio dezenas de blogs por semana e não dá para comentar a maioria dos posts porque o tempo é escasso, claro. Uma coisa deve ficar clara, se há quem leia é porque gosta do que lê, se não, não voltaria. Eu curto os teus escritos, segue em frente! Abraço T

  2. Beth says:

    Nossa, Glenda…então sofremos do mesmo problema. Eu sempre fui prolixa, sou apaixonada pelas palavras e me deixo levar por elas.

    Mas em tempos de Twitter e de vida corrida, acho que precisamos urgentemente aprender a arte da síntese, como você mesmo apontou.

    Também tenho percebido que as pessoas andam com preguiça de ler textos longos…eu li o seu até o fim, viu? rsrsrs

    Vai ver está na hora de nos adaptarmos aos novos tempos, reformular os blogs, sei lá. Se você encontrar uma solução para o nosso problema, me avise 😉

    greetings from Amsterdam

  3. Luiz Peter says:

    isso é reflexo da época que estamos vivendo – muita conversa e pouca ação. veja os resultados dessas reuniões de países sobre poluição ambiental, clima, desmatamento,etc. nuitos protocolos, muitas intenções, acordos, enfim uma burocracia imensa e de ações práticas quase nada. O maior interesse dos comandantes é o dinheiro,encher os bolsos…

  4. ernani says:

    concordo discordando. o texto curto é mais atraente, claro. às vezes tenho preguiça quando chego num blog e vejo um texto gigante. e também sei de algumas pessoas que só me leem quando o post é breve. é natural. mas o poder de síntese é bom pra eliminar as informações desnecessárias do texto… às vezes, mesmo jogando fora tudo o que não presta, ainda sobra muita coisa interessante pra ler. e é nessa hora que o texto longo vale muito a pena. já vi vários desses por aqui. 😉
    bjos

  5. Natalia says:

    Percebo a mesma coisa no meu blog e em vários outros que leio. Outro dia uma frase me chamou atenção, ela dizia mais ou menos que quando o leitor deixa um comentário num post isso equivale à elogiar o chef num restaurante. E às vezes um texto curto é tão sintético que nem sabemos o que comentar! Gosto bastante dos seus textos porque são bem estruturados e não me incomoda nem um pouco se eles são longos!

  6. Silvana Bicca says:

    Adoro teu blog Glenda. Me identifico muito com aos posts.
    Sou de Porto Alegre, passei várias férias de julho em Pelotas e adoro Sevilha. Minha preferida, das cidades que conheci da Espanha. A luz da cidade é ótima para fotografar e as fotos do Paulo são lindas.
    Se tiveres tempo, posta sobre o trabalho que estás fazendo, sobre as plantações nas azoteas. Muito legal ver esses espaços sendo bem aproveitados. Também curto os posts sobre o Uruguay.

  7. Luana says:

    oi glenda, faz meses que venho visitando seu blog quase que diariamente – nunca comentei. Tambem sou blogueira e sinto que estou falando pro espaço quando nao recebo comentarios.. mas escrevo meu blog pra mim mesma acima de tudo. So quero deixar um recado que adoro seu cantinho e continuarei visitando seu blog por muito tempo!! abraco

    • Glenda DiMuro says:

      Pois eu não sei se escrevo pra mim… acho que escrevo mais para os outros mesmo! Enfim, leitoras como vcs é que fazem a gente seguir adiante! Beijos

  8. Eduardo says:

    Eu não imaginava que a falta de comentários incomodasse, mas faço uma utilização meio voyer dos blogs, somente lendo e pensando. Bem, de todo modo parabéns pelo seu. Adoro compartilhar a sua visão de mundo e, como também moro fora, me identifico com muita coisa.

    Abraço.

    • Glenda DiMuro says:

      Já me incomodei mais com a falta de comentários… mas é verdade que fazem falta! Abraço Eduardo, volte sempre!

  9. Essa capacidade de síntese que todos buscamos e que raramente adquirimos…
    Volta e meia veio aqui no seu blog, mas é verdade que antes era mais assídua quando suas atualizações apareciam no meu blogroll. Acabo visitando mais os blogs que aparecem na minha lista, os demais, como o seu, apenas quando sobra um tempinho e tento ir em um por um…
    As visitas no meu blog tb aumentaram absurdamente (apesar dos comentários raros), mas eu já penso que é alguém que busca uma informação no google e se depara com o blog. Se a pessoa encontrou a informação, ótimo, ela anota e vai embora. Ou então não encontrou e parte em busca do que precisa. Tudo sem comentário. Muitos leitores não percebem a importância dos comentários, só mesmo quem tem blog!!!

  10. mirelle says:

    bom, de mim você não pode reclamar porque eu tô sempre dando pinta na sua caixa de comentarios, né? você tem razão, o Twitter ta estragando o barato dos blogs! o pessoal não comenta mais aqui e sim, la! o comentario se perde. dia desses, no dia internacional do nlog eu até tuitei: Rts e compartilhar é bom, mas blogueiro gosta mesmo é de comentarios. mas, sei la, acho que quando o blogueiro é bom, o pessoal lê até o final e, quando o leitor cria afinidade com o blogueiro, faz questão de comentar.

    percebo que muitos blogueiros reclamam da falta de comentarios, mas também não respondem as mensagens dos leitores. e o leitor gosta de ser respondido, tanto quanto o blogueiro gosta de saber que foi lido.

    • Glenda DiMuro says:

      Hahaha… não posso reclamar de vc não! É verdade, já fiz vários amigos aqui no blog e esse pessoal quase sempre comenta. Eu tento responder aos comentários, buscando não ficar repetitiva… Mas sei que tem gente que fica só dizendo obrigado para cada comentário só para aumentar o número de comentários!!! Hahahaha (não é o seu caso, tá???). beijocas!

  11. mirelle says:

    ta vendo? eu volto pra ler as respostas!

  12. E eu morri de rir lendo teu post. Nem preciso dizer que me identifico, meu orientador pediu 3 páginas que dissessem o que procuro, o que eu fiz até agora e quais as minhas conclusões “so far”. Não consigo! Voltei um passo pra explicar o quadro teórico, pra poder dizer o que eu procuro; depois dei mais um passo pra refazer a revisão bibliográfica e poder justificar o quadro teórico… E por aí vai… As 3 páginas já são quase 20, e há mais de 1 mês não consigo terminar o maldito “relatório-de-três-páginas”. Já dizia Elvan Silva do PROPAR da UFRGS: “Concisão é uma virtude, prolixidade é um defeito”!

Deixe o seu comentário

Glenda Dimuro