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Glenda DiMuro On November - 25 - 2012

CRISE. Assim, em negrito e em maiúsculas. De preferencia gritando, ou melhor, falando num megafone. Para quem está dentro da Espanha, não preciso dizer mais nada. O povo está sofrendo na pele o significado e as consequências dessa palavra. Palavrinha pequena que em castelhano se escreve sempre no plural, «crisis», como uma espécie de pleonasmo enfatizando a sua extensão.

Quem está fora, nem sempre entende. Não sei que tipo de notícias chega ao Brasil sobre a realidade da Espanha, e da Europa em geral. Acontece que a «Europa» é um continente, e como tal, tem suas adversidades e complexidades. Europa é uma coisa, Espanha é outra, mesmo fazendo parte do todo. E se a Europa está mal das pernas, mas ainda consegue se manter em pé devido a força da Alemanha entre outros, a Espanha, como país, está quebrada. Economicamente falando e, em muitos casos, socialmente falando. QUE-BRA-DA.

Alguns falam da perda de uma geração inteira. Jovens recém-formados que não vão conseguir um trabalho nos próximos 10 anos. Adultos com mais de 40 anos que ficarão sem trabalhar até ter idade para se aposentar. Adolescentes que entram na universidade sem expectativa nenhuma de futuro. Para muitos, a crise é mais que econômica, é uma crise de auto-estima, de utilidade, de amor próprio.

A situação, desde o meu humilde ponto de vista, é bastante caótica. Vejam bem, não sou economista, nem socióloga, mas me considero uma pessoa inteligente e informada. E esse pequeno texto está longe de ser uma análise teórica sobre a crise na Espanha. Não me arriscaria a tentar descrever todo o problema e seu contexto, pois mesmo vivendo aqui há quase sete anos, não tenho conhecimentos suficientes. Depois dessa desculpa, acho que posso seguir escrevendo simplesmente o que sinto…

Por um lado eu sinto tristeza. Faz 30 anos que vendem a este povo um ideal de felicidade. A maioria das pessoas que eu conheço e conheci, ou são funcionários públicos, ou trabalhavam na construção civil, ou, de certa forma, eram financiados pelo governo ou pela «Europa» (estou falando das inúmeras ONGs e todo o pessoal que vivia da Cooperação Internacional e de serviços sociais terceirizados pelas administrações). Estou generalizando bastante, mas arrisco a dizer que 90% dos meus amigos são arquitetos ou trabalhadores sociais (isso significa que fizeram serviço social, aquela faculdade que sempre sobra vagas nas universidades brasileiras – ou pelo menos no meu tempo de estudante era assim). E todo mundo tinha emprego. O país vivia da construção civil e dos serviços prestados à população. Quebrando o setor imobiliário e o governo ficando sem um tostão, obviamente, todo mundo ficou sem trabalho.

Pouca gente tem seu próprio negócio. A Espanha é um dos piores países do mundo para abrir uma pequena empresa, tamanha a burocracia e a quantidade de impostos (ganhando apenas de alguns países da África). Dessa forma, não me estranha que a maioria espere uma saída que venha das mãos do próprio governo. Foram preparados para trabalhar muito e ganhar medianamente, com contratos supostamente indefinidos. A estes, que eram a maioria, os bancos davam empréstimos para que pudessem comprar sua casa e seu carro, e ainda gastar em comprinhas. Hoje se diz que uma pessoa tinha um SDM («sueldo de mierda» – salário de merda) e vivia DPM («de puta madre» – ou seja, muito bem). Qualquer «mileurista» (1000€ era a média dos salários do povão) conseguia uma hipoteca e adquiria uma dívida muito superior a sua real condição de vida, mas que seria paga em cômodas prestações durante os próximos 40 anos.

Esta semana vi uma reportagem na TV que dizia que a maioria dos espanhóis vive por debaixo do nível de pobreza. Os entrevistados reclamavam que não conseguiam pagar a conta da internet. Realmente, pobreza de primeiro mundo não é a mesma pobreza que a gente conhece. Agora culpam a população por querem viver acima das suas «possibilidades». É verdade, mas por vezes acho injusta esta afirmação… te fazem acreditar que isso é felicidade e agora te puxam o tapete. Complicado.

E é por isso que eu sinto raiva. Óbvio que aqui ninguém é totalmente bom ou mau e muita gente disfrutou bastante nos tempos das vacas gordas, mas a “grande culpa” (desculpem, mas estudei em colégios de padres) está longe do cidadão comum. Culpe quem for: bancos, multinacionais, capitalismo… Só que grandes culpas também afastam as boas soluções para outras estâncias. Novamente estamos colocando o futuro nas mãos daqueles que detém o poder econômico… eles que resolvam o problema que criaram. E pior de tudo é que vão resolver a sua maneira e em benefício próprio, está claro.

Tudo começou com um recorte de salários aqui, uma diminuída no orçamento da educação ali, um postinho a menos acolá. Aumento dos impostos. Criação de contratos de trabalho que beneficiam somente os patrões. Proibição de atendimento médico a estrangeiros ilegais (inclusive a pessoas com doenças graves como Aids). Enfim, um desmantelamento progressivo do Estado de Bem Estar. E quando muita gente pensava que já não se podia cair mais baixo, começou a onda dos despejos.

A questão dos despejos merece um post aparte. Inclusive a «Europa» já criticou a política dos “despejos express” que está sendo aplicada pelo governo espanhol. Pois aquela gente que ganhava um SDM agora não ganha salário nenhum, e a vida DPM acabou virando um inferno. Sem dinheiro para pagar a hipoteca, veem seus apartamentos embargados pelos bancos e são colocadas no olho da rua. Famílias inteiras, sem trabalho, sem dinheiro e sem ter para onde ir (lembrem-se que eu disse que o nível de pobreza daqui não é o mesmo do Brasil, por exemplo, onde quem tem com pouco dinheiro constrói um puxadinho da casa de algum parente e se muda pra lá).

Mas no meio de tanta coisa ruim eu consigo sentir alegria. Em Sevilla, assim como em muitas outras capitais do país, diversos grupos de movimentos sociais estão se organizando e lutando a favor do direito universal a uma habitação digna. A Plataforma de los Afectados por la Hipoteca, a Stop Desahucios, integrantes do 15-M, e mais uma série de pessoas dos mais diversos âmbitos da sociedade, estão se reunindo e apoiando a ocupação de residências vazias nos centros das cidades.

Aqui do lado de casa ocuparam ontem um edifício que fazia anos que estava desocupado. Pertence a um banco, o mesmo banco que não concede mais hipoteca a ninguém, que tampouco negocia qualquer tipo de dívida e que emite a cada dia inúmeras ordens de despejo. É um ato reivindicativo, para mostrar ao povo, aos governos e ao mundo que o problema da habitação é que existem “gente sem casas e casas sem gente”. Corrala La Ilusión. Assim se autodenominam os ocupantes.

É complicado resumir em um texto toda a loucura que estamos vivendo aqui. É tudo meio surreal, observar como se desmorona todo um sistema. Hoje em dia, um emprego é um luxo. E com contrato, isso sim é uma ilusão. Parece piada, mas nas últimas semanas recebi diversos e-mails de brasileiros perguntando como está o mercado de trabalho aqui. Preciso dizer algo mais? Não gosto muito de estatísticas, mas para este caso eles resumem tudo: mais de 25% da população ativa desempregada, 52% de desemprego juvenil. Definitivamente, a Espanha não está no seu melhor momento.

E o desanimo contagia. O lado bom é que a ilusão também. E eu prefiro me agarrar a esta última. Veremos se conseguimos juntar os pedaços quebrados e chegar a algum lugar, um lugar melhor.

*****

Fico devendo um post sobre a questão dos despejos e do direito a moradia. Mas estou a mil para ir para o pelo Brasil.

Categories: Espanha, sevilla

23 comentários

  1. Muito triste que isso esteja acontecendo não apenas com a Espanha, mas de acordo com os noticiários ainda mais fortemente na Grécia (e dizem que Portugal, Itália e Irlanda véao para o mesmo caminho!!!)

    Nãoconheço a realidade da espanha, mas confesso que estive em Madrid há umas 2 semanas e fiquei surpresa com o quão pouco se vê a “crise” nas ruas. Explico: o meu olhar “estrangeiro” viu espanhóis (pela língua e sotaque) fazendo a festa em bares, bebendo e comendo independente da hora do dia ou da noite. Eh nesse sentido que você quer dizer que o povo se acostumou a “viver bem” e agora tem dificuldades em viver com restrições? E as confeitarias lotadas para o café da manhã (não é mais barato comer em casa?) e o dia inteiro para o bolo Almudena, cujo preço achei bem carinho!!!
    Claro, vimos muitas placas de azpartamentos a venda e muitos personagens de “pelúcia” nas ruas tentando ganhar uns trocados (muito mais que em qualquer outro lugar!). E imagino que a crise seja ainda mais forte em cidades menores do que em grandes cidades.

    • Glenda DiMuro says:

      Pois é, Milena. O pessoal está sem dinheiro, mas não deixa de curtir a vida. Isso quer dizer que não deixa de sair, mas faz menos vezes à semana… Não se pode mudar de um dia para outro a mentalidade das pessoas. Já não viajam tanto para o exterior, o que não significa que não saiam de férias dentro da Espanha mesmo. O café da manhã na rua é algo cultural, aqui na Andalucía todo mundo toma. Dão os doces para as crianças e agora querem tirar. É complicado adaptar-se à nova vida. E claro, nas zonas centrais das cidades o problema é mais diluido. Mas é só se afastar um pouco do centro, e principalmente do circuito turístico, que já começa a ver muita gente sem ter o que fazer, “parados” (desempregados) literalmente.

  2. E a Espanha está atualmente com uma faca de dois gumes. Estão gastando uma fortuna para que as Olimpíadas de 2020 sejam em Madrid. Creio que isso se deve, entre outros fatores, a pelo menos três em especial: a) os espanhóis, em especial os donos do poder no país, até hoje não engoliram a perda das Olimpíadas de 2016 para o Rio de Janeiro; b) o governo espanhol, ao apoiar a segunda candidatura seguida de Madrid, quer demonstrar ao resto do mundo que o país que dizem estar quebrado ainda está “vivo” e tem capacidade para reerguer-se antes, durante e depois dos JJ.OO.; c) o governo central em Madrid e os espanhóis unionistas de uma maneira geral querem contra-atacar os separatistas da Catalunha, já que Barcelona sediou as Olimpíadas de 1992 e os JJ.OO. daquele ano até hoje são lembrados com orgulho pelos catalães nacionalistas, que certamente duvidam da capacidade de Madrid sediar um evento esportivo de tamanha magnitude como os ocorridos há vinte anos (é como se os catalães dissessem: “Mira, fins i tot perdut a Rio de Janeiro!”/”Vejam só, eles perderam até para o Rio de Janeiro!”).
    E você, o que acha desse investimento para as Olimpíadas de 2020? Perda de tempo e de um precioso dinheiro que poderia servir para solucionar uma das maiores crises da história da Espanha? Ou uma fórmula desesperada para atrair investimentos estrangeiros que “ressuscitariam” o país?

    • Glenda DiMuro says:

      Sinceramente Paulo, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, ninguem anda falando nas Olimpíadas 2020 não… E acho que eles nem se atrevem a tocar no assunto no momento. Os separatistas da Catalunha acabaram de receber um golpe com o fracasso do Mas nas eleições que ocorreram ontem. As notícias dos jornais de hoje são sobre a greve dos médicos em Madrid e o despejo de mais de 100 familias de um edificio que a prefeitura vendeu não sei para quem. As Olimpíadas estão num futuro muito distante… agora se tu me diz que estão preocupados com o Eurovegas, ai sim… (um grande centro comercial, com hoteis, cassinos, lojas, ect… que iam construir em Barcelona e acabaram escolhendo Madrid). Uma insanidade dessas que destroem territorios agrícolas e geram meia duzia de emrpegos, mas que na real enchem é os bolsos dos investidores estrangeiros. Isso sim é a bola da vez, não as Olimpiadas (porque na verdade, já tem muita coisa construída, não seria tanto investimento como no Rio, por exemplo).

  3. mirelle says:

    eu ia dizer que a França esta indo pelo mesmo caminho, mas vou falar do Brasil. Estão fazendo por la o mesmo que fizeram na Espanha, Grécia, Portugal. Dando crédito pra população que vive entupida de dividas que não conseguira pagar. Dou 10 anos pra ver o Brasil na mesma situação que os paises europeus, é so esperar passar a Copa e as Olimpiadas.

    • Glenda DiMuro says:

      Pior é que lá no Brasil nós não temos o tal do Estado do Bem Estar que, de uma forma ou de outra, ainda mantem a dignidade e o acesso aos recursos públicos de qualidade na Europa. Quando mais alto o degrau, mais alto o tombo. É uma pena, mas sem querer ser pessimista, tenho a mesma impressão que você… Esse modelo de desenvolvimento não funciona e temos muitos (maus) exemplos. Mas o pessoal se preocupa com o aqui e agora, infelizmente.

  4. Dona Pipoca says:

    Acompanhando os despejos e a situação pelo noticiario. Isso que você falouu é realmente verdade, depois de alguns anos morando na Alemanha, percebo como paises do ” Sul”( Espanha, Portugal) investe o dinheiro de forma incorreta, já vi ruas com iluminação no meio do nada, ginasio luxo vazio, aeroporto recém construido as moscas( Tem 1 Valença, não?! que só uma escultura custou mais 300 mil euros) sem contar da aquisição de imóveis. Emprestimos sem sinal e casas imensas( 150m2 aqui já um luxo)além das casas de veraneo.

    Realmente, desse jeito que viviam, o sistema não aguentaria tanto tempo

    • Glenda DiMuro says:

      Sim, o governo gastou muito dinheiro público em infraestruturas, entre elas aeroportos, estradas, linhas de trem. É que se “ganha” mais dinheiro com a construção em si que com o proprio uso futuro desses equipamentos. Dai o fato da Espanha ser o país da Europa com mais km de estradas, kms de vías de trem rápido, apartamentos (se constriu mais na Espanha da década dos 2000 que na França, Italia e Inglaterra juntos), um aeroporto a cada 200km…

      Pergunta que não quer calar: no Brasil não se está fazendo uma coisa bastante parecida???

      • Alguém duvida que muitas das arenas – uma mais luxuosa que a outra, diga-se de passagem – que o Brasil está construindo para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 virarão elefantes brancos, sem utilidade alguma? O Parque Aquático Maria Lenk, por exemplo, que foi palco dos esportes aquáticos nos Jogos Panamericanos de 2007, foi pouquíssimo usado nos anos seguintes. Não será nenhum exagero afirmar que os novíssimos estádios de futebol de Manaus, Brasília, Natal ou mesmo do Recife (a Arena Recife não pertence nem ao Sport, nem ao Santa Cruz, nem ao Náutico) fatalmente se tornarão ruínas cheias de pixações e depredações, com moradores de rua e até traficantes morando neles, se nenhuma de nossas autoridades fizer nada para mantê-los ativos.

  5. David says:

    Durante a crise, você tem pensado na possibilidade de voltar ao Brasil ?

  6. Marcia says:

    Olá Glenda,

    Realmente Espanha está atravessando uma grave crise economica, mas, para quem vive como eu no País Vasco, esta crise nao se nota tanto, penso que em Andalucia as coisas estao muito piores (Há muito desemprego em Andalucia y como tal, mais dificuldades). Quando a dificuldade em montar sua propria empresa, a burocracia em Espanha nao é tao grande assim, voce consegue montar uma empresa em 24 horas, digo por experiencia propria , porque tenho uma empresa. Quanto aos impostos, em Portugal há muito mais burocracia do que aqui e o País está muito peor que Espanha (dou exemplo de Portugal, por saber com seguridade do que falo). Penso que o Brasil apesar de dizerem que agora está muito bom, tem muitos problemas e que havendo trabalho ou nao continuarao a existir e que apesar de tudo a qualidade de vida aqui é muito maior (de vez em quando escuto o noticiário brasileiro). E a tua gatinha como está?

    Un saludito.4
    Marcia

  7. ernani says:

    Ótimo desabafo.
    Tenho acompanhado com atenção essa turbulência toda, mas sempre fica mais claro quando se tem uma visão humana de quem está vivendo a situação.
    Triste saber que nem o Rajoy nem ninguém é mágico pra consertar isso num prazo curto.
    Mas gosto da sua esperança!
    E torço muito pra que vcs estejam bem.
    bjos

  8. Marcos Fonseca says:

    Glenda, vivi de 1991 a 2005 na España. A quem saído correndo do Brasil pelo “corralito” imposto pelo governo collor (em minúsculo mesmo), a España me proporcionava uma visão de paraíso no que tangia a direitos sociais adquiridos pelos trabalhadores, sobretudo durante o governo socialista de Felipe González (este sim em maiúscula). Contudo, devido a uma grande maioria de trabalhadores que só queriam saber de gozar das facilidades do seguro desemprego (o povo não estava totalmente consciente), de “encostar-se” em um emprego “fijo”, as leis foram mudando de modo a tirar estas “mordomias” pois o estado iria a bancarrota.
    Apesar das facilidades bancárias para financiar praticamente TUDO,e do jogo pesado da mídia para o fomento do consumo, senti que faltava uma consciência da população para um consumo mais racional. A macia “alfombra”(tapete)extendida aos espanhóis durante os dois mandatos do PP de Aznar e seu discurso de que “España vá bién”, aumentava a confiança não só para financiamentos da casa própria e toda sua mobília, mas também do carro novo, das viagens intercontinentais, e regalitos de “El Corte Inglés”. Tudo isso ainda insuflado pelo mal nacional (admitidos por eles próprios)da “invídia” (inveja). Eu tive discussões (algumas vezes acaloradas) com companheiros de trabalho que me criticavam por não ter um carrão novo como eles. Viviamos a febre do “boom” econômico espanhol. Econômico Espanhol? em toda a Espanha se via obras públicas de grande vulto, desde ferrovias, estradas (AVE e autopistas), regadios, até recuperação de patrimônios históricos/culturais. Mas em todos haviam placas informando o custo da obra e…a origem do dinheiro para financiá-las, que era obviamente do Fundo Europeu para o Desenvolvimento. Daí saía o dinheiro que movia a Espanha dos anos 1990 até início de 2000 colmado pela entrada da moeda única no país. As grandes mudanças estavam sendo anunciadas a boca pequena para quem quisesse ouvir. Diariamente nos noticiários e tertúlias na rádio (RNE e SER) se ouvia que a UE iria fechar os grifos de dinheiro que irrigavam a Espanha quando ela estivesse com a infra estrutura suficiente para competir ao mesmo nível com os outros países da união e daí caminhar por seus próprios pés. Enfim, tenho muitos amigos/irmãos na Espanha e solidarizo-me com eles é uma prova dura que eles estão passando, mas, como voce mesmo disse se vão juntar os cacos e fazerem algo de bom, com certeza, saberão tirar conclusões sábias do que estão passando e a ilusão é o último que se perde.

  9. André says:

    “Culpe quem for: bancos, multinacionais, capitalismo… Só que grandes culpas também afastam as boas soluções para outras estâncias”

    Na verdade, não chamaria de “culpa”, mas de “responsabilidade”. E acho que devemos procurar os responsáveis por isso sim. As soluções vêm através dessas definições. Porém, o principal responsável é muito pouco citado nos comentários, nas manifestações… o Estado. Muitos ainda querem mais Estado. E foi justamente essa a principal causa da crise. Caindo essa ficha, as pessoas podem tentar começar a mudar esse tipo de ideologia para formar uma sociedade melhor.

    🙂

  10. Beth Blue says:

    Pois é Glenda…também venho acompanhando esta crise do Euro e embora a situação aqui na Holanda nem se compare ao que está acontecendo aí na Espanha, Portugal e Grécia, eu nunca vi nada igual nos meus 18 anos de Holanda! Acabaram-se as mordomias, o governo tem cortado custos por toda parte (inclusive nos setores de saúde e educação), multinacionais demitindo em massa, demissōes em orgãos do governo, desde prefeituras até ministérios etc etc etc.

    O holandês nunca viveu nada parecido e claro que nem chega perto do drama da Espanha…então se aqui a coisa já anda preta (pra uns mais do que pra outros), eu nem posso imaginar como seria viver hoje na Espanha.

    No momento, o único paíd que apresenta sinais de recuperação é a Alemanha…França ainda está um pouco melhor do que a Holanda…enfim, não vejo a hora desta maldita crise acabar…só que conforme tenho lido nos jornais, ainda vai piorar antes de acabar.

    É o declínio de um império…quem viver, verá!

  11. wilma says:

    Hoje conversando com uma amiga, contou-me que um parente que estava há 20 anos na Espanha, voltou para o Brasil, dizendo que a coisa está horrível, não há emprego, muita gente se deprimindo, muitos suicídios…achei que fosse exagero dele, que voltou porque tinha um bar próprio onde não estava ganhando mais para pagar as contas, arrumou as malas e está aqui a procura de emprego. Muito louco isso, mas acredito ser um ciclo, o mundo está mudando e as relações trabalho, propriedade, profissão terão que ser revistas. Não demora o Brasil também será afetado, ainda hoje passando em várias revendedoras de carros, estão lá com um estoque imennnnso e não tem quem compre; o metro quadrado no Leblon custando 18.300 (dezoito mil!!!) e o SM 622 reais…ou talvez seja essa a solução, 90% ganhando essa miséria…aiai

  12. Giselle says:

    Oi Glenda,

    Amei descobrir seu blog. Temos coisas em comum, também sou brasileira, arquiteta e urbanista, e também sou expatriada na Alemanha. tenho um blog ainda no começo e me o seu blog me inspirou a continuar até ver onde vai dar. Aqui na Alemanha as pessoas dizem que a crise não está tão latente, não vejo manisfestações nas ruas, nem ouço falar sobre isso. Mas que ela existe, existe. Eu, por exemplo, procuro trabalho mas não tem nada, e quando tem não é pra recém expatriada do pedaço! kkk…mas continuo tentando, enquanto isso vou vivendo!

    Vou esperar ansiosa por mais posts 🙂

  13. Deise says:

    Olá Glenda,

    Não sei o que contestar do seu texto.
    Li esse mês em um jornal dizendo que em um pais europeu, o premio do supermecado era um emprego para aqueles que residiam no pais. Estou abismada com as notícias que chegam aqui no Brasil sobre a Europa, principalmente sobre a Espanha.

    Pergunto sempre aos espanhoes e brasileiros que vivem aí sobre a crise em diversos tipos pontos.

    Uns dizem que a crise só afeta a famosa clase média baixa, que não existe essa crise “assustadora” que se passa na tv ou internet.

    Sei de espanhoes que estão abrindo comercios, comprando casas, comprando muitas coisas e esbanjando dinheiro e não são ricos.

    Tem brasileiros que estão “bem” e não pensam em voltar para o Brasil mesmo com a crise.

    Quero ir em 2013 a estudar um Master, mas cada vez que leio textos sobre crise fico com receio e medo de investir.

    Fica para mim algumas perguntas:
    A crise afeta mas as grandes cidades?
    Será que a Europa não conseguirá se erguir?

    • Glenda DiMuro says:

      A crise afeta a todo mundo, menos os que são bastante ricos e não estavam ligados ao ramo da construção civil. Afeta as grandes cidades também, mas talvez as regiões menos favorecidas economicamente (como o sul e a galicia, por exemplo) sofrem mais. Se a Europa irá se reerguer? Esta é a pergunta do milhão!

  14. Soraya says:

    Amei seus post. Iluminou minha visão desse belo pais que percorri por 15 dias de ferias, entre dezembro a janeiro deste ano. Foi uma viagem com meus filhos e marido entre Madrid, 8 dias, Barcelona e os bate -volta a Toledo e Segovia. Deu pra perceber a presença de alguns pedintes, algumas lojas cerradas e no mais concluímos que queríamos essa crise pra gente, a qualidade dos meios de transporte e das cidades de uma maneira geral. O que víamos de espanhóis, nao eram turistas, comendo nos restaurantes seja de manha, a tarde e anoitecer nos dava a impressão de que não era tudo aquilo que vemos nos noticiários brasileiro.
    Nos, familiares, costumamos viajar bastante, e não consiguiamos entender como esses países que vc cita, Espanha, Portugal e Grécia estavam com essa bola toda, isso pq,economicamente, que riqueza era produzida nesses países para justificar tudo o que víamos ? Fora o capital humano, não há recursos naturais e nem industriais para justificar tanta riqueza. Na minha humilde opinião, a ilusão de credito fácil dado a população foi tb o que iludiu esse países através da arrogância de pertencerem a União Européia.
    Sem entrar em detalhes o ” case” Brasil e diferente, o que vemos no momento em um real desenvolvimento econômica de produção, principalmente no setor agrícola e mineral, o que faz com que o Brasil viva do seu próprio consumo interno. Fiquei impressionada com o desenvolvimento das regiões do nordeste,centro-oeste e Sul do Brasil. Embora olhe ,tb, com desconfiança do excesso de créditos para as camadas pobres, mas não ha nada para as classes medias. O Brasil de fato, não e falso, esta crescendo muito em regiões que nunca cresciam. Diria que o eldorado não reside mais no sudeste, sou e moro no Rio, mas o que naomexiste e o Estado do bem estar tao presente na Europa e América do Norte,
    Bjs e vc, brasileira calejada, consiga passar por esse momento com forca e criatividade.

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Glenda Dimuro