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Se você pensa em estudar na Europa, mais precisamente na Espanha, aqui encontrará algumas dicas. O assunto é um pouco extenso, mas tentei resumir da melhor forma possível. Lembre-se que para qualquer estância de estudos por mais de 3 meses é necessário a obtenção de um visto de estudos, que pode ser renovado ou não a cada ano, dependendo do tipo de estudo.

 

Graduação

Escrevi um post específico sobre entrar em uma faculdade na Espanha. Se você pensa em começar seus estudos universitários ou quer pedir transferência a uma universidade espanhola, não deixe de ler. Se você vem fazer intercambio universitário, vai precisar apenas do visto de estudos.

 

Pós graduação

Estudar uma pós graduação na Espanha, seja especialização, mestrado ou doutorado, pode ser uma ótima opção quando se pensa em morar alguns anos fora do Brasil. O processo de seleção é relativamente tranquilo, principalmente para os programas de doutorado, já que o pessoal aqui gosta mesmo é de trabalhar na “calle” e não precisa de mais de um título universitário para conseguir um bom emprego ou passar em um concurso, bem diferente do que acontece no Brasil. Nos últimos anos, com a crise econômica que assola o país e uma taxa de desemprego juvenil nas alturas, cada vez mais os recém formados optam por seguir na Universidade, o que pode começar a dificultar um pouco a chance de conseguir uma vaga. A boa notícia é que a maioria das universidades espanholas reservam uma porcentagem de vagas para alunos estrangeiros.

O primeiro passo é a escolha do curso e do tipo de estudos. Isso, obviamente, vai depender da sua área profissional. A Espanha é um bom destino para quase todas as profissões e há opções para quase todos, principalmente para arquitetos e interessados em políticas públicas, relações internacionais ou direitos humanos.

Basicamente, são três os tipos de estudos de pós graduação: Formación Contínua ou Permanente, Máster e Doutorado. O sistema educacional espanhol está se adaptando ao Espaço Europeu de Educação e algumas mudanças foram feitas desde que cheguei por aqui em 2006. Anteriormente, o acesso ao Doutorado era imediato, ou seja, não era necessário um título de mestrado, já que o Máster Oficial como é realizado hoje não existia. Atualmente, poucos programas de Doutorado ainda continuam no modelo antigo, e tem até 2016 para serem finalizados. Vou explicar brevemente como funciona cada uma das modalidades, lembrando que estão em processo de construção as chamadas “Escuelas de Doctorado”, mas que com relação aos tipos de estudos, não muda muita coisa:

Formación Contínua: Nesta modalidade estão incluídos os cursos chamados de: “Máster Propio, Cursos de Experto Universitario, Cursos de Formación Continua e Cursos de Extensión Universitaria“, podendo ser presenciais, semipresenciais ou on-line. Oferecem uma formação mais flexível, enfocada para a atuação profissional (não tanto pesquisadora). É mais ou menos como uma especialização no Brasil, ou quem sabe como um mestrado profissional. São cursos oferecidos pelas Universidades ou por outras Instituições (Institutos Universitários) que podem ter ou não vínculo com alguma Universidade. A duração é normalmente de um a dois ano (oscursos de extensión podem durar menos tempo), composto de aulas teóricas, práticas e estágios, dependendo muito de cada universidade. O trabalho final, em alguns casos, pode ser realizado em grupo e nem sempre é apresentado perante uma banca (ous seja, pode dificultar o reconhecimento do diploma no Brasil, já que uma das exigências é um informe da banda examinadora). São cursos relativamente caros, dependendo da carga horária, podendo variar entre 2500 euros até mais de 8000 euros.

Máster Oficial: Também chamado de “Máster Universitário“. É o mais próximo do mestrado no Brasil. Oferecido pelas Universidades, é atualmente pré-requisito para o acesso ao Doutorado. Alguns cursos oferecem duas opções de estudos: profissional ou pesquisador. No profissional o trabalho final deve ser algum projeto prático e o pesquisador um mais teórico. A duração também depende de cada curso, podendo ser um ou dois anos, divididos em aulas teóricas, seminários e um trabalho final (orientado por um professor) que deve ser defendido para uma banca examinadora (como se fosse uma dissertação no Brasil). O valor do curso está tabelado pelo governo e é baseado no número de créditos a serem cursados (os créditos podem variar de 60 até 120). O preço de cada crédito ronda os 30 euros, mas é variável em cada Universidade.

Doutorado: Semelhante ao Doutorado no Brasil, com a única diferença de que o aluno já não necessita fazer nenhum crédito nem assistir a nenhuma aula. Quando aprova o Máster Oficial o aluno já pode inscrever diretamente a sua proposta de tese em algum departamento relacionado com o seu Máster. É como se fosse um projeto de pesquisa que deve ser aprovado por uma comissão. Depois da aceitação, a matrícula no Doutorado pode ser realizada sem nenhum problema e o vínculo com a Universidade pode durar até a finalização da tese, sem limite de anos desde que a matrícula seja paga todos os anos. O valor da matrícula pode ser considerado baixo quando comparado ao preço dos másteres, em torno de 60 euros, mas também variável em cada Universidade.  Até bem pouco tempo, em muitas Universidades, um diploma de Máster Própio não dava acesso ao doutorado. Isso ainda continua em grande parte das Universidades.

Este tipo de visto pode ser renovado a cada ano, desde que seja comprovado que os estudos estão sendo realizados de forma satisfatória (normalmente são necessárias as notas do ano anterior) e que uma nova matrícula para o ano seguinte seja apresentada ao governo espanhol.

 

Intercâmbio estudantil

Se você ainda não está formado pode estudar na Espanha através dos programas de intercâmbio estudantil. É nada mais que passar uma temporada cursando matérias relacionadas com o seu curso em uma Universidade Espanhola. A Universidade de procedência no Brasil deve ter vínculo ou acordo com a Universidade escolhida na Espanha para facilitar o aproveitamento das disciplinas ao retornar (ainda que isso muitas vezes não acontença). Normalmente os alunos brasileiros não precisam pagar taxas de matrícula ou pelas matérias que vão cursar, mas não é regra e depende da Universidade de origem.

Este tipo de visto não pode ser renovado, por isso é importante planejar bem o tempo que se quer permanecer por aqui, com uma estância máxima de um ano.

 

Curso de língua espanhola

Ainda existe a possibilidade de morar na Espanha para aprender espanhol. São várias as escolas de idiomas, mas é muito importante que a escolhida esteja registrada no Consulado Espanhol no Brasil, já que nem todas são consideradas “oficiais”.

Assim como o visto de estudantes de intercâmbio, o visto para quem vem aprender o idioma não é renovável. É melhor planejar bem a viagem.

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Como podem ver, as opções são várias e tudo depende dos planos de viagem. Convém lembrar que o visto de estudante não permite que se trabalhe legalmente na Espanha, salvo exceções devidamente autorizadas pelo governo espanhol (e ainda assim durante meio período). Isso não significa que não se trabalhe ilegalmente ou que ninguém “contrate” estudantes, muito pelo contrário. A grande dificuldade de trabalhar hoje se deve ao fato de que não existe emprego para ninguém, e os estudantes obviamente também são afetados.

Outro ponto importante: o processo do visto é bastante burocrático (principalmente para os estudantes de pós-graduação) e custoso. Burocrático porque necessita de carta da Universidade Espanhola (quando a matricula anda não foi efetuada), tradução e carimbo da Embaixada Espanhola em todos os documentos oficiais (diploma e histórico escolar), comprovante de renda de um familiar (ou amigo) e documento oficial onde diga que ele se compromete a enviar todos os meses certa quantia de dinheiro para a manutenção do estudante na Espanha (o valor depende de cada consulado regional, por exemplo, em Porto Alegre no ano de 2007 estavam pedindo que fossem 1700 euros ao mês!) e mais algumas coisinhas. Esse último documento assusta no início, mas é nada mais que um documento feito em cartório para apresentar ao consulado. Ninguém controla se essa quantidade de dinheiro é realmente enviada para você todos os meses, até mesmo porque este valor é completamente absurdo para um nível de vida de um estudante comum.

Além da burocracia, ainda temos o probleminha do bolso. Ou seja, além de todos os gastos com passagens e estadias aqueles que quiserem estudar na Espanha devem considerar os custos do visto, onde está incluído um seguro médico privado que cubra todo tempo que se viva no exterior. Em anos anteriores, muitos estudantes de aproveitaram do convênio de Saúde Pública existente entre o Brasil e a Espanha. Significava que quem havia contribuído com o INSS por pelo menos os últimos três meses antes de viajar ganhava o direito de usufruir da “Seguridad Social” na Espanha completamente grátis. Já não é mais assim e agora lhe obrigam a fazer um seguro privado que custa em torno de 1200 dólares ao ano.

Enfim, não é fácil, mas está longe de ser impossível. As regras mudam a cada ano e sempre digo que o melhor a fazer é visitar o consulado espanhol mais próximo e tirar todas as dúvidas com relação ao visto. De qualquer forma me ponho a disposição para quem quiser saber mais detalhes sobre o assunto.

FIQUE ATENTO: O ano letivo na Espanha começa em setembro e as matrículas, principalmente para Máster, abrem em junho/julho.

Links interessantes:

Consulados Espanhóis no Brasil – Lista de Universidades Espanholas – Mapa das Universidades Espanholas – Ministerio de Ciencia e Innovación

IMPORTANTE para quem ver estudar em Sevilla: DICAS DE INTERCÂMBIO EM SEVILLA

 

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Como homologar diploma brasileiro na Espanha

Como homologar diploma estrangeiro no Brasil

Dicas para quem quer fazer faculdade na Espanha

Glenda Dimuro